Citricultura se consolida como uma alternativa viável para as propriedades da região

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Cultura vem superando a rentabilidade de culturas tradicionais como a erva-mate

Foi com cautela que os primeiros pomares de citros foram implantados na região há cerca de 20 anos. Um dos grandes entusiastas da cultura, foi o então secretário de Agricultura de Arvorezinha na época Nestor Pompermaier que sempre buscou estimular os produtores do município e da região a diversificarem suas atividades.

No início, inúmeras incertezas cercavam a atividade, entre elas o risco de doenças, da perda da produção, por falta de domínio das técnicas de cultivo, da falta de garantia de compra da produção e da produtividade dos pomares. Sem prática, e sem conhecer de fato como seriam os resultados, muitos produtores decidiram apostar na atividade e hoje já estão consolidados como grandes produtores na região.
A atividade deu certo e cresceu muito na região, especialmente nos municípios de Arvorezinha, Ilópolis, Anta Gorda e Putinga, onde centenas de produtores se dedicam a atividade e muitos já tem no citros a principal atividade econômica de suas propriedades.
Com o aumento do número de pomares, cresceu no seu entorno toda uma cadeia de empresas fornecedoras de produtos e serviços, aumentou a demanda por mão de obra e muitas empresas foram fundadas visando absorver a produção local.

Alta produção fomenta o empreendedorismo
Na região são várias empresas voltadas a compra da produção da safra de citros e fornecimento às indústrias e à Ceasa, ilustrando que a força da citricultura fomenta o empreendedorismo local.
Um case que demonstra com clareza essa realidade é a iniciativa do jovem empreendedor Natan Testa, de 28 anos que é filho do empresário e também produtor de laranjas Inácio Testa e por ter contato com a cultura e perceber a dificuldade de colocação da safra enfrentada pela sua família e de tantos outros produtores, viu no problema uma solução e a oportunidade de empreender.
Já são cerca de cinco anos, que o jovem começou a comprar a produção de Anta Gorda e buscou estabelecer contratos de fornecimento com indústrias, empreendedores e com a Ceasa e hoje atua em cinco municípios da região comprando a produção local de citros. Testa conta que investiu em equipamentos para realizar a classificação e limpeza das laranjas, na aquisição de caminhões e contratação de colaboradores que trabalham no transporte e classificação das frutas.
A família Testa mantém um pomar de 12 hectares de citros voltados a produção de laranjas para comercialização in natura direto ao mercado varejista.
O empreendedor explica que as laranjas são classificadas em função de qualidade, tamanho e cor, e também, de acordo com a variedade são direcionadas para finalidades diferentes. Por exemplo: a Laranja de Umbigo é destinada para comercialização in natura, a Valência e a Comum para a produção de sucos. Além disso, a empresa compra bergamotas de diversas variedades como a Ponkan, a Montenegrina, entre outras.
“Eu vejo um crescimento muito interessante da citricultura na região, em muitas propriedades a atividade já é a principal e em torno disso, uma cadeia produtiva interessante se estruturando para absorver a produção. Antigamente tínhamos apenas uma fábrica de sucos no estado, hoje são mais de dez, além de o mercado in natura ter crescido muito”, ressalta Testa que vê também o crescimento na área técnica, de fornecimento de insumos, mudas e outros.
A média de produção por hectare na região está em 20 toneladas podendo chegar a até 40 toneladas dependendo das condições climáticas. Testa estima que a região onde atua, os municípios de Anta Gorda, Putinga, Ilópolis, Arvorezinha e Guaporé tenha produzido cerca de 20 milhões de quilos na última safra. Ressaltando o município de Arvorezinha como o maior produtor da região.
Os preços pagos ao produtor por quilo variam de acordo com a variedade, a qualidade e o período da safra. Em média o preço pago é de R$ 0,40 ao kg da valência para suco e a laranja de umbigo está em torno de R$ 0,80 a 0,90 centavos ao kg. Testa frisa que estes preços estão sendo praticados agora, em função do início da safra, mas com a evolução do período, os preços sempre aumentam.
Como a região Alta do Vale é mais fria, a safra costuma ser mais no tarde, o que beneficia os produtores em função de preço, com a produção fora de época a possibilidade de conseguir preços melhores é maior. Testa destaca que a região reúne diversas características que viabilizam a produção de citros com qualidade, entre elas, solo, clima, relevo e a vocação agrícola.
Produtores da região interessados em comercializar sua safra, podem fazer contato com o empreendedor.

Teló avalia a trajetória da produção
O produtor rural José Pedro Teló, popular Zeca da Linha Quarta, interior de Anta Gorda, atua na atividade há cerca de 20 anos e neste período desenvolveu uma vasta experiência na atividade.
Teló, que cultiva um pomar de quatro hectares ressalta que neste período viveu altos e baixos com a cultura. “Quando a produção é alta os preços caem, quando cai a produção, o preço aumenta. É a lei da oferta e procura vigorando também na citricultura”, ressalta ele.
Na safra passada, Teló teve um excelente resultado, cerca de 50 toneladas de laranjas Valência por hectare, porém, nesta safra, devido ao excesso de chuvas e pouco frio o bom resultado não se confirma. O produtor está na expectativa em função do preço, segundo ele, hoje com o valor de R$ 0,22 ao kg, não compensa colher a produção.

Gasparini dedica-se a produção de Bergamota
Na localidade de Linha Quarta, também reside o produtor Aldecir Gasparini que trabalha com a produção de bergamotas, pêssegos e laranjas. Porém, o foco principal é a produção da bergamota Montenegrina Rainha, o que exige ainda mais mão de obra e tratamento.
Ao todo são cerca de 17 hectares de frutíferas na propriedade. A expectativa é boa para a produção de bergamota, porém, a expectativa é pelo aumento do preço pago ao quilo. Segundo Gasparini, os preços pagos atualmente não cobrem os custos e sua intenção é ir aos poucos eliminando o pomar. Talvez substituindo a bergamota por laranjas para suco e mesa e pêssegos.

Aldecir destaca que a produção de bergamota não está sendo viável

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