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“No momento que fechar suas portas, o hospital nunca mais será reaberto”

Frase é da presidente da Associação Hospitalar Padre Hermínio Catelli, Sandra Bresciani, sobre a situação financeira da casa de saúde

A situação financeira do hospital Padre Hermínio Catelli, de Anta Gorda, estará em pauta na noite desta segunda-feira, 7 de fevereiro, em reunião urgente convocada pela direção da casa de saúde com os empresários locais. O encontro ocorre às 19h30min no auditório do Posto de Saúde. Representantes dos poderes Executivo e Legislativo também devem se fazer presentes.

A presidente da Associação Hospitalar Padre Hermínio Catelli, Sandra Bresciani, que em setembro completa quatro anos à frente da casa de saúde, destaca: “Convocamos por meio da CIC/CDL os empresários da comunidade, assim como a Administração Municipal, Câmara de Vereadores e Secretaria da Saúde para fazer uma explanação de como se encontra o nosso hospital. Quando assumimos a casa de saúde, por não sermos do ramo, não tínhamos a noção da responsabilidade e das exigências que teríamos. Não sei nem como chegamos até aqui tendo em vista a situação que o hospital estava na época”, disse.

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O início da revolução

Sandra recorda que além de não ter os alvarás necessários, o único plano de saúde ao qual o hospital era credenciado era o PAS. “Hoje, além do PAS temos Unimed, Ipe, Cabergs, convênios SUS e particular. Ainda, em 19 dias após assumirmos conseguimos liberar a esterilização dos materiais cirúrgicos e de ambulatório no hospital, sendo que antes isso era feito em Porto Alegre. Isso foi patrocinado pela empresa Diamaju”, destaca.

Ela ainda ressalta as emendas conquistadas. “De lá para cá também conseguimos uma emenda graças a ex-vereadora Maristela Dametto, que na época conquistou uma emenda com o deputado Giovani Feltes de R$ 147 mil, oportunidade na qual o hospital conseguiu respirar e manter suas portas abertas, frisando que quando assumimos, o faturamento da casa de saúde era de R$ 20 mil por mês”, revela.

Ela segue: “Logo em seguida recebemos uma emenda de R$ 130 mil do Ministério da Saúde, em razão da Covid-19, e com esse valor conseguimos comprar o aparelho digitalizador do raio x, pois o nosso ainda era analógico. Também recebemos uma emenda do deputado Nereu Crispim com a qual foi possível reformar os quartos SUS, fazendo uma melhor divisão dos femininos e masculinos”, pontua.

Segundo Sandra, com as emendas recebidas a direção deixava de usar para a compra de oxigênio, farmácia e alimentação (quando estes não eram necessários) e guardava os valores para realizar as reformas, em razão dos apontamentos da fiscalização. “Precisamos fazer toda a mobília do ambulatório e da lavanderia nova. Inclusive, precisamos compra um aparelho digital para a lavagem das roupas por exigência da 16ª coordenadoria, além de outras adequações”, disse.

Ela destaca ainda outras conquistas da atual direção. “Nós ganhamos as placas solares da RGE em parceria com a CPFL no valor de R$ 141 mil, e na semana retrasada ganhamos 315 lâmpadas led, no valor de R$ 46 mil”, comemora. “Por outro lado, nós gastamos somente com o alvará do raio x, que desde 2017 o hospital não tinha, mais de R$ 10 mil, ressaltando que tivemos um prazo de 15 dias para fazer as adequações necessárias. Graças a Deus na semana retrasa recebemos em definitivo o alvará”, salienta.

“Ainda agradeço ao SICOOB que, na semana passada nos repassou R$ 3 mil, e ao Sicredi que irá nos repassar R$ 10 mil nessa semana. Essa ajuda é muito importante, pois mesmo o Poder Público nos repassando R$ 97 mil mensais, entre médicos e funcionários a folha de pagamento do hospital é de R$ 130 mil. Cabe frisar que ainda estamos com nosso quadro abaixo do que a lei permite, mas não temos como colocar mais gente pelo volume de atendimento que temos. Ainda, em agosto nossos profissionais estavam recebendo 20% de insalubridade, enquanto regiões vizinhas estavam pagando 40%, por isso precisamos nos igualar, principalmente em função da Covid-19. Foi aí que se onerou a folha de pagamento”, revelou ao acrescentar: “Desde o ano passado pagamos férias e 13º dos funcionários em dia, mas hoje por exemplo, não conseguimos dar férias porque não temos como pagar por elas.”

De acordo com Sandra, até dezembro de 2017 o hospital recebia do SUS conforme a produção. “Tinha mês que recebíamos R$ 34 mil. Mas agora, com a pandemia. tínhamos pacientes que saiam do hospital com uma conta de R$ 15 mil e nós recebíamos apenas R$ 1,5 mil de repasse do SUS. Desta forma não existe empresa que consegue se manter se não for com a ajuda da população. Graças a Deus Anta Gorda é um município com pessoas solidárias e no auge da pandemia tivemos muitos empresários e vereadores que também fizeram doações”, lembra.

Ela finaliza: “E esse é o apelo que fizemos novamente à comunidade, pois no momento que fechar suas portas, o hospital nunca mais será reaberto. Essa é uma responsabilidade de todos. É aqui que é feito o primeiro atendimento e depois se necessário nós encaminhamos. A população precisa estar ciente disso. Toda ajuda é bem-vinda”, encerrou.

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