Administração Municipal opta por alterar decreto que manteria comércio fechado

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O documento estava causando a revolta dos comerciantes locais

Contas, contas e mais contas, e a pergunta que não queriacalar: quem iria pagá-las? Esse era o questionamento que comerciantes de Anta Gorda haviam feito após emissão do decreto municipal 3.317/2021, de 22 de fevereiro, que instituía medidas sanitárias extraordinárias para fins de prevenção e de enfrentamento à pandemia no âmbito do município.

O documento estava causando revolta e indignação nos empreendedores que dependem de manter seus comércios abertos para sustento, pagamento de funcionários e demais despesas. Alguns chegaram a se manifestar sobre o decreto ressaltando que o fechamento não seria a melhor alternativa. “Não concordo com o fechamento do comércio. Se fosse gestor municipal permitiria o funcionamento, mas com restrições de horários ereforçando a fiscalização, até porque o comércio está centralizado. Não é tão difícil assim fiscalização com relação ao uso de máscara e de limitação de acesso de pessoas aos locais”, destacou o comerciante Laerte Dip.

Ele seguiu explanando: “Pelo que tenho informação, o gestor municipal não era obrigado a fechar o comércio, optou por fechar por sua conta, prejudicando um setor que emprega, gera impostos e que já vem sofrendo com as restrições da pandemia. Ele deveria sim reforçar a fiscalização, instituir medidas específicas, mas permitir todo o comércio funcionar sem fazer distinção do que é essencial ou não, aliás isso é discriminativo e um desrespeito à classe lojista. Coisa do passado e que não funcionou”, frisou.

A empresária Morgana Colombo também se pronunciou. “Minha opinião é de que poderia ter sido mais branda com o comércio essa decisão. A CIC/CDL contatou a nós, associados, para que pudéssemos intervir. Ontem mesmo (referindo-se à segunda-feira) já fiz contato com a Secretaria de Administração reivindicando, mas ela foi categórica em dizer que não voltariam atrás. Concordamos que a situação é preocupante, mas não é fechando o comércio que vai ser resolvida”, pontuou.

Já a empreendedora Tania Lazzari Parisotto disse: “Não é desta forma que vamos resolver ou atenuar a Covid-19. Sabemos que houve um relaxamento e que ninguém está levando a sério a contaminação. As pessoas não estão se cuidando e são muitas as festas e as aglomerações desnecessárias. No comércio a grande maioria estavatendo os cuidados necessários, usando máscara e álcool gel, por isso acho que fechar as portas não é o caminho. Todos nós precisamos honrar nossos compromissos, pagar nossas contas e com aquele decreto agravaria os problemas, seria um caminho sem volta. Assim como osagricultores dependem da safra e reclamam da estiagem ou chuva em excesso, o comércio precisa trabalhar”, salientou.

De acordo com a presidente da CIC/CDL, Amanda Casagranda, a entidade não foi consultada para o decreto. “Entrei em contato com os empresários sim e todos estavam muito revoltados querendo a abertura do comércio, pois não concordamos com tal atitude, sendo que nem se quer fomos consultados”, enalteceu.

Conforme o decreto inicial, permaneceriam em funcionamento apenas os serviços considerados essenciais como farmácias, hospitais, clínicas médicas, serviços funerários, serviços agropecuários e veterinários, assistência social e atendimento à população em estado de vulnerabilidade, empreendimentos na modalidade de tele-entrega, serviços exclusivos de abastecimento em postos de combustíveis, empreendimentos dedicados à alimentação e à hospedagem de transportadores de cargas e de passageiros, e hotéis e similares.

Na live realizada pelo Governo do Estado na segunda-feira, 22, ficou determinado que os municípios com bandeira preta poderiam seguir protocolos da bandeira vermelha, mantendo o comércio fechado apenas das 20h às 5h da manhã.

 

Fechamento das escolas

Ainda de acordo com o decreto municipal inicial, seguindo recomendações da bandeira preta, a Educação Infantil em creches e pré-escolas, o Ensino Fundamental, de anos iniciais e finais, o Ensino Médio e Técnico e o Ensino Superior só poderiam ocorrer de forma remota. A decisão, era contrária ao proposto pelo governador Eduardo Leite na tarde da segunda-feira, 22, que autorizoua manutenção das aulas presenciais na bandeira preta para a Educação Infantil e os 1º e 2º anos do Ensino Fundamental.

Mais tarde, o município acatou a decisão do Estado, segundo a Irmã Zenaide Mezzomo, diretora do ESI – Colégio Santa Teresinha, que anunciou. “Temos um comunicado feliz para fazer para as turmas das crianças. No dia 24, quarta-feira, retornamos com as aulas presenciais para a Educação Infantil, 1º e 2º anos do Ensino Fundamental. O governador deu essa possibilidade e o município acatou. Todas as crianças destas turmas poderão vir para o colégio e se alguma delas não estiver bem ou haver algum caso de Covid na família, pedimos que permaneçam em casa e nos comuniquem”, destacou.

 

Decreto alterado

Na tarde da terça-feira, 23, colaboradores da Administração Pública Municipal realizaram live para comunicar a alteração do decreto, após algumas reuniões com entidades do município. O novo documentoflexibiliza e permite que o comércio trabalhe, até no máximo às 20h, com limite de 25% das pessoas, como o proposto pelo Estado.

A Administração ainda se dispôs a delegar boa parte do funcionalismo público para fazer o trabalho de fiscalização, a fim de que todos cumpram o que a bandeira vermelha preconiza. O número da vigilância é (51) 99526.9805.

Também foram retirados os bancos da praça onde havia muita aglomeração e estão sendo colocados cartazes em espaços públicos onde não poderá haver a permanência, somente a circulação das pessoas.

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