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Religiosidade, identidade e história

Capitel da Linha Terceira Moresco é patrimônio histórico da comunidade

Por Rosemary Piccinini

 

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Quem passa pelas margens da ERS-432, na Linha Terceira Moresco, em Anta Gorda, se depara com um pequeno e ao mesmo tempo grandioso templo de oração. O capitel que abriga a imagem de Santo Antônio já existe há 101 anos e é zelado por moradores da comunidade, que já presenciaram algumas graças.

Fiorentino Moresco, popularmente conhecido como Cláudio, tem 85 anos e recorda das histórias contadas pela mãe, Raquel. “A minha mãe veio morar na Linha Terceira Moresco aos 16 anos, ainda solteira. Ela contava que na época o capitel pertencia à Linha Viena e que seu dono, que lá residia,  levava o sobrenome de Zibetti. Mais tarde, porém, em função de aqui haver mais movimentação de pessoas, um novo capitel foi construído”, relata.

Moresco conta que após Zibetti ir embora, o capitel passou para os cuidados do também morador da Linha Viena, João Canello. “Ele cuidou por cerca de 40 anos. Foi então que ele faleceu e quem passou a cuidar do capitel foi a moradora da Linha Terceira Moresco, Camila Cutti, por 30 anos”, lembra.

Atualmente quem desempenha essa função é a Maria Baruncello Moresco, que reside ao lado do capitel. “Todas as semanas eu limpo, troco a toalha e faço minhas orações. É uma rotina que já dura 26 anos”, destaca ao declarar sua devoção em Santo Antônio. “Eu já fiz muitas novenas para as pessoas que passam por aqui e pedem, e muitas delas deram certo”, enfatiza ela, que faz o trabalho voluntário.

 

Melhorias

Moresco conta que no decorrer do tempo o capitel passou por algumas melhorias. “Nós o pintamos, trocamos o coberto, mas a imagem de Santo Antônio sempre foi a mesma. Teve uma vez que levei a imagem para limpar e ficou ainda mais bonita”, recorda ele, que também é proprietário da área de terras onde foi construído o capitel.

Fiorentino junto aos irmãos Idelvino e Nelsa, neta Eduarda, e Maria Baruncello Moresco, que cuida do capitel

“Ele chama a atenção das pessoas”

Segundo Moresco, é difícil quem passe pelo capitel que não faça o sinal da cruz ou pare para visitá-lo. “Ele chama a atenção das pessoas e aqui ainda são feitas novenas. Uma vez foi rezada uma missa aqui, mas faz muitos anos. Também, antigamente, quando ainda éramos jovens, lembro que o bispo vinha a cada dois ou três anos para Anta Gorda para batizar as pessoas. Nós então nos reuníamos no capitel para que ele parasse aqui. Nos ajoelhávamos e ele nos dava a mão para beijarmos o seu anel”, disse.

Ele ainda lembra que ele e os oito irmãos, influenciados pela mãe, todas as noites rezavam juntos, o que faz perdurar até hoje a fé dos que ainda vivem. “Eram três Ave Marias e um Santo Antônio. Depois íamos dormir”, conta. “Nós tínhamos um irmão, hoje já falecido, que tinha deficiência, e diante de qualquer dificuldade ele procurava o Santo Antônio, no capitel. Se perdíamos alguma coisa ele ia lá, rezava e o que tinha se perdido realmente aparecia. Creio que ele era o mais devoto da nossa família”, salienta.

“Ele não é só o Santo Casamenteiro”

Desde criança a moradora da Linha Terceira Moresco, Jonalda Zeni, mantém a fé em Santo Antônio. “Essa devoção vem desde a minha infância, pois eu acompanhava minha mãe e um grupo de mulheres e íamos até o capitel para a reza do terço. Fazíamos isso várias vezes durante a semana e finais de semana”, conta ela, que reside próximo ao capitel.

De acordo com ela, a devoção vai sendo passada de geração para geração. “Vem desde a minha bisavó, que rezava muito e tinha muita fé nos santos. Já minha mãe, sempre dizia que Santo Antônio podia nos ajudar nos momentos difíceis da nossa vida, e assim foi. Diante das dificuldades que passei eu sempre ia lá no capitel, pedia graças para o santo, invocava o nome dele e sempre fui atendida, em questões de saúde principalmente”, pontua.

A devota segue: “A minha mãe sempre dizia que Santo Antônio não é só o Santo Casamenteiro como muitos dizem. Ele é o santo das enfermidades e com ele é possível alcançar muitas graças, mas para isso é preciso ter muita fé. A fé é quando você acredita num ser superior e supremo, algo maior que você, que pode ajudar nos momentos de dificuldades. Eu sinto que no capitel há um mistério muito grande, pois a gente chega lá, pede, e sempre é atendido. Somos libertados de coisas que muitas vezes nos impedem de ser felizes. Isso é o poder da oração, é poder estar num lugar simples, agradecer pela vida e conseguir se revigorar”, encerrou.

Devota Jonalda Zeni

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