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Cresce o número de golpes virtuais e estelionatários

Mesmo com o alerta das autoridades a população ainda sofre com as abordagens

Cada vez é maior o número de casos que as autoridades tomam conhecimento de golpes praticados por meio das redes sociais. Mesmo com os alertas, os golpistas estão se aperfeiçoando cada vez mais e as vítimas ainda sofrem danos materiais e psicológicos devido a essas ações.

Como alerta o sargento da Brigada Militar de Ilópolis, Mateus Kristoch, a maior parte dos golpes são por meio das redes sociais, como WhatsApp e Facebook. “Em dado momento é feito uma conta falsa, usando a foto de perfil de alguém conhecido, assim, entra-se em contato, informando a troca de número. Nessa conversa é mencionado que o amigo está com problemas no carro ou uma conta atrasada e solicita uma quantia em dinheiro como empréstimo, que no fim, acaba sendo apenas mais um golpe”, começa o sargento.

Além desses estelionatos, há quem faça depósitos com envelopes vazios ou com depósito programado, para fechar a compra de um bem. “Muitas vezes são as situações simples que geram grandes transtornos. Como fazer transferências bancárias falsas, pedir devolução por uma entrada na conta que não aconteceu realmente, apenas na transação programada depósitos de cheques sem fundos, envelopes vazios. É preciso estar atento a todas as transações, principalmente quando se trata de vendas de bens e entregar dinheiro para u desconhecido para fechar negócio”, fala Kristoch.

Autoridades reforçam que o melhor é manter o cuidado e atenção sempre

Os cuidados com as redes sociais devem ser rigorosos, como não aceitar pedidos de amizades de desconhecidos ou de perfis que não apresentam informações suficientes, não expor locais de trabalho ou escola dos filhos de forma pública. “É preciso manter o contato de pessoas conhecidas salvo e sempre que alguém entrar em contato dizendo que trocou de número, fazer contato com o antigo, solicitar um áudio de voz para confirmar a mudança, não aceitar estranhos em redes sociais, sempre ser precavido. É preciso estar atento ao recebimento de mensagens de desconhecidos, pois aqui na BM, chega ao nosso conhecimento diferentes casos de tentativas de golpes, então estamos orientando a comunidade neste sentido, de se prevenir”, explana o sargento.

O “golpe do nude” ainda faz vítimas

Mesmo sendo de conhecimento público, o golpe do “nude” ainda faz vítimas na nossa região. Ele consiste em um perfil falso em redes sociais que solicita amizade da vítima, geralmente são perfis de mulheres jovens atraentes, que iniciam uma conversa mais desinibida com a vítima, mandando e solicitando fotos.

Segundo o sargento Kristoch, a maior parte das vítimas desse golpe, são homens, muitas vezes casados. “Após a solicitação de amizade e criação de certo vínculo com a vítima, fotos íntimas são trocadas na esperança de alguma coisa possa surgir entre os dois. Após o envio das fotos é que começa a ser aplicado o golpe”, explica.

Após vítima entrar nesta conversa e enviar fotos intimas, é o momento em que “outra pessoa” assume as conversas, se passando por pai/responsável da jovem e em alguns casos até por um delegado de polícia.

Um homem da região, que prefere ter a sua identidade preservada, prestou ocorrência policial após desconfiar que estivesse sendo vítima de tentativa de extorsão. “Eu recebi uma solicitação de amizade no Facebook e a pessoa ficava me chamando e insistindo, pedindo contato de whats, pedindo para mandar fotos, me enviando fotos também. Eu ignorei, mas ela continuava insistindo”, explica a vítima.

Em determinado momento, mensagens de um suposto delegado começam a chegar para o alvo do golpe. “Eu fiquei nervoso, imagina acordar com mensagens de um delegado dizendo que você cometeu um crime? Mas eu sabia que não havia nada de mais, eu sabia que não tinha feito nada, mas foi tudo bem montado”, continua.

Ele conta que recebeu um vídeo onde a mãe da menor faz uma denuncia contra ele e a foto de uma intimação judicial. “É tudo feito para que você acredite no golpe deles. O delegado estava falando em crime, mas ele precisou trocar o plantão com o colega que daria segmento ao caso e continuaria conversando comigo. Quando caiu a ficha de que poderia ser um golpe, foi quando o segundo delegado começou a falar em dinheiro, em pagar para que eu não fosse exposto. Ele queria que eu depositasse o dinheiro no final de semana, fizesse uma transferência ou PIX, eu expliquei que não trabalhava com isso e ele falou para pedir para amigos ou parentes, havia muita insistência para que eu fizesse o depósito rapidamente”, fala a vítima.

“Eu continuei com a história de que não tinha todo o valor, que são R$4 mil e se eu poderia pagar metade no sábado e metade na segunda. O delegado disse que falaria com a família da suposta menor se eles aceitavam o parcelamento. Eu fui enrolando, deixando-os acreditarem que eu havia caído e faria o pagamento. Nesse momento fui informado pelo suposto delegado que a família aceitaria receber o dinheiro até segunda, às 10h”, conta.

Após coletar essas provas, a vítima buscou auxílio de uma advogada, que orientou quanto aos procedimentos a serem tomados. “Depois de ouvir minha história a advogada disse que já viu uns dez golpes parecidos com o meu aqui na região. Está cada vez mais fácil de acreditar, pois os golpistas buscam ser o mais verdadeiro possível, buscando informações na internet de casos reais, jogam com o psicológico, pressionam. Em um primeiro momento é muito verídico tudo que falam, as mensagens, é muito bem elaborado”, conta.

Orientado por sua advogada a vítima registrou um Boletim de Ocorrência, levando as provas que guardou. “Por mais bem montado que seja, nem todo crime é perfeito. Assusta em um primeiro momento, mas o alerta é que se você não fez nada de errado, a melhor coisa é denunciar e alertar a todos. Hoje é preciso desconfiar sempre, de pedido de amizade virtual, com o teor das conversas, por que por uma frase errada ou por uma foto, pode dar vazão para uma maior chantagem”, finaliza.

 

Uma das formas de se proteger nas redes sociais

São diferentes formas de abordagens para a aplicação de golpes virtuais, mas o objetivo é sempre o mesmo, roubar ou clonar contas de whatsApp para pedir dinheiro aos contatos da vítima.

Uma forma de proteção e recomendação de especialistas é ativar a confirmação em duas etapas, cadastrando um código de seis dígitos que é solicitado quando alguém tenta registrar o número de telefone no aplicativo. Entretanto os criminosos já têm criado formas de manipulação até mesmo para quem possui a proteção habilitada.

Acredita-se que idosos e pessoas com menos relacionamento com tecnologia estejam mais suscetíveis a se tornarem vitimas de golpes virtuais.

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