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Formação de futuros profissionais pode estar comprometida

Baixa procura pelo magistério e por cursos voltados para a área educacional preocupa

Por Oneide M. Duarte

 

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O fato de que os professores são a base da formação profissional de uma sociedade não é novidade para ninguém, nem por isso estes profissionais foram ou estão sendo valorizados da forma como merecem pela sociedade e pelo Poder Público.

A falta de valorização e reconhecimento é tanta que há uma evasão considerável dos cursos que formam profissionais que atuam na área educacional e com isso, um processo de decadência da profissionalização de diversos elementos da sociedade, o que já vem repercutindo de forma severa junto às empresas e departamentos públicos. Em diversas regiões há falta de profissionais nas mais diversas áreas.

Atualmente, no Instituto Estadual de Educação Felipe Roman Ros, uma das seis escolas da 25ª Coordenadoria Regional de Educação com sede em Soledade, apenas 16 alunos estão cursando o segundo ano do Curso Normal e oito alunas estão no terceiro ano do Curso Normal. “Percebemos uma queda, pois no ano passado não tínhamos o terceiro ano e esse ano não temos o primeiro ano. Em 2020, 22 alunos foram matriculados no primeiro ano do Curso Normal e hoje apenas oito alunas estão no terceiro ano deste curso”, explica a diretora Marcia Dorigon Caron.

Marcia, que já acumula 32 anos de profissão, acredita que uma das causas da baixa procura é a pouca divulgação do curso e a baixa valorização da profissão. “O problema da baixa procura pelo Curso Normal não é pontual da nossa escola, mas sim geral. Acredito que entra a questão da pouca divulgação, o direcionamento da sociedade brasileira com relação à educação e o fator salário que, muitas vezes, é apresentado como desmotivador”, afirma a diretora.

Ela acrescenta que o curso sempre se inova, trazendo novas formas de ensino, e vem se revitalizando a cada ano. “Estamos com a proposta de, ao final do ano, visitar as escolas que têm nonos anos para divulgar nosso curso, além disso, os espaços estão sempre sendo revitalizados com o trabalho das professoras e a realização de novos projetos. Os alunos do Curso Normal estão bem entusiasmados com o curso. Ser professor para quem gosta é muito prazeroso, e a sociedade depois de dois anos de pandemia pôde perceber muito mais a falta que a escola faz, a falta do aluno estar na escola, embora a gente saiba que antes da pandemia também tínhamos lacunas no espaço escolar, e que foram acentuadas sem a escola” diz.

Marcia lamenta que poucos alunos procuram o Curso Normal. A maioria dos alunos procura outras profissões. A grande mídia acaba desenhando um modelo de profissional que deva buscar mais a aparência em detrimento da inteligência. “A grande mídia hoje, desenha um perfil profissional, no qual para ser importante é preciso lidar com a questão estética e a alta remuneração, sendo que, em muitos casos, os próprios alunos dizem que outras profissões mais braçais acabam compensando mais financeiramente, como é o caso de pedreiro, por exemplo”, cita a diretora.

A diretora explica que hoje os alunos do Curso Normal são todos de Arvorezinha, porém, em outros tempos alunos de municípios próximos frequentavam o curso. “Já tivemos alunos de Ilópolis, Putinga, Anta Gorda e até de Nova Alvorada, mas hoje somente alunos de Arvorezinha fazem o curso”, diz a diretora, que ao mesmo tempo comemora o fato de duas alunas, hoje, estarem fazendo estágio em duas escolas do Município.

 

Novas formas de ensino

Para o diretor do Campus da UPF Soledade, Idionei de Oliveira, é perceptível a queda na procura pelo curso de pedagogia nos últimos tempos, principalmente nos últimos dois anos, que ele acredita ter sido em função da pandemia. “Isso tem nos preocupado”, diz Oliveira. Porém, ele destaca que a universidade vem trabalhando num processo bastante diferente na formação de professores, com o intuito de atrair novos alunos. O diretor enfatiza que hoje a universidade, pensando em facilitar a vida do aluno, oferece aulas em três modalidades. “Nós tínhamos a oferta de cursos totalmente presenciais e ele está sendo proposto de uma forma diferente, que é uma forma hibrida, onde a UPF oferece uma dinâmica diferente em alguns cursos. Então, o aluno pode optar pela modalidade presencial, a modalidade EAD e a UPF traz agora uma ideia diferente, que é a formação hibrida”, diz o diretor.

Ele explica que a modalidade consiste em uma possibilidade a mais do aluno fazer sua graduação tendo praticamente os três formatos com aula EAD, aula presencial e a aula online síncrona, ou seja, onde o aluno pode acompanhar a aula pelo computador, mas com a presença de um professor. “Essas são as inovações que a UPF vem fazendo para atrair os alunos”, diz Idionei Oliveira.

A iniciativa da universidade tem o objetivo de atrair e facilitar o acesso ao aluno, tendo em vista que todas as universidades do Brasil têm sentido o impacto da falta de interesse de alunos por uma formação de nível técnico ou superior.

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