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“Tive mais uma chance para estar aqui, então preciso fazer por merecer”

Frase é de Elizete Cristina Tomazini, que há 23 anos teve uma das pernas amputas em razão de um grave acidente

Quando um fardo, um obstáculo ou uma tragédia pessoal aparece na vida de alguém, é relativamente comum que essa pessoa encontre consolo no desafio que a vida passará a ser a partir de então. Como se, em vez de uma fatalidade, a desventura representasse uma nova missão de vida.

Mas foi assim que Elizete Cristina Tomazini, de 46 anos, tem vivido os últimos 23 anos de sua vida, como um presente de Deus, uma nova chance, ou um presente de Natal como costuma dizer. Em 25 de dezembro de 1998, enquanto viajava com o até então marido, Lucio, ela sofreu um grave acidente, o qual resultou na amputação de uma de suas pernas.

O acidente aconteceu em Recife, em um dia de Natal. Foi definitivamente um presente, pois nasci de novo. Lá é muito quente e eu tinha pressão baixa. Após almoçarmos logo seguimos viagem de caminhão, até que comecei a passar mal e pedi para meu marido parar. Porém, quando ele estava indo no acostamento eu destravei a porta do caminhão (não cheguei a abrir) mas como desmaiei contra ela, o meu peso a abriu, eu caí fora do caminhão e ele passou encima das minhas duas pernas”, relata.

Após a fatalidade, Elizete foi levada ao hospital. “Quando chegamos lá os médicos disseram que não era para nos preocuparmos porque não iriam amputar a perna. Meu marido então foi cuidar da nossa filha Natália (na época com dois anos), a qual estava conosco na viagem e quando voltou no hospital no dia seguinte já tinham amputado uma das pernas, com intenção de amputar a outra também”, recorda. “Fiquei quatro dias no hospital em Recife até conseguir transferência para Porto Alegre, onde fiquei por quase dois meses, passei por quatro cirurgias, mas uma de minhas pernas foi mantida. Embora eu sinta dor todos os dias, já me acostumei com ela”, frisa.

Elizete é natural de Alegria, mas há muitos anos é moradora de Anta Gorda onde atualmente reside com as duas filhas, Natália, de 25 anos, e Luíza, de 13. “Depois do acidente ainda me tornei mãe da Luíza. Tive uma gestação normal e sempre dei um jeito com a ajuda de minha cunhada Ana, que foi essencial. Mas toda minha família, de uma forma ou outra me apoiou. Eu nunca estive desamparada”, ressalta ela ao afirmar que todo dia é um desafio. “E dói saber que muitas pessoas reclamam da vida à toa, quando na verdade só falta vontade. Preguiça é uma coisa que não tenho”, destaca.

Eu tenho a cabeça muito boa, graças a Deus. Os médicos dizem que metade da minha recuperação em Porto Alegre foi graças à minha força de vontade. Se eu ficasse triste e chorasse não iria resolver, a perna não iria voltar. Tenho que seguir a vida com as limitações que eu tenho, sempre aceitei isso, era para acontecer”, declara ela que hoje também tem o auxílio de uma perna mecânica. “Me dói um pouco a coluna, mas é muito boa, consigo ficar com os braços livres”, comemora.

Ela encerra deixando um recado àquelas pessoas que estão em situações semelhantes, passando por alguma adversidade. “Primeiro temos que aceitar o que aconteceu seja o que for, porque desanimar não vai adiantar. Confesso que minhas filhas também me estimularam a seguir em frente, mas tive mais uma chance para estar aqui, então preciso fazer por merecer, faça você também”, finalizou.

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