Essa matéria é exclusiva para assinantes do jornal digital.

Já sou assinante do jornal digital!

InícioDestaqueOitivas do caso Paula Perim Portes foram suspensas sem ouvir os réus

Oitivas do caso Paula Perim Portes foram suspensas sem ouvir os réus

Advogados de defesa abandonaram o plenário na manhã de quinta-feira e a sessão foi suspensa

A audiência para a oitiva de testemunhas e dos réus do caso Paula Perin Portes iniciou na terça-feira, 10 de agosto, estendendo-se até a quinta-feira pela manhã, quando a sessão foi suspensa.

A audiência foi conduzida pelo juiz José Pedro Guimarães, e foram ouvidas as testemunhas de acusação. Na tarde da última quinta-feira, 12, seriam ouvidas as testemunhas de defesa, e na sexta-feira, 13, os quatro réus do processo. Porém, após os advogados de defesa abandonarem o plenário na manhã de quinta-feira, a audiência foi suspensa.

Instrução

A advogada da família de Paula, Salete Canello, explica que essas audiências são de instrução e afirma que há expectativa pelo depoimento dos réus. “A instrução iniciou no dia 10 com a oitiva das testemunhas de acusação e está se estendeu até a manhã do dia 12. A partir da tarde, estava prevista a oitiva das testemunhas de defesa e na sexta-feira, os interrogatórios dos réus. Até agora os fatos estão se confirmando de acordo com o apurado no Inquérito Policial, pelo menos até o presente momento. Poderá surgir algum fato novo com a oitiva das testemunhas de defesa e interrogatório dos réus”.

Ela salienta: “O interrogatório dos réus é um momento importante que poderá trazer alguns esclarecimentos de como os fatos ocorreram nas suas versões, poderá haver negativa de autoria, confissão, delação, enfim, estamos na expectativa do depoimento de todos os envolvidos”.

 Sequência do processo

Após as audiências de instrução alguns outros trâmites do processo serão cumpridos antes da sentença de pronúncia ou de absolvição. “Algumas diligências serão postuladas pelas partes e por fim serão apresentadas as alegações finais da acusação e das defesas, para que seja proferida a sentença”, afirma Salete.

Quanto ao julgamento, a advogada afirma que não se sabe quanto tempo vai demorar para acontecer. “Não há previsão para a realização do julgamento, uma vez que se trata de processo extremamente complexo. Somente ao final da instrução probatória e as demais diligências é que poderemos ter uma previsão de julgamento”.

 Família

A família de Paula acompanhou as audiências. A advogada reforça a expectativa por parte da família de que os réus sejam submetidos ao Tribunal do Júri. “A família tem a expectativa de que ao final dos trabalhos e com o processo findo, a sentença seja de pronúncia para que sejam levados a julgamento pelo Tribunal do Júri”.

 Suspensão da audiência 

Durante uma entrevista a uma rádio local, o juiz José Pedro Guimarães explicou os motivos que levaram a suspenção da audiência. “Houveram pedidos das defesas técnicas de alguns dos acusados, para a realização de diligências instrutórias, que segundo eles deveria preceder a continuidade das oitivas das testemunhas. Então, a sessão foi suspensa para que os assistentes de acusação e o Ministério Público se manifestem, e provavelmente na segunda ou terça-feira vou decidir essas questões, se serão procedentes ou não, e decidindo já vou determinar ou não o reinicio da instrução”.

Defesa

O Eco Regional entrou em contato com o advogado de defesa Manoel Castanheira, mas ele preferiu não se manifestar. Mas em uma entrevista a uma rádio local, comentou sobre a audiência de instrução e os acontecimentos de quinta-feira. “Desde o início do processo essa defesa está atenta a todos os fatos que permeiam a investigação policial, e inclusive fizemos uma investigação paralela, que nos mostrasse questões que poderiam vir para o processo nessa premissa da verdade real. Tivemos uma informação que havia um diálogo entre a presidente do inquérito e uma pessoa que chegou a ser acusada, e de repente passou a ser testemunha de acusação, ele deu cinco depoimentos contraditórios. Nós conseguimos um print de tela que mostra a conversa dessa testemunha e a delegada, e a testemunha confirmou as mensagens”.

Ele seguiu dizendo: “Para a defesa, esse depoimento tem um vício de origem, pois é contraditório”.

