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Do erval para a cuia

 

Família Portella se dedica ao cultivo da erva mate e mantém viva as tradições gaúchas

Por Manoela Alves

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No dia 24 de abril de 2003 foi instituído, por meio da Lei Estadual 11.929, o Dia do Chimarrão e do Churrasco. A data foi escolhida em homenagem a fundação do primeiro Centro de Tradições Gaúchas, o 35 CTG, em 1948.

Considerado um dos principais símbolos da cultura gaúcha, por ser visto não apenas como uma bebida, mas um importante conector, o ato de se tomar um mate é um convite social, visto que a cuia é compartilhada, normalmente entre a família e amigos.

Para a família de Vanderlei Portella, esta tradição é levada muito a sério, a qualquer hora do dia o mate está pronto, fortalecendo os vínculos em casa.

Vanderlei é também produtor de erva-mate em sua propriedade na Linha Marmeleiro, interior de Nova Alvorada, e há mais de 20 anos trabalha com a cultura, vencendo as adversidades e não desanimando.

Quando ele conta um pouco de sua história, explica que seu pai, Adão Lima (in memorian), foi quem iniciou a produção que ele assumiu há mais de 25 anos, somando hoje 60 mil pés, que ele cuida junto ao seu braço direito, João Batista.

“Eu trabalhei por muitos anos como secretário de Obras aqui no município e após me aposentar decidi atuar mais de perto no cultivo da erva. O João Batista é meu braço direito e começou este erval comigo. Eu agora estou mais presente aqui, porque é o que eu gosto. Estar na lida com o erval, cuidar, roçar, isso me faz feliz. Além de ser uma herança do meu pai, eu não quero deixar isso acabar”, explana.

Vanderlei junto aos ervais que seu pai iniciou e ele segue cultivando

 

A família é a grande motivação

Portella conta que tudo que faz hoje é dedicado à sua família, sua esposa Rosane, sua filha Vanessa e suas duas netas, Ana Luiza e Mariana.

“Eu trabalho por elas, isso aqui eu quero que seja o futuro delas também. Eu sempre falo, aqui nada é teu, nada é meu, nós estamos apenas de passagem e daqui levamos apenas a família e os amigos. Hoje eu estou aqui neste lugar e vou cuidar dele da melhor forma possível. Quero ver crescer e gerar renda, garantir os estudos das minhas netas. O futuro a Deus pertence, mas enquanto eu puder e tiver forças, eu vou estar aqui, que é onde eu gosto”, declara o produtor.

Ele continua: “Eu sempre falo que a erva-mate não deixa ninguém rico, mas é uma cultura que sempre trará um rendimento. Tem seus altos e baixos, mas as pessoas nunca deixarão de tomar um chimarrão, eu, por exemplo, não passo um dia sem”, brinca ele.

Tomar um mate em família é a melhor parte do dia

Portella fala de sua rotina simples, quando passa algumas horas do dia em seu erval. “Eu não gosto de passar o tempo todo na cidade, eu gosto de estar aqui, pois é uma paz e um silêncio. E quando chego em casa já tem um mate pronto me esperando”, declara.

Ele gosta de estar junto à família e aproveitar seu tempo com as netas, sempre tomando um chimarrão. “Não tenho um horário para tomar um mate, pois sempre estamos com a cuia pronta. E se passar um dia sem tomar o meu chimarrão, posso dizer que não é um bom dia”, declara.

A tradição mesmo morando longe do Sul

Muitos gaúchos hoje vivem fora do país e longe de suas raízes tradicionalistas, por isso é preciso ser criativo e firme para manter os hábitos adquiridos junto as suas famílias. A novalvoradense Flavia Borelli transmite aos filhos, Gabriel e Antônia, o hábito de tomar um chimarrão, assim como aprendeu com seus pais na infância.

Morando no Chile há 18 anos, ela consegue manter os filhos ligados à cultura por meio deste símbolo gaúcho. “O Gabriel veio para o Chile ainda pequeno, mas já trouxe consigo o hábito, pois foi acostumado junto aos tios e avós. Aqui ele deu continuidade e toma todos os dias. A Antônia, que nasceu aqui, aprendeu muito cedo comigo e o irmão. Ela gosta muito e criou o hábito também”, declara.

Flávia é casada com o chileno Orlando Mauricio Duran Acevedo, que também a acompanha nos finais de semana para tomar um mate. “Eu e o Gabriel tomamos mais, durante a quarentena tomávamos todos os dias, em família. Agora o Gabriel toma todos os dias, e eu mais nos fins de semana com a Antônia e o Mauricio”, explica.

Para Flavia, o chimarrão é uma forma de se manter ligada ao Rio Grande do Sul e a sua família, pois mesmo distante fisicamente é uma forma de fortalecer vínculos.

“O mate reúne tudo que há de bom, ele nos identifica em qualquer lugar do mundo. Ele convida a compartilhar, criar momentos e conversar, tudo isso nos faz recordar da nossa terra, da família, amigos e aqueles que amamos”, continua.

Uma das dificuldades que a família encontra é adquirir uma erva-mate de qualidade para chimarrão. “Durante muito tempo para conseguir erva para o nosso chimarrão, dependíamos das visitas que recebíamos ou quando viajávamos ao Brasil, daí sempre trazíamos junto. Há dois anos temos a erva-mate Rei Verde que chega até aqui”, conta Flavia.

“A erva que consumimos aqui é de boa qualidade, mas o valor é elevado, é equivalente a R$55 por quilo”.

Flavia encerra declarando que o chimarrão é sempre uma forma que lhe deixa mais próxima a sua terra. “Nós somos fieis ao chimarrão, já que ele atua como um elemento que integra, estabelece e fortalece vínculos. Além de que ele facilita a integração de diversos países da América Latina, incluindo o Chile”, finaliza.

Passeios em família no Chile acompanhados de um mate
Desde cedo a gaúcha ensina os hábitos à filha caçula

 

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