Advogados pedem respeito em nome de Paula

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Os advogados Claridê Chitolina Taffarel, Salete Canello  e Alisson Doneda que representam a família de Paula Perin Portes, desaparecida desde 10 de junho de 2020, concederam uma entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira, 29 de junho, na sede da OAB Subseção de Soledade.

Claridê explanou sobre a necessidade de os advogados apresentarem alguns esclarecimentos do caso, em virtude de sua ampla repercussão e das inúmeras inverdades ventiladas, que segundo a advogada, além de prejudicar o trabalho da polícia, acabam criando situações constrangedoras à família. “Quando iniciei neste trabalho com a mãe da Paula, em virtude dos laços de proximidades que tenho com ela, tínhamos a convicção de que isso logo iria se resolver, mas infelizmente não foi desta forma e a partir desse momento, neste estágio que o caso se encontra, se necessita de um trabalho técnico na área penal a qual não atuo, portanto quem irá atuar e dar suporte à família é a Dra. Salete e o Dr. Alisson”, informou.

A advogada Salete disse que o objetivo da coletiva é desmistificar informações dadas por ‘colegas’ advogados no dia 24 de junho. “Ficamos esperançosos com a coletiva dos colegas no dia 24 de junho, de que o menino que está foragido iria se apresentar. Hoje, passados cinco dias da entrevista, não temos notícia alguma de que este menino se apresentou. Não aqui em Soledade, não com o delegado Marcio Marodin”, relatou a advogada, ao questionar: “Onde está Paula? É um questionamento que uma sociedade, que nós, que um pai e uma mãe, fazemos”.

“Onde está Paula? É um questionamento que uma sociedade, que nós, que um pai e uma mãe, fazemos”.

Salete pediu respeito em nome de Paula e da família. “A Paula é uma vítima. Ela não colaborou com o seu desaparecimento. Gostaríamos que fosse tratada com respeito. Ela saiu aos 18 anos de casa onde sempre viveu aos cuidados da mãe, chegou em Soledade para morar com o pai. Aí vem alguém dizer que a Paula saia, viajava, que estava aqui ou ali. A defesa não deve afirmar situações que não tem certeza que aconteceram”, solicitou a advogada ao fazer menção à entrevista dada por advogados na quarta-feira, 24.

Na quarta, os advogados que defendem o suspeito que está foragido, falaram que o jovem estaria sendo ameaçado. Quanto ao fato, Salete destacou: “Se alguém está sendo ameaçado, o primeiro passo é ir pedir proteção, fazer uma ocorrência, o que não há neste momento. Até que nos provem ao contrário, essa ameaça é mentirosa. A família do cidadão que está foragido não foi ameaçada pela família da Paula”.

A advogada ressaltou que espera que o suspeito foragido se apresente. “Esperamos a apresentação deste cidadão que já conta com mais de 22 anos de idade, não é mais um menino. Esperamos que esse cidadão se apresente e relate tudo o que aconteceu naquela noite, porque não temos notícia alguma dos que estão segregados temporariamente, que tenham falado o que aconteceu e principalmente tenham referido ou respondido a pergunta que não quer calar. Onde está Paula?”, questionou.

Questionada sobre uma investigação paralela por parte dos advogados do jovem foragido, Salete pontou: “A investigação está sendo muito bem conduzida pelo delegado Marcio. Qual o motivo de uma investigação paralela? Qual o motivo de querer se provar com outra situação a inocência de um cliente que está foragido? Este cidadão que está foragido prestou depoimento, foi ouvido como testemunha e logo em seguida foragiu. Se uma pessoa que foi ouvida como testemunha e logo em seguida foragiu, qual o motivo de uma investigação paralela dos advogados de defesa? Qual a intenção? É provar a inocência? Porque foragiu? Foragiu porque estava sob ameaça? Quem os ameaçou? Como foram essas ameaças? Porque não houve registro de ocorrência? Porque não houve busca e apreensão na casa dos familiares da Paula?”, questionou.

Sobre as imagens de câmeras obtidas pela polícia que aparentemente mostram Paula sendo carregada desacordada na noite em que foi vista pela última vez, Salete disse: “Para nós é um vídeo que relata que quatro pessoas saíram de dentro da casa, uma pessoa carregada e independentemente de se mostrar rosto existe a situação de quatro pessoas envolvidas que saíram de dentro de uma casa e uma pessoa que estava sendo carregada. O vídeo mostra uma realidade fática, que, inicialmente, temos 5 pessoas envolvidas, uma provavelmente ficou dentro da casa e quatro saíram. Se o rosto aparece ou não, a polícia com o tempo vai mostrar efetivamente que aquelas pessoas que estão sendo investigadas estavam presentes naquele vídeo. Para nós e para a polícia relata muito bem a situação como os fatos aconteceram. A Paula entrou. Alguém saiu carregada. Onde está a Paula? Tudo indica que é a Paula. O vídeo não é inconclusivo, pelo contrário, nos remete ao fato de uma investigação”.

Segundo informações, 40 minutos foi o tempo entre a chegada de Paula na residência e saída de quatro indivíduos. Quanto ao tempo, a advogada Salete questionou: “40 minutos é um tempo muito exíguo, considerando que a Paula saiu e foi lá no local. Aparentemente, tudo tranquilo. Quantas pessoas estavam no local quando a Paula chegou? Quantos chegaram de carro? Qual o tempo em que a Paula ficou no local sem que chegasse um veículo e tirasse ela de dentro. Que tipo de crime em 40 minutos? Nós temos um crime premeditado? 40 minutos numa premeditação daria tempo. Um crime acidental? Que tipo de crime acidental poderia ocorrer em 40 minutos? Quais as providências que as pessoas estando lá poderiam fazer? Busca de socorro? São muitas perguntas que nós nos questionamos, que a família questiona, que a polícia deve estar se questionando. Qual a motivação dessa situação, para o desparecimento da Paula em 40 minutos? questionou.

A advogado do pai de Paula, Alisson Doneda, enfatizou que o seu trabalho junto com Claridê e Salete é de auxiliar. “Vamos transmitir a eles o que viemos acompanhando das investigações da polícia, do que está sendo feito. Não estamos aqui para investigar e nem queremos de alguma forma substituir a polícia ou atrapalhar”, informou.

Doneda reforçou o comportamento de Paula. “Todas as vezes que a Paula saia, ela dizia onde ia, atendia o telefone, dizia onde estava. Era uma filha que sempre prestava informações ao pai, não ia a lugar nenhum sem informar”.

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