Essa matéria é exclusiva para assinantes do jornal digital.

Já sou assinante do jornal digital!

InícioMunicípiosAnta GordaProdutores e indústrias preveem safra reduzida em comparação a do ano passado

Produtores e indústrias preveem safra reduzida em comparação a do ano passado

Por Rose Piccinini

Ao contrário de 2021, onde o Rio Grande do Sul registrou a maior safra de noz-pecan da história, neste ano, a expectativa é de que a colheita seja abaixo da média. O principal fator que levou à redução da safra foi o longo período de estiagem, que prejudicou, e muito, os pomares da região.

O produtor rural Ademir Roque Andreolli, que reside na comunidade de Linha Quarta, em Anta Gorda, possui 500 nogueiras. O pomar está situado na Linha Quinta. “Trabalho com nogueiras pecan há 14 anos, sendo que a última safra foi muito boa. Colhi 9,5 mil quilos de nozes”, relata ao fazer uma estimativa da colheita para esse ano. “Neste ano devo ter uma safra abaixo da média, com uma colheita que deve variar 500 e 1 mil quilos”, lamenta ele que conta com o auxílio para o cultivo, da filha Talita Andreolli, que está cursando Agronomia, e do técnico da empresa Sommar, Ezequiel Potrich.

- Advertisement -

Andreolli revela que no momento não possui um comprador fixo e destaca: “A cadeia produtiva da noz-pecan tem muita tecnologia hoje, que precisa ser aplicada, para que o fruto seco volte a ter um preço comercial maior, garantindo maior renda para os produtores”, salientou.

 

Produção gaúcha de noz-pecan ficará em torno de 4,2 mil toneladas

Na safra 2022, estima-se que a produção ficará ao redor de 4,2 mil toneladas de noz-pecã no Rio Grande do Sul. O volume é cerca de 20% menor do que o colhido no ano passado. Atualmente, há cerca de 6,6 mil hectares cultivados com nogueiras-pecã em diferentes regiões, fazendo do Rio Grande do Sul o Estado com a maior área implantada no país. Do total, 4 mil hectares de árvores encontram-se em idade produtiva.

A maior concentração da pecanicultura ocorre na Depressão Central e no Vale do Taquari, sendo que os dez maiores produtores, em ordem, são: Cachoeira do Sul, Anta Gorda, Sananduva, Taquari, Rio Pardo, Canguçu, Garruchos, Catuípe, General Câmara e Encantado.

O que dizem as indústrias

Anta Gorda, como visto, é o segundo maior município produtor de noz-pecan do Rio Grande do Sul. É o município também, onde está inserida uma das maiores industrias de nozes da região, a Pitol, que está no mercado e na produção de mudas há mais de 50 anos. São diversos os produtos e serviços oferecidos pela empresa, para tanto, criou-se o Grupo Pitol, que engloba os viveiros, assessoria rural, produtos alimentícios e também cosméticos à base noz-pecan.

O proprietário da empresa, Leandro Pitol, questionado sobre sua perspectiva de safra para este ano, comparada a de 2021, frisou: “A safra de 2021 foi, sem dúvidas, a maior safra de nozes de todos os tempos, mas a qualidade das nozes não foi das melhores, pois com a supersafra os frutos não tiveram um bom desenvolvimento e automaticamente a porcentagem de amêndoas não foi das melhores”, disse. “Já a expectativa para 2022 é uma safra com menor quantidade no nosso município, mas provavelmente os frutos serão de melhor qualidade e maior preenchimento de amêndoas tendo um rendimento melhor que a safra anterior”, avalia.

Em relação ao preço pago na safra passada, Pitol enfatiza que ficou em torno de R$ 8 a R$ 12 ao quilo, dependendo do rendimento de amêndoa e umidade do fruto. “A expectativa para a safra desse ano é que o preço até melhore, desde que, o mercado volte a aquecer, pois está bem devagar não só se tratando de nozes, mas de maneira geral. A tendência é que o mercado volte a subir e automaticamente o comércio de nozes comece a rodar”, pontua ao revelar que a Pitol começou a colheita das nozes no início de maio e deve seguir até o início de junho.

“É importante salientar que não são todas as nozes que tem o mesmo valor. Hoje no mercado tem 20% das nozes em condições de exportação, por exemplo. Por isso existe bastante diferença de preços de um produto para o outro, e temos produtores que ganham bem e outros nem tanto. O que interfere nisso é escolha correta das mudas, um bom manejo, uma boa condução do pomar, uma colheita adequada e um fruto seco e bem armazenado”, ressaltou.

Outra grande empresa que se destaca no segmento na região é a Pecanobre, situada na Linha Gramadinho, em Ilópolis. Há 15 anos no mercado, industrializa cerca de 200 mil quilos de nozes por ano. O proprietário, Joelcio Chiamulera, também avalia a safra para o ano de 2022. “A estimativa do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan) é que houve uma quebra de 24% em relação à safra passada, embora existam regiões que vão colher a mesma quantidade que no ano passado ou até mais, principalmente os pomares que tem irrigação”, frisou. “A nossa região foi bem mais afetada em razão da estiagem e também porque os produtores ainda não colocaram em prática os tratos culturais adequados”, acrescenta.

Segundo ele, o quilo da noz-pecan com casca paga ao produtor neste ano, ficará entre R$ 11 e R$ 14, dependendo muito da qualidade. Para quem tiver dúvidas na produção de nozes empresa oferece o serviço de orientações com agrônomos qualificados para sanar as dúvidas. Comercialização de nozes podem ser feito contato pelo telefone (51) 3774.1083.

De acordo com ele, a Pecanobre deve inaugurar em setembro sua nova indústria e segue sempre, buscando novos mercados. “Confesso que está sendo difícil abrir o mercado da noz-pecan interno e externo, pois as pessoas não conhecem muito esse fruto e os produtos à base ele. É um processo um pouco lento, mas aos poucos a noz-pecan está chegando em outros estados”, considerou.

Deixe uma resposta

Digite seu comentário
Por favor, informe seu nome

SIGA-NOS

42,064FãsCurtir
11,807SeguidoresSeguir
1,140InscritosInscrever

ÚLTIMAS

error: Alerta: Conteúdo protegido contra cópia. Utilize nossos botões de compartilhar.