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Número de casos de câncer preocupa autoridades de saúde

A cada dia se vê um número maior de casos, sendo que os de mama e próstata estão entre os mais registrados

Por Fabiana Borelli

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) aponta que no Brasil, a estimativa é de que ocorrerão 625 mil casos novos de câncer por ano. A pesquisa levou em consideração o triênio 2020/2022. O diagnóstico precoce destes casos certamente tem potencial de oferecer grande impacto no aumento das taxas de cura.

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Todos os cânceres são causados por alterações nos genes, quando os genes estão danificados podem aparecer alterações conhecidas como mutações, que fazem as células crescerem de maneira descontrolada, causando o câncer. Entretanto, uma pequena parcela de cerca de 10 a 15% dos casos de câncer tem como causa principal uma mutação genética, que é herdada de um dos pais, o que se denomina como câncer hereditário. No Rio Grande do Sul, de acordo com a estimativa do INCA, 138 mil novos casos deverão ser diagnosticados no final do triênio 2020-2022.

Casos de maior incidência

No Brasil, os casos de câncer de maior incidência entre os homens estão o de próstata, cólon e reto; de traqueia, brônquio e pulmão; e estômago. Já entre as mulheres os mais frequentes são o de mama feminina; cólon e reto; colo do útero; traqueia; brônquio e pulmão.

Dentre esses tipos, a taxa de maior mortalidade entre os homens é o de traqueia, brônquios e pulmões, e entre as mulheres o de mama.

Casos de câncer na região

Nos municípios de atuação do Eco Regional os pacientes que estão em tratamento oncológico ou em manutenção do tratamento somam 183, entre os municípios que informaram o número de casos.

Os dados foram fornecidos pelas Secretarias de Saúde dos Municípios de Camargo, Doutor Ricardo, Fontoura Xavier, Ilópolis, Itapuca, Nova Alvorada, e Putinga. O Município de Arvorezinha respondeu que não tem indicador para calcular os casos, visto que não são todos que são atendidos pelo SUS.  A Secretaria de Saúde de Anta Gorda não respondeu o e-mail enviado solicitando as informações.

Segundo as informações fornecidas pelos Municípios, os cânceres de próstata, de mama e de pele estão entre os que apresentam o maior número de casos.  Sendo que Fontoura Xavier é onde tem o maior número de pacientes oncológicos, com 74 pacientes em tratamento ou em fase de diagnóstico.

Preocupação e prevenção

Secretário de Saúde de Fontoura Xavier se diz preocupado com os casos de câncer no município

O secretário de Saúde de Fontoura Xavier, Eduardo Souza Santos, afirma estar preocupado com o elevado número de pacientes oncológicos, e ressalta que a prevenção é importantíssima. “Claro que nos preocupa esse elevado número de casos, e procuramos sempre orientar a nossa população sobre a prevenção, fazemos as campanhas e podemos afirmar que a participação é muito boa, tanto no Outubro Rosa como no Novembro Azul, e mesmo assim o câncer de próstata e o de mama são os que mais têm casos”.

Ele completa: “Outro tipo que chama atenção aqui no município é o câncer de pele, com sete casos. Então é importante que as pessoas se conscientizem que é fundamental o uso do protetor solar e dos cuidados com a pele”.

Segundo o secretário, os pacientes oncológicos têm todo o apoio para o tratamento. “Diariamente levamos os pacientes para o tratamento nos hospitais de referência, eles são levados de carro, pois o sistema imunológico deles é mais frágil, e nas vans vão muitas pessoas. Então para evitar mais problemas eles vão de carro, terminam o tratamento e retornam”.

Ilópolis tem aproximadamente 25 pacientes em tratamento. A técnica de enfermagem Cleimara Rosset, que é responsável pelos agendamentos de consultas e exames, ressalta que os pacientes têm todo o apoio da Secretaria de Saúde no tratamento. “Aqui praticamente não temos lista de espera para o tratamento, temos apenas uma espera de cinco casos para o câncer de pele, cabeça e pescoço. Nossa referência é Lajeado, e fornecemos o transporte duas vezes ao dia, se necessário também o transporte individual”.

Cleimara Rosset é a responsável pelos agendamentos e acompanha o andamento do tratamento dos pacientes oncológicos

Ela acrescenta: “Temos também a Associação de Apoio a Pessoas com Câncer (AApecan) que ajuda com alimentação, medicação e nutrição, também encaminhamos os que necessitam de fraldas e medicação, damos todo o suporte necessário”.

Força para encarar o tratamento

O tratamento do câncer é difícil e muitas vezes doloroso, com efeitos colaterais na quimioterapia que podem ser queda de cabelo, diarreia, feridas na boca, náuseas e vômitos, pele sensível e até mesmo infertilidade.

Para enfrentar esse tratamento é fundamental que o paciente tenha apoio de familiares e amigos, mas fundamentalmente é necessário ter força mental e nunca perder a esperança. Um exemplo de força, esperança e fé é a ilopolitana, Marilete Cristovão, que acaba de encerrar o tratamento de um carcinoma no colo do útero.

Ela conta que em nenhum momento se deixou abater com a doença. “Desde 2014 eu faço acompanhamento após fazer uma conização no útero no Hospital Conceição, de Porto Alegre. No ano passado, em julho, fiz um exame citopatológico e apresentou uma alteração, então marcamos um procedimento com a equipe de Porto Alegre, mas ao chegar lá eles me falaram que não poderia fazer o procedimento. E no outro dia me deram a notícia de que eu estava com o câncer. No momento eu me revoltei e questionei a eles o que tinham feito durante todo esse tempo, então me disseram que era recente”.

Ela continua: “Após essa conversa procurei me acalmar e enfrentar o tratamento de cabeça erguida, nunca me vi como doente, entendi que precisava ficar forte”.

Ela conta que o tratamento demorou um pouco mais para iniciar porque estava se tratando com médicos de Porto Alegre, que não é a referência de Ilópolis. “A referência da oncologia de Ilópolis é Lajeado, então procurei a Secretaria de Saúde e na hora a Cleimara ligou para Lajeado, marcou uma consulta, e em oito dias mais ou menos eu fui fazer essa consulta em Lajeado.  Chegando lá fiz todos os exames novamente, confirmando o diagnóstico, e daí começou a batalha do tratamento”.

Mari, como gosta de ser chamada, reside sozinha em Ilópolis, seus filhos moram em Porto Alegre e Passo Fundo. Mas ela conta que nunca se sentiu sozinha durante o tratamento. “Mesmo de longe, meus filhos me davam apoio, meus amigos sempre estiveram comigo, mais do que isso, Deus sempre esteve ao meu lado, eu sempre tive muita fé, sabia que ele poderia me salvar, que iria iluminar os médicos que cuidavam de mim. E hoje estou aqui, me sinto grata, estou curada e mais forte”.

Sempre positiva e com fé na sua cura, Mari conta que dizia durante o seu tratamento que não se sentia doente. “Eu falava na oncologia que na minha mente, no meu coração, eu não me via com câncer, com aquele problema que surgiu em mim. Eu falava, eu sei que eu estou, que eu tenho esse problema porque apareceu num exame, mas na minha mente e no meu corpo não”.

Ela finaliza: “Eu levei esse meu problema de uma forma muito tranquila, sabia que tinha que fazer de tratamento, logo no início aquela revolta, o medo de perder os cabelos, mas tudo foi muito tranquilo, muito sereno, não tive nada sintomas. Hoje estou curada, preciso apenas fazer acompanhamento, e posso dizer que a minha fé e o meu otimismo me curaram”.

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