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Nordestinização

Este é o novo verbo que a região está aprendendo a conjugar a duras penas.

Com a estiagem, mais uma vez, especialmente os produtores rurais da região enfrentam sérias dificuldades em função não somente das perdas nas lavouras e especialmente pela falta de água, gerada pela falta de chuvas, mas principalmente pela falta de consideração e priorização das demandas das famílias rurais, que são obrigadas a viver de forma precária, sempre com muita paciência, aguardando o dia em que as obras serão feitas.

É um descaso tão grande com a situação, que é quase inacreditável. Histórias de famílias que têm um poço de água perfurado nas proximidades das residências e não conseguem acessar a água por não disporem de autorização do governo,  e de infraestrutura como bombas e rede de água são inúmeras. Enquanto isso, sofrem perdas em todas as esferas, desde a própria saúde, que fica debilitada pela falta de condições mínimas para fazer a própria higiene, até a perda daquilo que plantam e criam.

O prejuízo é imensurável. Enquanto altas autoridades fazem discursos, campanhas para lavar as mãos, de dentro de seus gabinetes climatizados com ar condicionado, o povo sofre com a falta de água e a desfaçatez dos que os lideram, que nunca mentiram tanto e roubaram tanto e de forma legalizada como agora.

A Funasa (Fundação Nacional de Saúde) é um exemplo clássico do descaso com a saúde e o bem-estar dos cidadãos. As desculpas dadas pelo órgão governamental são estapafúrdias. E as dificuldades impostas pelo órgão para que alguém, seja gestor público ao da área privada, consiga interpelar as autoridades são surpreendentes. A pandemia foi apenas um ingrediente a mais para justificar a inoperância, que já era quase nula, no período pré-pandemico.

Muitos gestores públicos fazem o jogo da boa e velha política, se escondendo em viagens, compromissos e eventos para driblar os problemas. Evitam bater de frente, porque afinal todos são companheiros e se bater poderá perder uma oportunidade de dividir algum bolo. Então, o jeito é ir dando um nozinho aqui, outro ali, ir levando no bico. Até que chove e mais uma vez os problemas da estiagem são esquecidos.

Para os produtores que não têm capacidade de organização e mobilização, não têm voz e nem vez, resta contabilizar o prejuízo mais uma vez e esperar pela chuva.

O povo da região está se nordestinizando, não apenas pelo fato de caminhões pipas transportando água para abastecer famílias ter virado rotina no cenário da região. Mas principalmente pelo nível de ignorância, desinformação e comodismo que faz com que estas famílias que sofrem com a falta de água há tantos anos sigam votando nos mesmos representantes, eleição após eleição. Vendendo o voto por  alguns trocados ou pequenos favores. E jamais conseguindo se organizar e se mobilizar para mudar essa história. Mesmo perante a dificuldade extrema, ninguém se levanta para protestar e reclamar. Então, seguimos assim, porque parece que está tudo bem, aprendendo a conjugar este novo verbo que é tão triste e dramático.

 

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