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Os desafios do setor leiteiro

Alto custo de produção preocupa produtor de Miguelzinho Baixo

Por Oneide M. Duarte

Empregando cerca de 2 milhões de brasileiros, o setor lácteo tem grande importância não só na pecuária como no agronegócio brasileiro, movimentando a economia e desenvolvendo as comunidades onde está inserida.

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Porém, custos como da energia e dos combustíveis, dos insumos, da mão de obra e das intempéries climáticas, tem desestimulado muitos produtores a continuarem no ramo. Considerando que milho e soja, usados na base da alimentação dos animais são commodities, cotados em dólar, a cotação atual da moeda americana tem preocupado os produtores. Porém, nesta semana custando abaixo dos R$ 5,00, abre-se uma, janela interessante para compra dos insumos.

O número de produtores de leite em atividade no Rio Grande do Sul caiu 52,28% de 2015 para 2021. Em contrapartida, a queda de produção foi de apenas 3,15%. Os dados são do Relatório da Cadeira Produtiva de Leite de 2021.

Mas nem todos pensam em desistir. Edmir Dani de 52 anos morador da localidade de Miguelzinho Baixo, conta que atua no ramo há mais de 25 anos, e confirma que nos últimos tempos os desafios têm sido cada vez maiores para poder se manter na atividade. “Me lembro que o setor leiteiro já foi muito rentável para nós do campo, onde o preço do insumo era baixo, onde o clima colaborava, onde antigamente, o preço do insumo custava em média R$ 0,70 a menos que o litro de leite, pago para nós, porém hoje inverteu essa conta” diz o produtor, que cria seus animais soltos no pasto, porém incrementa na alimentação a ração e os demais insumos.

Edmir que atualmente têm 31 vacas leiteiras, explica que nem sempre todas estão em condições de produzir leite, haja vista que geralmente algumas estão prenhas, reduzindo desta forma a produção da propriedade. “Das 31 vacas, em média 18 produzem leite, chegando a uma média diária de 20 litros por animal”, diz o produtor.

Dani que trabalha somente com vacas holandesas, explica que o valor pago pelas empresas é conforme a produção de cada produtor, “ ou seja, quem produz mais e com qualidade, ganha mais”, diz.

Graças aos avanços da tecnologia, hoje o produtor lembra os tempos em que o trabalho era manual e mais pesado. “Comecei com tarros de 30 litros, mas hoje o caminhão vem, encosta a bomba no tanque e faz o carregamento, tudo mecanizado, se percebe a diminuição dos produtores, mas aumentou a produção, graças aos investimentos tecnológicos que a gente faz”, explica.

Porém, ele salienta que tudo isso tem um custo, o investimento necessário para entrar nas normas sanitárias “é muitas vezes alto”, acrescenta.

Mesmo com todos os desafios e preocupações, o produtor se diz apaixonado pela profissão. Ele conta com a ajuda dos filhos, de 17 e 18 anos, porém lamenta não ter final de semana e nem dia de descanso. “Nós aqui trabalhamos direto, sem final de semana ou dia santo”, finaliza.

Animais da raça Holandesa se alimentam do pasto disponível na propriedade, porém são acrescidos outros insumos na alimentação.

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