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Setembro é o mês dedicado ao combate ao suicídio

Para especialistas, o combate deve ser feito diariamente e a forma mais eficaz de combate é a identificação dos sinas e a busca por ajuda

Neste mês de setembro celebra-se em todo o mundo mais uma edição do Setembro Amarelo.

Este é o mês Internacional de Prevenção ao Suicídio, onde são realizadas campanhas de conscientização, com o objetivo de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e o chamamento das pessoas para a valorização da vida.

O suicídio continua sendo uma das principais causas de morte em todo o mundo, de acordo com as últimas estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo o Centro de Valorização à Vida (CVV), associação civil sem fins lucrativos, composta por voluntários que existem no Brasil, que trabalha com prevenção ao suicídio, aproximadamente 32 pessoas comentem suicídio todos os dias no Brasil.

Como identificar a necessidade de ajuda

O psicólogo da Unidade Básica de Saúde de Anta Gorda, Júnior Corrêa dos Santos, fala da incidência do suicídio no mundo. “Trabalho em Anta Gorda há seis anos e quando cheguei aqui a demanda mais urgente era exatamente o suicídio, então traçamos um plano para abordar essa temática que é difícil. Hoje no mundo sabemos que uma pessoa tenta o suicídio a cada 40 segundos, estima-se, no entanto, que o número pode ser ainda maior, pois alguns países, por questões culturais, não registram os casos”.

Para o psicólogo, a pessoa que se suicida desiste da vida. “Essa pessoa chegou a um estágio de sofrimento tão intenso que para ela a vida não tem mais sentido, só tem sofrimento. Então o real problema não é o suicídio, mas o que leva a pessoa a esse estágio de sofrimento. A depressão e o sofrimento têm vários fatores, às vezes situações comuns, como problemas familiares, de relacionamentos, e até mesmo problemas genéticos”.

Santos afirma que é fundamental a pessoa procurar ajuda. “Nós,, profissionais da psicologia ou da psiquiatria estamos preparados para ajudar essas pessoas, seja com medicamentos ou com conversas, onde elas podem expor os seus anseios. Não julgamos ninguém, apenas ouvimos e procuramos ajudar da melhor maneira possível, para ajudá-las a entender o porquê ela sofre e como pode reduzir este sofrimento”.

Ainda, de acordo com o profissional, é necessário identificar o que está causando os problemas. “Nós procuramos identificar o que está causando a ansiedade, a depressão, o sofrimento, o que leva a essa pessoa a não dormir, às palpitações. Então procure ajuda para que o problema não fique mais grave, é comum em algum momento da vida se pensar em suicídio, e nessa hora é fundamental procurar ajuda”.

Casos entre os jovens

O psicólogo afirma que a campanha do Setembro Amarelo tem o objetivo de chamar a atenção para essas questões e para o que está levando os jovens a pensarem em suicídio. “Entre 15 e 29 anos, que é a população mais ativa, o suicídio é a segunda maior causa de morte. Isso nos preocupa muito, então é importante a ajuda de medicamentos, terapias e também atividades físicas, que contribuem muito no tratamento, pois liberam endorfina, e também os fazem sair do seu quarto e conviver com outras pessoas”.

Ele complementa: “Não tem uma receita pronta para o combate ao quadro depressivo que pode levar ao suicídio, cada pessoa tem um método ou um modo para sair desse quadro, que pode ser espiritualidade, convívio familiar, exercício físico, mudanças de ambiente. Cada um tem que encontrar uma forma de entender o seu sofrimento”.

Psicólogo Junior Corrêa dos Santos trabalha em Anta Gorda

Suicídio como tabu

Para a psicóloga Nilce Karsburg, o suicídio não pode ser encarado como tabu. “O suicídio não pode ser considerado um tabu, nós precisamos falar. Não podemos deixar de debater e aprofundar esse tema em nossas famílias, escolas, comunidade, entre os amigos. Todos temos a responsabilidade de ajudar a diminuir os índices que temos visto crescer em todas as faixas etárias. A mobilização de combate ao suicídio pode ser feita de diversas formas. Seja com ações informativas nos meios de comunicação, nas redes sociais, levantando o tema em seus grupos e buscando informações confiáveis sobre o assunto e enfatizando a importância da valorização da vida”.

