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“Tenho dificuldades para fazer coisas simples como secar um copo, lavar o cabelo e até para mastigar”

Antagordense faz relato de diagnóstico de Miastenia Aguda após terceira dose da vacina contra a Covid-19

Por Rosemary Piccinini

Determinada, prestativa e trabalhadora. Em fevereiro de 2022, a agricultora Ana Gheno, de 31 anos, viu serem roubadas algumas de suas principais qualidades e características, quando acometida por uma doença causada, de acordo com diagnóstico médico, pela vacina contra a Covid-19.

Moradora do distrito de Itapuca, em Anta Gorda, Ana, que é casada e mãe de uma menina de cinco anos, recorda como tudo começou. “Fiz as duas primeiras doses da vacina Pfizer e tudo correu bem. Tive apenas um pouco de dor no braço em ambas as ocasiões. Fiz então, a terceira dose da Pfizer em fevereiro. Era uma quarta-feira. A princípio estava tudo tranquilo e recordo que no dia posterior fui cortar grama. Porém, quando larguei a roçadeira senti um desconforto e havia me saído até uma íngua”, relata.

E foi a partir de então, que Ana começou a perceber que um dos braços, o oposto ao que recebeu a vacina, começou a perder a força. “Os dias foram passando até que me aconselharam a procurar um massagista, o qual me recomendou a ficar de repouso por três dias. O tempo passou e um dos dedos da mão também começou a ficar comprometido, um olho começou a fechar, enfim. No início não imaginei que poderia ser uma reação da vacina, mas depois comecei a relacionar”, destaca.

 

O diagnóstico

Era início de maio quando Ana decidiu ir consultar, tendo em vista que suas pernas também estavam perdendo a força. “Minha primeira consulta foi na Unidade de Saúde de Anta Gorda. O médico me deu tratamento para dores musculares, me pediu uma tomografia e me encaminhou para uma especialista, a qual, antes de ver a tomografia me pediu uma bateria de exames. Fui até o laboratório e profissional que lá trabalha me questionou o que havia acontecido. Quando respondi ela disse que eu não era a primeira que suspeitava de uma reação da vacina e que outras pessoas também haviam apresentando sintomas, porém leves”, disse.

De acordo com Ana nenhum exame apontou algum tipo de doença ou alteração. “Então fui encaminhada para um neurologista, o Marcos Rogerio Frank, de Lajeado. Chegando lá apresentei os exames já realizados, expliquei a situação, ele examinou meu olho que estava bem caído e disse que já sabia o que eu tinha. Sim, era uma doença causada pela vacina, chamada Miastenua Aguda”, relata.

O tratamento dado à Ana pelo profissional era respectivo a um mês. “Eram três comprimidos ao dia, o que me fez voltar a ter força nos músculos. Acabando o tratamento o médico pediu que eu desse um intervalo de 15 dias e voltasse para uma nova consulta. Porém, nos 15 dias que fiquei sem o tratamento novamente perdi a força nas pernas e braço e não conseguia quase nem caminhar. A sensação foi de desespero. Caí diversas vezes, me machuquei, chorava ao querer trabalhar e não conseguir. Fui para a consulta e então o neurologista me deu a medicação novamente e pediu que eu fosse reduzindo ao longo dos dias. Tenho feito isso, mas já percebo estar perdendo as forças outra vez”, lamenta.

Ana conta que a próxima consulta será em agosto. “O médico disse que é uma doença que a princípio não tem cura, mas pode acontecer de o corpo voltar ao normal. Também disse que é o primeiro caso de Miastenia que ele atende. Pesquisamos e no Brasil não teve nenhum caso notificado desta reação à vacina. Na Correia do Sul aconteceu um caso semelhante e o governo está investigando”, revela ao acrescentar: “Acontece que, o cérebro manda o comando para os nervos, porém como há uma inflamação por onde passa o comando, ela não deixa a musculatura fazer os movimentos. E quando é frio a situação piora”, frisa.

Na última consulta, no dia 3 de junho, Ana relata que um dos seus olhos estava praticamente fechado. “Vejo que se eu ficar parada é pior, por isso procuro me movimentar o máximo que consigo, porém me programo para fazer algumas atividades durante o dia e não consigo cumprir a metade delas. Tenho dificuldades para fazer coisas simples como secar um copo, lavar o cabelo e até para mastigar, pois também envolve a parte muscular”, pontua.

Ana encerra destacando que por orientação médica, a filha não deverá receber nenhuma dose da vacina, em razão da reação apresentada nela, e revela que até então não foi contaminada pela Covid-19, o que é raro hoje em dia.

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