O advogado afirmou que ainda busca a verdade dos fatos. “Não é uma questão de nulidade do inquérito, o que eu quero é trazer a verdade, pois a verdade do inquérito não é absoluta”.

Acusação à delegada Fabiane

O advogado de alguns dos réus, Marco Mejia, acusou a delegada Fabiane Bitencourt de práticas ilegais durante o inquérito. “Soledade não merece uma delegada como essa, não merece uma delegada que inverte provas, a vítima merecia uma investigação melhor. Ao meu ver essas prisões são irregulares, pautadas por um inquérito conduzido por uma delegada que cometeu ações em beneficio próprio. O inquérito a nosso ver é nulo”.

Ação de calúnia

A delegada comentou em entrevista coletiva sobre as declarações do advogado. “Nesta manhã fui surpreendida por uma entrevista de um advogado de Lajeado que representa alguns dos acusados no caso do homicídio da Paula. Foi uma entrevista muito desagradável que imputou inclusive práticas criminosas à minha pessoa e autoridade policial que sou, inclusive na condução da investigação, situações inverídicas e que não vamos deixar passar em branco, pois são afirmações mentirosas e que procuram macular todo um trabalho de investigação que foi realizado”.

Fabiane fala sobre a condução do inquérito e afirma que todo ele foi conduzido de forma legal e transparente. “Este foi um crime extremamente grave que a elucidação foi difícil, mas chegamos ao final com a identificação e prisão de todos os autores do crime. Sendo que as prisões foram decretadas pelo Poder Judiciário e referendado pelo Ministério Público, prisões essas que não foram pautadas por impressões da Polícia Civil, mas por provas produzidas dentro da investigação, que foi correta e verdadeira”.

E mais uma vez salientou que o inquérito não tem vícios. “O inquérito não foi feito de forma irregular, temos muitas provas, fizemos um trabalho sério e qualificado. Mas, realmente se percebe que quando a investigação está bem feita, e não há argumentos, a defesa procura bater nas instituições e no trabalho policial, isso tem sido uma praxe na nossa região e jamais iremos permitir que nenhum advogado macule a imagem da polícia”.

As acusações, segundo a delegada, são totalmente inverídicas e serão cobradas na justiça. “Estou aqui hoje para repudiar essas manifestações, que são graves, que afirmam que atuei na investigação com interesse pessoal, não sei que interesse pessoal, pois ele não falou. No momento que ele faz essa afirmação está cometendo uma calúnia. Já contatei a Associação dos Delegados de Polícia e vamos ingressar com uma ação judicial contra essas alegações, que me desqualificam pessoalmente, profissionalmente e nos imputam ações criminosas, eu não sou criminosa, sou uma delegada de polícia e atuo dentro da lei, buscando a verdade dos fatos, diferentemente da defesa que busca uma verdade que favorece o seus clientes”.

Quanto à acusação do advogado, que a polícia estava na audiência a seu pedido, Fabiane mais uma vez esclarece a situação.  “A Polícia Civil esteve presente em toda a audiência de instrução por um pedido do Poder Judiciário, para a proteção do ambiente de audiência. Não foi a delegada que plantou policiais para ser informada dos fatos, jamais faria isso, pois não é o meu perfil, eu atuo de forma correta. Realizamos nosso serviço de Estado, protegendo a todos, inclusive os advogados e os réus”.

Para finalizar, Fabiane repudiou as afirmações do advogado. “O advogado é de fora e provavelmente não conhece a nossa realidade, felizmente temos crédito com a comunidade, pois eles sabem que sempre buscamos a justiça. Ele chegou a dizer que nunca viu uma situação como essa em lugar nenhum do País, que Soledade não merecia uma delegada como eu, então Soledade merece bandido, vagabundo e homicida? Acredito que não, então o advogado está equivocado e mal informado”.

Nota oficial

A Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul emitiu uma nota oficial de apoio à delegada Fabiane.

Veja a nota na íntegra: NOTA OFICIAL ASDEP sobre Del. Fabiane, de Soledade, agosto de 2021 (1)

 

 

Deixe uma resposta

Digite seu comentário
Por favor, informe seu nome

SIGA-NOS

42,064FãsCurtir
11,807SeguidoresSeguir
1,140InscritosInscrever

ÚLTIMAS

error: Alerta: Conteúdo protegido contra cópia. Utilize nossos botões de compartilhar.