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As quatro grutas

Além de pontos turísticos de exuberante beleza, os locais elevam a fé de centenas de fiéis

Por Rosemary Piccinini

Desde os tempos antigos as grutas sempre foram uma referência entre os mais diversos povos e nações, tanto que há a expressão: “o tempo das cavernas”. Nelas, os antigos procuravam abrigo das intempéries do clima como tempestades, terremotos, frio e dos animais.

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Já na era cristã, as grutas sempre foram uma referência destacada em toda história da igreja. “Desde as primeiras comunidades cristãs, no tempo dos Apóstolos, as grutas eram lugar de retiro temporário ou definitivo: os padres no deserto se retiravam da sociedade e passavam a morar nas grutas; monges fizeram história morando nelas e, fruto disto, surgiram muitos e grandes santos e sábios”, conta o padre Benjamin Borsatto, de Anta Gorda. “Em outras crenças, as grutas também sempre foram uma referência para cultivar uma vida ascética”, acrescenta.

Os anos passaram e nos tempos modernos as grutas continuam sendo uma referência. “É como querer se afastar do mundo para se dedicar à meditação e à oração. Creio que, os mosteiros (conventos) são frutos deste movimento inicial da igreja”, disse. “No nosso tempo ainda está presente o espirito dos primeiros cristãos que se retiravam na gruta para rezar. As grutas são estimadas, porque estão em meio à natureza, as pessoas se sentem bem, serenas e em paz”, enfatizou.

O padre denomina as grutas como um espaço alternativo de religiosidade. “Não negam a igreja, a capela ou a matriz, mas as grutas estão no coração e na alma dos devotos de Nossa Senhora. Os frutos desta piedade são de confiança, bem querer, alegria e esperança”, salienta ele ao citar os principais símbolos religioso encontrados nas grutas atualmente. “O terço, as velas, o altar, a água, e as fotografias por graças alcançadas”, pontuou. Segundo o religioso, a mais famosa gruta do Brasil é a de Belém, onde nasceu Jesus Cristo.

 

Anta Gorda, um município privilegiado

O município de Anta Gorda é considerado privilegiado por contar com quatro grutas que atraem semanalmente dezenas de fiéis. Quando ocorrem as celebrações em honra às padroeiras, o número de visitantes dobra, e já chegou a ir para a casa dos milhares.

Cada uma das quatro grutas existentes no município possui sua particularidade, mas ambas são de beleza exuberante e em algum momento já foram cenários de conquista de alguma graça. Conheça as grutas:

 

Gruta Nossa Senhora Aparecida, da Linha Dossena

A gruta fica há cerca de três quilômetros da cidade de Anta Gorda. Padre Luiz, Roque e Leonice Brancher – donos da terra, e outros voluntários, foram retirando os excessos, aplainando e erguendo um muro de tensão e construíram o altar, colocando a imagem de Nossa Senhora Aparecida junto à rocha, atrás dele. Desce água sobre a gruta que possui 31 metros de profundidade e 34 metros de largura. Lá ocorre missa mensal no terceiro domingo de cada mês. No dia 12 de outubro, dia da santa, se celebram três missas e a participação é numerosa. Boa parte dos fiéis, principalmente os jovens, caminham desde a cidade até o local. A primeira missa na gruta foi celebrada no dia 12 de outubro de 2002.

Gruta Nossa Senhora Aparecida, da Linha Dossena

001 – Gruta Nossa Senhora Aparecida, da Linha Dossena

 

Gruta Nossa Senhora do Caravaggio, da Linha Cabral

Os nomes de alguns fundadores da gruta são: Tranquilo Potrich, Afonso Bertelli, André Ravásio, Luis Brombatti, José Brombatti, Getúlio Dallazém, e outros. A limpeza e formação da base da gruta começou pelos anos de 1970. Um grande benfeitor foi Daniel Bertelli, que também auxiliou financeiramente na construção do ginásio nos anos de 1990. A localização da gruta está no final da Linha Cabral, que se chama São Luís Cabral, divisa com a Linha Ferronato. Muitos devotos fazem visitas em dias e horários diferentes. No dia 26 de maio é rezada a missa e ocorre a festa da comunidade. A padroeira é Nossa Senhora do Caravaggio. O casal doador da terra da gruta foi José e Etelvina Brombatti.

