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12 de junho – Dia Mundial da Luta contra o Trabalho Infantil

O tema trabalho infantil ainda gera muita polêmica em toda a região

 Como e quando delegar tarefas para crianças e adolescentes? Por que o tema trabalho infantil é tão controverso e divide tantas opiniões?

O Dia 12 de junho é o Dia de Luta Contra o Trabalho Infantil, um tema que ainda gera muita controvérsia e polêmica entre pais e educadores, especialmente entre pais que receberam uma educação mais rígida e conservadora, sempre muito focada na disciplina e no trabalho.

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Na região, não é raro encontrar pessoas que defendem que as crianças devem trabalhar e ter responsabilidades desde cedo, a exemplo, do que fizeram seus pais.

Ou outros que, em função de não interpretarem corretamente a legislação e por desconhecerem suas funções como pais, justificam a falta de estimulo ao trabalho, alegando que “menor não pode trabalhar”. Devido a isso, nunca ensinam os filhos a fazer nada, não cobram disciplina e permitem que fiquem ociosos o tempo que quiserem.

De acordo com as profissionais que atuam no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) de Arvorezinha, a psicóloga Thais Piton e a assistente social Sônia Baldissera, é preciso sempre ter bom senso e equilíbrio com relação ao assunto. “Não é que as crianças estão proibidas de executar qualquer atividade”, ressaltou Thais, enfatizando que os pais que delegam tarefas aos filhos desde os primeiros anos de vida e respeitando a faixa etária indicada, estão atuando em prol de um desenvolvimento completo e saudável desses jovens.

Elas destacam que, quando os pequenos contribuem com as atividades da casa e se responsabilizam pela própria bagunça, eles aprendem a cuidar melhor dos espaços onde convivem, o que colabora para o fortalecimento dos laços familiares. Isso acontece porque se sentem mais conscientes da dinâmica doméstica, mais pertencentes ao lar, bem como compreendem que ele precisa ser cuidado com carinho e atenção por todos os moradores.

“A criança e o adolescente precisam sim ter atividades que estejam relacionadas ao seu desenvolvimento. Isso envolve o brincar e o estudar, mas não significa que eles não possam desenvolver trabalhos, por exemplo, dentro de casa. Uma criança deve sim arrumar sua cama, ajudar na organização da casa, porque essas responsabilidades, estas atividades vão refletir depois na vida adulta”, destaca Thais.

Ela enfatiza, porém, que é importante cuidar dos extremos. “A gente escuta, às vezes, pais que acham que o tempo da criança tem que ser todo ocupado para que não fiquem ociosas e pensando/fazendo besteiras, mas tem que haver um equilíbrio. A criança precisa também ter o tempo livre para fazer as atividades que ela gosta, como ler, assistir televisão, estar com os amigos, com os pais, enfim. Essa dosagem precisa partir dos pais”, frisou a psicóloga.

A assistente social, Sônia, também explana sobre o assunto. “Criar um filho dá trabalho e exige dos pais paciência, dedicação e empenho. Porém, vemos que hoje está muito prático colocar os filhos em contato com eletrônicos, pois conversar com eles ou fazer alguma atividade com eles, às vezes acaba tirando os pais de alguns afazeres ou mesmo do próprio descanso e zona de conforto. Por outro lado, vemos que hoje nada é suficiente para os filhos, nada os contenta, nada os agrada, sempre querem mais e mais, e desta forma, às vezes os pais acabam ‘dando amor’ em forma de calçados, roupas, brinquedos, sendo que o que os filhos mais precisam é daquele amor onde são ensinados valores”, disse.

Sonia enfatizou que ser pai e mãe dá muito trabalho e que é preciso sair da zona de conforto para estimular os filhos

A diferença entre trabalho infantil e afazeres domésticos

No Brasil, o 12 de junho foi instituído como Dia Nacional de Combate ao Trabalho Infantil pela Lei 11.542/2007. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) caracteriza-se como trabalho infantil aquele realizado por crianças com idade inferior à mínima permitida para a entrada no mercado de trabalho, segundo a legislação em vigor no país.

O tema, foi intensamente debatido e deliberado pelas nações do mundo a partir das práticas abusivas da exploração da mão de obra que a Revolução Industrial acarretou, e ainda tem sido pauta para polêmicas na sociedade atual, afinal, com quantos anos se deve começar a trabalhar? Conforme a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) a idade mínima para ingressar no mercado de trabalho brasileiro é 16 anos, exceto na condição de aprendiz, que pode iniciar a trabalhar a partir dos 14 anos.

“Aqui no Cras nós não recebemos muitas demandas relacionadas a isso, porém quando esse assunto vem até nós através dos pais ou mesmo através dos profissionais, nós sempre tentamos orientar para o equilíbrio. Embora a realização de atividades em casa por parte de crianças e adolescentes seja mais do que aconselhada, no trabalho externo, quando tornam-se empregados, existe uma legislação e toda uma regulamentação que deve sim ser respeitada”, pontua Thais.

“A legislação permite que a partir dos 14 anos eles possam já ser inseridos no mercado de trabalho em atividades que não os coloque em risco, que permita o aprendizado na escola e o convívio familiar”, acrescenta Sônia ao opinar: “Quanto mais experiências essas crianças/adolescentes vão tendo desde cedo, melhor para eles saberem o que vão querer seguir na vida adulta. Vemos, ainda, crianças e adolescentes adoecendo mentalmente por estarem na zona de conforto, por não saírem de dentro do quarto, e quando os pais vêm buscar ajuda nem sempre conseguimos reverter, pois já estão com um comportamento formado e não aceitam ajuda. Penso que quanto mais cedo eles aprenderem a se virar por conta própria e resolver situações inesperadas, melhores serão como seres humanos”, salientou.

As profissionais encerram revelando que no Cras existe um grupo de adolescentes onde são realizadas atividades e oficinas como aulas de violão, marcenaria e outras, que também os auxiliam positivamente no desenvolvimento.

As crianças e adolescentes aprendem muito sobre si mesmos e o mundo a cada atividade realizada. Portanto, durante a fase de formação da personalidade é importante que adquiram o senso de responsabilidade e de colaboração, de modo a crescerem mais autônomos.

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