JBS retorna às atividades, enquanto BRF e Minuano trabalham com 50% da capacidade

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As plantas da JBS em Passo Fundo, e da BRF e Minuano em Lajeado, estão enfrentando problemas desde o final de abril devido aos inúmeros casos de coronavírus entre os colaboradores. As unidades foram fechadas pela Justiça até que se adequassem a um plano de contenção da propagação do vírus.
As unidades da BRF e Minuano após um acordo com a justiça voltaram a funcionar com 50% da capacidade. Enquanto a JBS voltou às atividades normais a partir de quarta-feira, 20 de maio.
JBS
Após quase um mês de interdição devido ao contágio de funcionários por coronavírus, a JBS retomou às suas atividades. O retorno foi possível após uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho, que concedeu uma liminar para um recurso movido pela empresa.
Em 24 de abril a unidade foi fechada pela Gerência Regional do Trabalho, e posteriormente a Justiça do Trabalho gaúcha manteve a interdição.

Segundo o Ministério Público do Trabalho, são 94 casos confirmados de coronavírus em funcionários da empresa em Passo Fundo, e foram registradas 7 mortes de familiares ou de pessoas do convívio de colaboradores da JBS.
Para a volta às atividades a unidade precisou passar por modificações, para minimizar o risco de contágio. As modificações tiveram como princípio a proteção facial, higienização constante e distanciamento entre os trabalhadores.
Para utilizar o transporte os colaboradores devem usar máscaras e passam por medição de temperatura, caso o funcionário tenha temperatura acima de 37,8 graus, ou apresentar algum sintoma gripal, ele não entra no ônibus.
Dentro da empresa os colaboradores são orientados a ir diretamente para o vestiário, que tem distanciamento demarcado. Ele deve tirar toda a roupa, e vestir o uniforme do trabalho, só aí pode ir até o local de produção. Nas linhas produtivas, foram colocadas lâminas de acrílico para separar os funcionários em situações em que o distanciamento não é possível.
Os funcionários são constantemente orientados a higienizar as mãos ao chegar e sair de cada ambiente. Também é obrigatório o uso de proteção facial, com máscaras e face Shields.
O Ministério Público do Trabalho esteve na unidade na quarta-feira, 20, para inspeção do retorno das atividades e para verificar se as modificações estão adequadas.
A decisão do TST ainda é cautelar, ou seja, não teve o mérito analisado, não é uma decisão que reconheceu que está tudo conforme as regras.
BRF
A BRF e o Ministério Público (MP) fecharam acordo na sexta-feira, 15 de maio, entre as medias do acordo está a que inclui o pagamento de 100% dos prejuízos dos criadores durante paralisação total e parcial da planta e ressarcimento de perdas com possíveis abates sanitários.
Acordo entre BRF e MP foi para a volta parcial e gradativa dos trabalhos no frigorífico, foi estabelecida a redução de 50% no número de funcionários na linha de produção por 15 dias, testagem de todos os empregados que entrarem na planta frigorífica, além de análises clínicas por equipes médicas.
Também ficou acordado a contratação de assistente social e enfermeiro para visitar moradores dos bairros onde moram os colaboradores por um período de seis meses e doação de R$ 1,2 milhão para os hospitais de Lajeado, que receberá 70% do recurso, e Estrela, que deve receber 30% do valor.
Testes indicam que 501 funcionários contraíram coronavírus
A primeira etapa de testes rápidos realizados em funcionários dos frigoríficos da BRF da Minuano, de Lajeado, indica que 501 trabalhadores contraíram coronavírus. Os resultados foram analisados pela Vigilância Epidemiológica do município, que integra a secretaria da Saúde local.
Na BRF, foram realizados 1.553 testes entre os dias 11 e 12 de maio, destes 296 casos deram positivo para anticorpos da covid-19, equivalente a 19,05%.
Na unidade da Minuano, foram realizados 305 testes nos dias 16, 17 e 18 de maio, sendo que 205 deram positivo, o equivalente a 67%. Dos 305 testes, 206 eram moradores de Lajeado, dos quais 171 deram positivo (ou 83%).
Essa testagem dos colaboradores dos frigoríficos é parte do acordo para o funcionamento parcial das unidades.
Abate de aves
Com a reabertura parcial da BRF e da Minuano e a volta às atividades da JBS não será necessário o sacrifício dos animais.
A possibilidade foi comentada nos últimos dias antes de as companhias obterem autorização para voltar a operar. Isso porque, com as unidades paralisadas, as aves ficaram nas granjas e superaram o peso ideal de abate.

As aves serão abatidas e passarão por todos os procedimentos de controle do Ministério da Agricultura, por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF)

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