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Polícia suspeita que espingarda apreendida tenha sido usada em homicídio

Operação Sicário, desencadeada na sexta-feira, 23, e no domingo, 25, resultou em quatro prisões

Respostas. É isso que a Polícia Civil da 24ª Região Policial busca dar à comunidade, principalmente de Arvorezinha, onde só neste ano, cinco homicídios foram registrados.

Na sexta-feira, 23, foi deflagrada a Operação Sicário, com o objetivo de combater delitos de homicídio, decorrentes de disputas de facções criminosas, e o tráfico de drogas na cidade de Arvorezinha. Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e duas prisões temporárias: a de O.M.L, e a de W.F.L. Durante o cumprimento dos mandados, foram localizados uma espingarda calibre 12, um revólver calibre 38, 19 munições calibre 12, 11 munições calibre 38, quatro celulares, um frasco com pólvora, um cofre, e seis gramas de maconha.

Na noite do domingo, 25, em uma ação da Policial Civil e Brigada Militar, com coordenação da delegada regional de Soledade, Fabiane de Vargas Bittencourt, foram presos E.C.B, 33 anos e A.C.R.S, 38 anos. Eles são suspeitos de envolvimento com os homicídios registrados em Arvorezinha neste ano. Os presos não foram localizados na sexta-feira, dia em que foi deflagrada a operação Sicário, mas foram encontrados na noite de domingo, em Soledade, na Rua Venâncio Aires, em um ponto conhecido pela Polícia em que há comercialização de drogas.

Um dos indivíduos presos, E.C.B, segundo a delegada, trabalhava como segurança de uma agência bancária de Arvorezinha. “Um indivíduo periculoso, autor de crime de homicídio, já com antecedentes e era segurança de uma agencia bancária. Olha o risco que isso oferta para a comunidade. Daqui a pouco esse indivíduo poderia estar levando informações para outros integrantes da facção que atuam em outra ramificação, como a dos assaltos a banco”, alerta.

 

Busca por soluções

“A comunidade vinha nos cobrando uma resposta com relação a esses crimes e nós já vínhamos referindo que não deixaríamos eles passarem impunes. Estávamos investigando e então na sexta-feira, conseguimos desencadear a Operação Sicário, que foi justamente para fins de prisão de alguns dos possíveis autores destes crimes e para fins de produção de provas”, destaca a delegada.

Conforme ela, em relação às armas apreendidas, acredita-se que há grandes chances de que tenham sido usadas em dois dos crimes de homicídios que ocorreram em Arvorezinha: “o do Boca e o do Rafael”, comenta ela.  “A espingarda calibre 12 e o revólver calibre 38 vão seguir para fins de confrontação balística para que possamos realmente ter a comprovação de que foram as armas utilizadas, mas o indicativo é bastante forte, e vindo a resposta positiva, vai ser uma prova importante para reforçar as demais que já vinham sendo produzidas dentro das investigações”, frisa.

 

“Não trabalhamos com a existência de uma guerra de facções”

Segundo Fabiane, não há no momento, disputa por pontos de tráfico de drogas como ocorreu em 2017, quando foi deflagrada a Operação Erva Mata. “Neste período existia uma guerra de facções, onde a predominante em Arvorezinha era a dos Bala na Cara, e Os manos estavam tentando ingressar na região. Hoje não trabalhamos com a existência de uma guerra de facções. Trabalhamos apenas com a facção dos Manos que é atuante em toda a região, e esses homicídios de Arvorezinha estão relacionados a uma cisão interna dentro desta facção, provavelmente relacionada a questão de dívidas de entorpecentes, de desacertos entre os próprios membros”, destaca.

Ela acrescenta: “Na verdade normalmente são pessoas vinculadas ao tráfico que pegam determinada quantidade de droga para revender, acabam criando dívidas com a facção e a gente sabe que a lei da facção é bastante incisiva: ou paga ou morre. Eles não toleram a existência de débitos por parte dos traficantes. Por isso, entendemos que pelo menos alguns dos homicídios que ocorreram em Arvorezinha estão dentro deste contexto. É importante ressaltar que nós já temos praticamente grande parte dos autores que se envolveram diretamente nesses crimes, aqueles que praticaram a execução, mas ainda trabalhamos com a busca de outras pessoas: os mandantes desses crimes, os líderes de facção que possam ter algum envolvimento com esses fatos”, salienta.

Um dos suspeitos presos na Operação Sicário, já havia sido detido diversas vezes. “Percebemos que normalmente os indivíduos que estão envolvidos em crimes graves como os de homicídio, de tráfico ou de organização criminosa são sempre os mesmos. São indivíduos que já foram presos, que estão sendo processados e que continuam na atividade criminosa. São indivíduos que dificilmente saem do mundo do crime, que se permanecessem presos fariam um favor para sociedade, porque a colocam em risco”, enfatiza.

Ainda sobre a Operação Sicário, a delegada explana: “Nós ainda não encerramos as investigações, ainda estamos coletando provas, inclusive a operação foi muito importante neste sentido. Agora buscaremos estabelecer a participação de cada indivíduo preso porque muitas dúvidas ainda necessitam de esclarecimento dentro dessas investigações, inclusive também se cogita e se trabalha na possibilidade da vinculação entre os próprios crimes dos homicídios registrados”, pontua.

 

Prisões foram cumpridas em caráter emergencial

De acordo com a delegada, as prisões tiveram que ser cumpridas em caráter emergencial. “Tínhamos a suspeita de que outros crimes poderiam acontecer na cidade ainda durante o final de semana. A ação rápida da polícia já na sexta-feira foi e virtude de informações nesse contexto, de que outras pessoas estavam sendo ameaçadas e poderiam ser vítimas da facção”, revela.

“E por isso também que nós, apesar de na sexta-feira não ter localizado todos os indivíduos, continuamos buscando os que tinham prisão decretada justamente nesse intuito de evitar a prática de outros crimes. Mas agora com esses quatro indivíduos presos acreditamos neste momento o risco de outros crimes tenha cessado momentaneamente em razão da operação”, acrescenta.

 

Caso Boca

Sobre o homicídio de Rudinei Miguel dos Santos, o “Boca, registrado no dia 27 de maio, de forma brutal, Fabiane comenta: “Normalmente em muitos crimes os praticantes usam carros locados, máscaras, luvas, tentam de certa forma inibir, prejudicar a atuação da polícia. É claro na conjuntura como este crime acaba dificultando a produção de provas, mas mesmo assim, nós temos meios e temos buscado, nos empenhado nessas investigações, tanto é que conseguimos provas contra esses indivíduos. Nesse caso em específico do homicídio do Boca, possivelmente uma das armas está apreendida e isso será um ponto bastante importante dessa investigação, pois podemos trabalhar na produção de uma prova pericial com relação a esse fato”, encerrou.

 

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