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44ª Romaria da Terra recebe mais de 1500 romeiros

Romeiros de 18 dioceses participam da Romaria e refletem sobre a agroecologia e a agricultura familiar

A terça-feira de carnaval, 1º de março, foi diferente para mais de 1500 romeiros que, numa manhã chuvosa, estiveram em Ilópolis para participar da 44ª Romaria da Terra.

Cerca de 1500 romeiros estiveram em Ilópolis

Neste ano, a Romaria teve como tema “Agricultura Familiar e Agroecologia: sinais de Esperança”, que busca conscientizar sobre a importância de preservar a natureza. Os romeiros simbolicamente nos lembram os líderes de movimentos sociais que perderam a vida enquanto buscavam conquistar direitos aos pequenos produtores.

Romeiros foram recepcionados com um café da manhã

O prefeito de Ilópolis, Edmar Rovadoschi, e o padre da Paroquia de São Paulo Apóstolo, Clécio José Henckes, deram as boas vindas aos romeiros. O Bispo da Diocese de Santa Cruz do Sul, Dom Aloísio Alberto Dilli, realizou a abertura do evento voltado à agricultura familiar e à agroecologia e, após, presidiu a Santa Missa.

O Padre Clécio, em sua fala de abertura, destacou a importância de cuidar da natureza. “Queremos que essa Romaria seja um momento de esperançar, um momento de conscientização quanto à preservação da natureza. Lamentamos a falta de políticas públicas para o enfrentamento da estiagem no Rio Grande do Sul e a aprovação do uso de agrotóxicos proibidos em outros países. Nossos pequenos agricultores pedem socorro, por isso, hoje vamos refletir sobre esses temas”.

Rovadoschi deu boas-vindas a todos e também destacou a importância da preservação do meio ambiente. “Sejam todos bem-vindos a Ilópolis, a cidade da erva-mate. Eu fiquei muito feliz por Ilópolis ter sido escolhida para sediar a 44ª Romaria da Terra. Penso que é uma benção de Deus, pois dos 13 prefeitos já administraram o município, coube a mim, o 14º, recepcioná-los. Discutiremos um tema muito importante hoje, pois é preciso preservar a nossa terra, defender as sementes crioulas e manter essa tradição para que, assim, as futuras gerações possam usufruir delas”.

O prefeito finaliza: “Nosso carro-chefe é a erva-mate, que é produzida em propriedades que trabalham com a agricultura familiar, por pessoas que trabalham de sol a sol. Temos muito orgulho dos homens e das mulheres ilopolitanas. Para nós é muito importante essa valorização da agricultura familiar, e a Romaria é mais uma oportunidade dessa classe trabalhadora ser valorizada”.

Dom Aloísio Alberto Dilli falou sobre a necessidade de buscar um equilíbrio ecológico. “Sejam todos bem-vindos a Ilópolis, terra da erva-mate, chão de nossa diocese de Santa Cruz do Sul. Vamos realizar essa Romaria como quem pisa em um chão sagrado, porque o senhor Jesus nos convida para olhar ao nosso próximo como irmão. Para vivermos como irmãos, em harmonia e paz, é necessário buscarmos o equilíbrio ecológico, precisamos preservar a natureza e fortalecer a solidariedade e a justiça em nossa sociedade”.

Símbolos

Pão feito por Ludmila Gallon para a Romaria

O tema da agroecologia e da agricultura familiar foi abordado durante a 44ª Romaria por meio da palavra e dos símbolos, como a cruz, o círio pascal, a planta da erva-mate, as sementes crioulas, o pão, o vinho, a panela vazia que simboliza a fome, a pessoa com máscara, a máquina de veneno, as vasilhas de agrotóxicos e os produtos transgênicos.

Tais símbolos foram apresentados com o objetivo de promover a reflexão sobre a fome, sobre o uso de agrotóxicos e sobre a necessidade de produzir alimentos saudáveis e de preservar o solo e a natureza.

