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Fetag-RS rompe com a Conseleite-RS

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Desde o dia 17 de novembro, a Federação dos Trabalhadores da Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) anunciou o rompimento com o Conselho Paritário Produtores/Indústria de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite- RS), não participando das reuniões da entidade, enquanto a metodologia de formação e divulgação do preço de referência não for modificada.

De acordo com a Fetag, o preço de referência do leite, definido pelo conselho, está defasado em relação aos custos dos produtores para manter a atividade. São cumpridas as exigências de qualidade e sanitárias para a comercialização, mas a remuneração está sendo realizada de forma desigual pelas indústrias.

O produtor Gilberto Lodi, residente de Anta Gorda, que tem a criação de gado leiteiro praticamente a vida inteira, está de acordo com o afastamento da entidade com o Conseleite.

Propriedade da família Lodi em Anta Gorda

“Acredito que o afastamento pode trazer mais força ao produtor de leite, pois ao meu entender, o conselho está muito mais interessado no lucro das grandes empresas do que preocupado com o pequeno produtor. São 45 dias a cada entrega para sabermos o valor do nosso produto. Se a indústria está mal, eles baixam o nosso produto também”, explica.

As oscilações nos preços pagos aos produtores é a grande causa de desanimo para o setor. “Essa conversa de que o Conseleite irá revisar os valores pagos é só uma jogada, pois as entidades estão se retirando. E como o conselho pode discutir preço de produção se eles não têm a ciência de quanto o produtor, a agricultura familiar custa para se manter na atividade? É fácil sentar com as empresas para definir preço, mas por que não falar com os produtores? A Fetag possui uma planilha mensal dos custos de produção, com os aumentos e reajustes que sofremos com os insumos. Não há ninguém que mostre o verdadeiro custo de se produzir leite, nós estamos apenas aceitando o que é imposto e pago pelo nosso produto”, fala Gilberto.

“Eu não vejo a Conseleite como um representante do produtor, pois se eles continuarem com esse método de precificação do nosso produto, dentro de pouco tempo não teremos mais produtores de leite. O investimento no setor é alto, quase sempre se trabalha no negativo ou no limite. Se não há retorno como serão feitos investimentos e melhorias no setor?”, pergunta-se o produtor.

Produtores sentem-se abandonados no setor

O produtor de gado leiteiro Claudemiro Filippi, morador da Linha Filippi, interior do município de Camargo, trabalha na atividade há mais de 20 anos e conta que sempre foi um produto instável e com pouca valorização pelo trabalho que ocorre.

“O que ainda nos motiva é que este valor pago pelo leite é uma entrada de recurso mensal, algo que mantém as despesas fixas da casa. Com esse recuo da Fetag junto ao Conselho, o que o produtor sente é que está cada vez menos representado e que não há ninguém que represente a categoria de forma que seja feito algo diferenciado”, comenta o produtor.

Os produtores de leite não estabelecem um preço para o seu produto. “Depois que entregamos o leite para a empresa, a família vai saber em torno de 30 a 45 dias qual será o valor recebido por este lote. Isso deixa sempre uma insegurança, principalmente na hora de adquiri insumos, pois não se sabe o quanto sobrará naquele mês”, explica o produtor.

Este é um trabalho realizado 365 dias ao ano. “Em muitos momentos o nosso trabalho não é reconhecido, não é valorizado, pois é desgastante, uma das atividades que mais exigem dos trabalhadores. Nós gostamos desta atividade, por isso a matemos na propriedade. Pensamos também na diversificação, então plantamos as lavouras, temos os suínos e o leite, tudo isso auxilia a manter a propriedade da família e seguir no agronegócio, que é o coração da economia”, finaliza.

Gadolando e Jersey também deixam o conselho

Em anúncio na última sexta-feira, 19, a Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) e a Associação de Criadores de Gado Jersey do Rio Grande do Sul (Jersey-RS) decidiram por hora não participar mais do Conseleite.

A decisão veio pelo fato de as entidades não estarem de acordo com o presente modelo de discussão que leva a precificação do leite, pois as indústrias trabalham com dados atualizados e não admitem prejuízo ou diminuição no lucro, enquanto os dados de custos para a produção estão defasados e o produtor não tem paridade de disputa para amenizar o prejuízo. Sendo assim eles não seguiram desta forma, endossando um sistema que interessa apenas ao setor industrial.

Conseleite confirma que irá revisar custos do setor

Na próxima semana, o conselho irá se reunir para discutir a revisão dos custos de produção para o setor. Após quatro entidades representantes da agricultura familiar se retiraram das reuniões até que o preço base seja revisto e que os custos de produção fossem atualizados, o conselho marcou uma sessão extraordinária para 7 de dezembro.

As entidades esperam agora poderem discutir de forma mais aberta e justa o cálculo base de produção.

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