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Alfeu Miotto recorda o início do cultivo de nogueiras e oliveiras no município

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Como já é de conhecimento, no estado do Rio Grande do Sul, a cidade de Anta Gorda foi a pioneira no cultivo da nogueira-pecã, que teve início em 1944, quando houve a introdução de quatro mudas originárias de Kentucky (Estados Unidos), que existem no município até hoje e são consideradas as ancestrais da maior parte das nogueiras-pecã encontradas no município e na região.

As mudas foram trazidas de São Paulo pelo ex-prefeito Arminho Miotto (in memorian) e plantadas pelo pai do produtor antagordense Alfeu Antonio Miotto, de 84 anos, que até hoje atua com essa cultura, sendo um dos pioneiros na região, não só no cultivo da nogueira pecã, mas também da nogueira europeia (com dez pés produzindo), porém esta, por ser uma espécie pouco cultivada no Sul do Brasil, sem expressão econômica e sendo utilizada como árvore de sombra e ornamental, não teve grande adesão na região.

Alfeu relata que também foi o pioneiro a enxertar e realizar as podas nas nogueiras em diversos municípios, onde capacitou dezenas de produtores, por meio de suas técnicas. “Eu ainda realizo esse trabalho porque amo o que faço”, destaca ele, que sempre atuou com a ajuda da esposa, Adelia Miotto.

Oliveiras

E quando se fala em pioneirismo Miotto segue sendo expert no assunto. Tudo porque além das nogueiras, ele também foi o responsável pela implantação das oliveiras, quase que na mesma época.

“A oliveira demora cerca de três anos para produzir, e lembro que na época, chegamos a colher mais de 1 mil quilos de azeitonas. Uma parte fizemos azeite, esmagávamos e depois prensávamos tudo a trabalho braçal, pois não tinham máquinas que fizessem isso. Era um azeite forte, bom, verde, mas não era filtrado”, recorda ele que também auxiliou nos enxertos realizados no Jardim da Oliveiras, em Anta Gorda. “Tinham muitas oliveiras lá, por isso recebeu esse nome”, acrescenta.

Porém, com a expansão da nogueira pecã, o cultivo das oliveiras, segundo Miotto, foi deixado de lado. “Lembro que meu pai mandou arrancar todas as oliveiras, uma pena, pois os galhos chegavam a encostar no chão, de tão carregados. Naquela época o prefeito Arminho Miotto chegou a doar mudas para algumas capelas, mas mais tarde todas desapareceram, viraram lenha”, frisa.

Em Anta Gorda, recentemente uma reunião foi realizada com o intuito de que produtores se interessem em retomar o cultivo das oliveiras. Outras tantas são realizadas com produtores de noz-pecã. “Eu, quando passo perto de uma nogueira ou oliveira, confesso que o coração bate mais forte, mas ao mesmo tempo me sinto desprezado, pois exceto o primeiro prefeito do município, nenhum outro, até hoje, me convidou para nenhuma reunião, seja em relação às oliveiras, seja em relação às nogueiras, mesmo sabendo que fui o pioneiro”, encerra ao lamentar.

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