Ela salienta: “Esta questão precisa ser entendida pela família, pelos amigos, por todos nós, como uma doença e que, portanto, necessita de acolhimento, de cuidado, e muitas vezes também necessita de acompanhamento médico, psicológico e/ou espiritual. Nós precisamos falar de vida e da importância da vida, e que apesar do sofrimento que vivenciamos em determinados momentos, ele faz parte da nossa existência e precisamos enfrentá-lo. Os suicídios resultam de uma complexa interação de fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociológicos, culturais e ambientais”.

Nilce ressalta a importância de identificar os sinais que as pessoas dão. “Uma melhor detecção na comunidade, e o encaminhamento para especialistas e a gestão do comportamento suicida são passos importantes na prevenção do suicídio. O desafio chave de tal prevenção consiste em identificar as pessoas que estão em risco e que a ele são vulneráveis; entender as circunstâncias que influenciam o seu comportamento autodestrutivo e estruturar intervenções eficazes”.

Psicóloga Nilce Karsburg

 

Jovem se suicida na véspera de Natal

Dezembro de 2012. Véspera de Natal, o mais triste já vivenciado pela família Seghetto, moradora da comunidade de Xarqueada, interior de Putinga. A reunião em família para as comemorações natalinas, foi ocupada pelo luto e pela dor da perda da jovem Nerli Seghetto, com apenas 27 anos na época.

Conforme relato do pai, Agostinho Seghetto, a jovem foi acometida pela depressão. “Ela casou-se no dia 9 de junho, e então foi morar em Arvorezinha, com seu esposo que era natural de lá. Passados cinco meses ela se suicidou, na véspera do Natal”, conta ele com lágrimas nos olhos. Desde então, nas ceias de Natal, um lugar à mesa é ocupado pelo vazio.

“Uma jovem disposta”. É assim que o pai denomina Nerli. “Três dias antes ela veio aqui nos visitar, inclusive me ajudou a colocar ureia no milho. Percebi então que ela estava diferente, que não conversava, mas mantinha um olhar firme. Pedi a ela que ficasse conosco naquele dia, pois percebemos que ela não estava bem, mas ela disse que tinha que ir para casa, pois tinha o marido e precisava cuidar do forno carregado de fumo, e assim partiu”, recorda. Nerli e o esposo não chegaram a ter filhos.

Ainda, segundo o pai, antes da volta de Nerli, ela combinou com a mãe e as irmãs uma festa de aniversário (que ela completaria dali há alguns dias) na sua casa em Arvorezinha, no sábado. “Quando todos estavam se preparando para ir para lá, veio notícia que ela tinha tentado se suicidar. Partimos então para o hospital. Chegando lá o esposo dela e a família dele choravam muito, pois embora ela ainda estivesse viva, já haviam sido avisados de que nada mais poderia se fazer. Quando eu a vi, perguntei porque havia feito aquilo. Ela não respondeu. Só pediu pela mãe e pela irmã, eu disse que estavam chegando, e logo após ela faleceu”, lembra ele, que já havia perdido uma filha, com três anos de idade.

Ele acredita que o principal motivo que levou a filha à depressão foi uma decepção amorosa. “Antes de casar-se ela namorou um rapaz por sete anos. Porém, começaram a se desentender, até que terminaram. Ela comentou comigo, mas eu disse a ela que quem deveria se entender eram eles dois, reconhecendo seus erros. Os pais do rapaz gostavam muito dela e procuraram falar com o filho, o qual disse que gostava muito da Nerli, mas que não voltaria a falar com ela. Teimosa, ela também não foi falar com ele”, conta.

Agostinho finaliza alertando: “Aos pais que notarem comportamento estranho em seus filhos, busquem ajuda. Eu não consegui perceber e ajudar minha filha a tempo, e hoje vivo um luto difícil de enfrentar. Procurem ajuda de um psicólogo para não deixar chegar nesse ponto”, concluiu.

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