Gruta Nossa Senhora do Caravaggio, da Linha Cabral (Ferronato)

 

Gruta Nossa Senhora de Lourdes, da avenida

A gruta está localizada no perímetro urbano, na avenida de entrada da cidade. O doador da terra foi Ângelo Simon que também disponibilizou das pedras para a construção que foi feita em 1935 por Picon e Troitinho. Henrique Ogliari fez a calçada e cuidou por muito tempo da gruta. Já quem doou a terra do pavilhão foi a família de Fiorello Lunardelli. Há também uma citação de escritura de Guilherme Caron. Debaixo da avenida havia um pavilhão de festas que foi construído antes dos anos de 1960. Em 1967 foi construído o segundo pavilhão que serviu para muitas coisas, como grandes festas. Na gruta realizavam-se missas, terços, procissões, novenas, catequese, e o auge da gruta foi no tempo dos padres Avelino Garbin e Ernesto Fanni. Nessa época havia jovens que faziam a limpeza e cuidavam da gruta aos domingos de manhã. Atualmente a missa anual é celebrada no dia de Nossa Senhora de Lourdes.

Gruta Nossa Senhora de Lourdes, da avenida

 

Gruta Nossa Senhora de Lourdes, de Itapuca

A Gruta Nossa Senhora de Lourdes, que completa cem anos no dia 12 de outubro, trata-se de uma bela descoberta, feita pela família Toigo, em outubro de 1922. Em julho de 1882, Maria Toigo, viúva de Ângelo Toigo, em companhia de seus seis filhos deixou a Itália rumo ao Brasil. Chegando ao Rio de janeiro partiram para Caxias do Sul. Alguns anos mais tarde dois desses filhos, já casados, vieram a se fixar nas proximidades de Guaporé, local bastante próximo à gruta, inclusive, Ângelo e Maria eram proprietários das terras da gruta, que mais tarde foram doadas à comunidade.

Em setembro de 1922, por volta da segunda quinzena, Pedro Toigo, com 12 anos, em companhia de dois irmãos (ambos filhos de Maria) estavam realizando tarefas agrícolas afastados da residência, há aproximadamente 500 metros, junto aos seus quatro cachorros que caçadores que eram, não demoraram a começar a perseguir uma presa há cerca de 300 metros onde estavam os irmãos. Estes correram para ver do que se tratava. Chegando no local, em meio a um matagal, se depararam com a gruta, a qual foi apenas observada com receio e admiração, embora a curiosidade fosse grande.

Chegando em casa, o causo foi contado à família, mas ninguém demonstrou interesse. Para chegar no local, além da mata, existiam pedreiras e não havia trilho aberto. Dias depois os irmãos foram novamente ao local, desta vez acompanhados de vizinhos, em após mais alguns dias autoridades confirmaram, de fato, a existência da gruta.

O local continuou o mesmo por cerca de 13 anos, sendo apenas ponto de caçadas. Os caçadores colocavam velas chamadas sentinelas, com grandes chamas na parte externa da gruta, onde os animais preferidos, as pacas, se escondiam na furna e ao sair na noite, os caçadores estavam na espera.

A enorme e bela gruta, existente há três quilômetros do distrito de Itapuca é aberta na rocha. O portal de acesso é de 30 metros de largura com altura irregular atingindo até 3,40 metros. A rocha lateral direita é de dez metros, e a do lado esquerdo é de aproximadamente 30 metros. A rocha superior que serve de teto atinge até três metros de altura. Jamais chegou-se a alcançar o ponto final da gruta, a rarefação de oxigênio impede que se tenha acesso livre. No alto da rocha, no lado esquerdo, jorra uma pequena cascata de água cristalina, quem atinge o portal de entrada.

Chegando ao local onde está situada a gruta se encontra um bosque com gramado, próprio para acampamento, como também salão de festa equipado. Desde o ponto de parada do carro até a descida a pé são aproximadamente 200 metros de percurso. Atualmente o caminho até a gruta tem 127 degraus.

No interior da gruta foi instalado um altar, dedicado à Virgem de Lourdes onde velas e flores são ali colocadas em gratidão dos devotos por graças alcançadas. Nossa Senhora de Lourdes está colocada em um nicho cavado na rocha.

 

 

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