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Aumento no valor dos maquinários e a falta de peças no mercado

Como isso pode influenciar no agro, que está vivendo um dos melhores momentos

Os produtores podem enfrentar dificuldades nas compras de equipamentos agrícolas, considerados essenciais para o manejo no campo, em especial na cultura de grãos, que está supervalorizada no mercado, tanto interno quanto externo. A espera pela aquisição de um equipamento agrícola, tanto maquinários novos quanto usados, pode ter uma lista de espera de até quatro meses.

De acordo com o empresário novalvoradense, Argemiro Tardeti, que está no ramo de compra e venda de maquinários agrícolas há mais de 40 anos, essa carência nunca havia sido vista antes. “Esse cenário incomum que tem se apresentado ao setor é devido à falta de máquinas na hora que veio a valorização da soja e isso gerou um desabastecimento ao setor. Nós já não temos muitas máquinas para oferecer aos clientes e a valorização de máquinas e peças pode chegar até 150%. Um trator, por exemplo, que custava na média de R$60 mil, hoje está saindo para o produtor por R$140 mil”, explica o empresário.

Uma matéria prima que impacta a produção de máquinas agrícolas e implementos é o aço. Com o aumento do preço e a escassez do produto no mercado houve redução na produção de maquinários. “Com o início da pandemia em 2020, todo o setor começou a sentir o desabastecimento, pois tudo parou, as indústrias reduziram a produção, houve a falta do aço e altos custos do produto, isso é uma reação em cadeia, pode-se dizer, onde cada setor foi acumulando, finalizando neste cenário que nos encontramos hoje”, continua Tardeti.

Argemiro Tardeti explica que em alguns momentos buscar equipamentos fora do Estado poderia ser uma alternativa viável, mas que neste momento, nem essa se tornou uma alternativa. “Nós estávamos comprando máquinas no Estado do Pará e deslocando até Nova Alvorada e hoje não compensa, pois a alta dos preços está atingindo outras regiões. Chegamos a trazer nove máquinas, como plantadeiras e garradeiras. Na época compensou a viagem e o frete, pois o importante é não deixar o produtor, o nosso cliente, sem o maquinário necessário para a sua produção”, fala.

A procura por manutenções e serviços de reposição de peças também está tendo uma elevação, pois com a falta de máquinas novas no mercado, a solução é renovar a frota antiga. “Os serviços de manutenções e reparos têm crescido nos últimos tempos, o que torna difícil em alguns momentos encontrar as peças para repor as antigas”, continua.

O proprietário revela que não acredita em uma estabilização do cenário apresentado até o momento, seja na demanda ou reajuste dos preços, para o mercado de equipamentos agrícolas. “Os estoques estão baixos nas montadoras e os produtores rurais não podem contar com um maquinário disponível rapidamente. Talvez alguns tenham que entrar em fila de espera para aquisição de máquinas novas ou usadas”, finaliza.

Produtores continuam investindo prevendo uma boa safra

Mesmo com o cenário que se apresenta, de alta nos preços e falta do maquinário no mercado, a família de Dilamar Ferreira Borges, produtores em Nova Alvorada, decidiu investir na aquisição de um novo equipamento para a propriedade. Segundo seu filho, Alisson Borges, o tempo entre as janelas das safras está cada vez mais curto e por isso há a necessidade de se trabalhar com um número maior de máquinas.

“Este ano plantamos cerca de 400 a 500 hectares e ainda terceirizamos uma parte do serviço, por isso apenas uma colheitadeira não iria dar vazão ao trabalho que precisa ser feito em um período tão curto. Surgiu não apenas a ideia, mas a necessidade de uma segunda máquina, pois precisamos colher no tempo certo e na hora certa”, explica Alisson.

Com as variações climáticas cada vez mais constantes, o risco de perdas na colheita se torna maior. “Com duas máquinas para realizar o trabalho vamos conseguir realizar a colheita de forma mais rápida, evitando as possíveis perdas devido às chuvas. Com esta máquina maior vai facilitar o nosso trabalho”, continua.

Apesar do aumento dos preços e falta do maquinário no mercado a expectativa para o novo investimento da família Borges é visto com bons olhos. “Com esse novo equipamento, além da agilidade no trabalho, ela diminui as perdas e quebra de grãos na hora da colheita, isso traz maior rendimento para a safra”, continua.

Alisson explica que eles compraram uma das últimas máquinas disponíveis no mercado. “Nós sabemos do desabastecimento do aço, da alta dos preços de maquinários e tudo foi muito analisado antes da aquisição. Notava-se a necessidade, mas com a valorização da soja, fica viável o investimento. Hoje 5 mil sacas de soja somam o valor de R$900 mil, que é o preço da máquina. Antes, no valor antigo, eram necessários 8 mil sacas de soja para somar R$500 mil, que era o preço antigo das máquinas”, finaliza.

Cooperativa Sicredi sempre ao lado do produtor

O gerente da agência Sicredi em Nova Alvorada, Luiz Locatelli, explica que a cooperativa está com as portas abertas para contribuir no que for necessário para o crescimento do agro e de seus associados.

“Quando o associado busca a linha de crédito para investir em máquinas é um prazer para a cooperativa fazer parte deste crescimento. Sabemos da alta nos preços e a escassez do mercado, mas o produtor rural está animado com a valorização do seu produto também”, explica o gerente.

Todos sabem os riscos que podem ocorrer, principalmente se houver queda nos preços e desvalorização dos produtos, mas Locatelli afirma que o cenário que se apresenta é de expectativas altas. “Quando um produtor rural nos procura para uma linha de crédito de investimentos, a cooperativa apresenta também o suporte, tirando dúvidas, auxiliando, buscando em conjunto fazer um negócio e uma parceria que seja de sucesso para todos. Por isso o associado pode sempre contar com a Sicredi”, fala.

A empresa SLC Máquinas, representante da John Deere no município de Casca, sente o desabastecimento do setor. O consultor Moisés Borba Reis confirma que a falta dos produtos no mercado está ocorrendo pela falta de matéria prima. “Por mais que os valores estejam um pouco mais elevados neste momento, acima do que se estava trabalhando há um tempo, se dá a falta do produto e na questão da pandemia, com a diminuição das produções. A demanda aquecida na procura dos produtos, aliada com a baixa produção e escassez do mesmo, trouxe a elevação nos preços. Se levarmos em consideração o valor pago pelo produto agrícola hoje, com o valor pago pelo maquinário, o valor ainda se equivale ao que seria no passado. A espera para um equipamento novo, hoje, na nossa loja é em média de 120 dias para entrega”, finaliza Moisés.

Gerente do Sicredi fala do apoio ao agricultor

Família Borges investe em um novo maquinário

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