O pão, símbolo do amor, da saúde e do alimento, foi feito no Museu do Pão pela padeira Ludmila Gallon, que também produziu pãezinhos que foram distribuídos aos romeiros no final da celebração.

Presença de autoridades

Olivio Dutra e deputados participam da Romaria

A Romaria de Ilópolis contou com a presença de autoridades estaduais, entre elas o ex-governador Olívio Dutra (PT).

Estiveram presentes, também, o presidente da Assembleia Legislativa Valdecir de Oliveira, os deputados Edgar Pretto (que é pré-candidato a governador), Elvino Bohn Gass, Dionilso Marcon e Heitor Schuch.

Pretto, que é filho de Adão Pretto, uma figura importante das Romarias e um militante da agricultura familiar, fala da emoção de participar de mais uma edição da Romaria da Terra. “Eu estou na Romaria da Terra há 40 anos. A primeira Romaria que eu participei foi em 1982, ainda segurando na mão de meu pai, que acompanhei até 2009. Desde então, na terça-feira de carnaval, o meu compromisso é celebrar, renovar a nossa fé e continuar o legado do meu pai”.

O deputado fala também sobre a necessidade de valorização do pequeno agricultor. “São 44 anos de Romaria da Terra, mas, infelizmente, nos últimos dois anos não foi possível realizá-la devido à pandemia. Esse é um momento de reflexão, onde celebramos e fazemos preces por aqueles que partiram. Também é um momento de reafirmar o nosso compromisso com os agricultores que padecem mais uma vez com a seca e com a inércia do Poder Público. Esses homens e mulheres são importantes para nossa economia e tiram da terra o nosso alimento”.

Para o pré-candidato a governador, é urgente uma mudança de postura na produção agrícola e uma valorização dos alimentos saudáveis. “Estamos celebrando a importância da agricultura familiar e da produção de alimentos saudáveis, pois precisamos colocar nas nossas mesas alimentos que sejam sinônimos de saúde e não de doença. O pequeno agricultor é o grande responsável pela produção de alimentos, e estes não têm o incentivo necessário. Assim, muitos acabam desistindo e arrendando sua terra para a monocultura, pois não tem viabilidade econômica para produzir alimentos”.

Ele finaliza. “Tudo isso traz consequências para todos nós, pois veja o exemplo do Rio Grande do Sul, um estado que produz muito, mas que é o local do Brasil onde a comida custa mais caro. Precisamos voltar a valorizar a produção de alimentos”.

Da mesma forma, o deputado Marcon salientou a necessidade da produção de alimentos saudáveis e a valorização da agricultura familiar. “A agroecologia é um tema que tem que ser debatido no meio rural e urbano, pois nos três estados do sul estamos enfrentando um período de seca, que é uma resposta do meio ambiente. Um tema que preocupa a todos é a qualidade dos alimentos que consumimos, por isso é urgente repensarmos o nosso modo de produção. Precisamos produzir alimentos saudáveis, sem o uso de agrotóxicos, e isso quem produz é o pequeno produtor”.

Ele argumenta.  “A Romaria da Terra é um local propício para fazer esse debate, mas é uma pena que cada vez menos pessoas discutem esses temas. Eu, como político e agricultor, me preocupo com isso e penso que deveríamos ter políticas de incentivo aos pequenos produtores, pois desse jeito em breve teremos dinheiro para comprar o alimento, mas não terá oferta”.

Exposição de produtos

Produtores vendem seus produtos durante a Romaria

Durante a Romaria, produtores familiares, artesãos e ervateiros tiveram a oportunidade de expor seus produtos no salão paroquial.

“Foi uma oportunidade de nossos agricultores familiares mostrarem os seus produtos e até os comercializarem. No nosso café da manhã foram consumidos produtos dos nossos próprios agricultores”, salientou Padre Clécio.

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