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Valor pago pela lenha dispara e praticamente dobra para as empresas

De acordo com produtores e transportadores, o aumento é apenas uma correção do valor que estava defasado

Por Fabiana Borelli

Nos últimos meses tem se percebido um aumento no valor da lenha na região, bem como na madeira para beneficiamento.

Esse aumento, se por um lado ameniza a defasagem reclamada por produtores, transportadores e pelas pessoas que trabalham para fazer a lenha, aumenta os custos das empresas que utilizam a lenha no seu processo de produção.

Para o produtor e transportador de lenha Natalino de Jesus Borba do Santos, mais conhecido como “Jesus”, que é morador de Fontoura Xavier, são vários os fatores que levaram a esse reajuste. “Eu não vejo como aumento de preço e sim uma correção, pois há muitos meses a gente vinha tendo prejuízo, e mesmo com esse reajuste ainda não está fácil trabalhar, pois o aumento do diesel e da gasolina aumentam muito o nosso custo”.

Ele argumenta que, além disso, a mão de obra está escassa, e que, continuando esse cenário, pode ocorrer desabastecimento. “Com a falta de mão de obra, o alto custo dos combustíveis e em consequência do transporte está difícil trabalhar. Além disso, muitos produtores estão deixando a lenha para plantar soja, com isso corremos o risco de desabastecimento”.

 

Até onde pode chegar o preço

Jesus afirma que o valor da lenha nunca esteve tão baixo como estava nos últimos meses. “São dez anos trabalhando com lenha. O que é chamado hoje de aumento na verdade é uma correção de preço, quando comecei o preço da lenha era baseado no valor  da saca de soja, meses atrás estávamos entregando a lenha a R$ 70 ao metro, mas nosso custo subiu, ou melhor, duplicou, e agora ele está retornando ao valor original”.

Segundo Jesus, quem mais sofre é o produtor, mas para estes também houve uma pequena correção de preço. “Hoje o produtor recebe entre R$ 70 e R$ 75 ao metro, mas ele é o que menos ganha. Nós entregamos nas empresas por um valor entre R$ 150 e R$ 170 ao metro, mas esse valor em breve pode chegar a R$ 200. Para o produtor, se continuar assim, pode chegar a R$ 100 em breve”.

 

Mão de obra

A agricultora Silvia Batista Mussio, moradora do interior de Fontoura Xavier, trabalha produzindo lenha para complementar a renda. Ela afirma que o valor pago para a mão de obra ainda é muito baixo. “Nós trabalhamos com fumo, mas quando não temos trabalho com a lavoura fazemos lenha para ter mais uma renda. Hoje estamos recebendo entre R$ 32 e R$ 35 ao metro, esse valor é muito baixo, porque a gasolina aumentou muito e o nosso custo também”.

Ela finaliza: “Antes a gente recebia de R$ 25 a R$ 27, então o aumento para nós foi pouco, não tá valendo a pena”.

 

Custo para as empresas

O empresário Edson Marsango, proprietário da Ervateira Cultyvada, conta que na sua empresa 95% da lenha utilizada é adquirida na região.

O consumo, segundo ele, é variável conforme a época. “O consumo é muito variável, depende de vários fatores, pois no inverno secamos praticamente todos os dias e no verão são menos dias. No inverno também se consome mais, pois vendemos mais erva-mate, e também o produto por vezes chega molhado, e isso demanda mais tempo de secagem”.

Marsango confirma que o valor do metro aumentou consideravelmente. “Cada vez percebemos mais o aumento do metro da lenha, as exigências são casa vez maiores, pois é uma cadeia de mercado, da oferta e da procura, e como está tendo menos lenha no mercado o valor sobe”.

Com o aumento do valor da lenha, inevitavelmente sobe o custo de produção, e Marsango afirma que a empresa acaba tendo que absorver o aumento do custo.  “Quando os insumos aumentam isso impacta nos nossos custos de produção, e nós temos duas situações, ou repassamos esse custo, que acabamos não conseguindo, ou absorvemos e tiramos da margem, então temos que ir manejando e aumentando conforme o mercado permite”.

Para finalizar, o empresário afirma que não há muita margem de negociação. “Quem manda no preço é o mercado, não há muita oferta, então o valor sobe, não tem como fugir disso. O que costumamos fazer é manter as nossas parceiras, comprar dos nossos fornecedores quando tem matéria-prima e quando ela está escassa”.

Para Sílvia, o trabalho com a lenha não está valendo a pena – Fabiana Borelli
Empresário considera normal o aumento nessa época do ano – Arquivo

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