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A importância de cuidar, muito antes de gerar

O ginecologista e obstetra Giovani Baldissera ressalta a importância de as futuras mamães estarem atentas para uma gestação saudável

Por Rosemary Piccinini

Preparar-se para uma gravidez é tão essencial quanto o próprio período de gestação. Os especialistas recomendam que o preparo inicie pelo menos três meses antes, pois as medidas preventivas irão garantir uma gravidez mais tranquila, além de fazer uma grande diferença positiva na saúde do bebê e ajudar na recuperação da mãe no pós-parto.

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Dentre os principais cuidados, um dos primeiros a ser tomado é a visita ao médico ginecologista para fazer exames de rotina e, se alguma doença for diagnosticada, é importante iniciar o tratamento antes da gravidez ou controlar adequadamente durante a gestação.

Com 12 anos de experiência profissional, o médico ginecologista e obstetra, Giovani Baldissera, atua nas Unidades de Saúde de Anta Gorda e Ilópolis, e mantém consultórios em Anta Gorda e Arvorezinha. Ele enaltece a importância de a mulher cuidar de sua saúde e da do bebê, antes mesmo de gerá-lo. “Por isso, sempre destacamos a importância do pré-natal, afinal, a natalidade não é só quando o bebê nasce. Temos sempre que lembrar da relevância dos fatores que já estão inerentes na saúde da mulher, sempre prévios a concepção do bebê”, inicia.

Você sabe o que é epigenética?

De acordo com o médico, quanto mais se evolui dentro das áreas das Ciências Biológicas, mais se agrega conhecimento. “Sabe-se que a mulher, para ser mãe, primeiramente deve ter uma saúde boa, com funções hepáticas e renais funcionando bem, glicemia e pressão controladas, dentre outros vários fatores. Nós sempre fizemos essa avaliação prévia, para que quando ela se torne mãe, conceba o embrião com o organismo o mais saudável possível para que a gestação seja segura”, salienta.

Ele segue: “Hoje em dia temos um tópico que chamamos de epigenética (ciência que busca compreender as mudanças reversíveis na expressão gênica, ou seja, os componentes que podem modificar como os genes são lidos sem alterar a sequência de nucleotídeos do DNA). Depois do advento do estudo do genoma humano, que terminou em torno de 2004, sabe-se que os genes podem estar ativos, mas podem estar latentes. Então, tem fatores de risco que fazem com que esses genes que são ruins, se ativem. Assim, conseguimos de uma forma ou outra, através desses fatores, inibir os genes. Durante o preparo para a gestação, isso se torna bastante interessante”, destaca.

Segundo ele, outra questão que precisa ser avaliada é a das vitaminas. “A importância é tão grande que a primeira coisa quando a mulher se torna gestante é ingerir o ácido fólico, mas ninguém sabe que 30% das pessoas tem um polimorfismo genético que não converte ácido fólico na forma ativa, que é o que vai proteger e dar a boa formação do tubo neural da criança. É, aquela questão de que ‘comer bastante não é comer bem’. São fatores intrínsecos de cada pessoa”, frisa ao acrescentar: “A grande relação da depressão pós-parto é com a baixa taxa de vitamina D e complexo B no organismo da mulher”.

A medicina do futuro

Baldissera relata que as gestantes e futuras gestantes tem procurado muito atendimento, porém é importante que os profissionais estejam atentos se o que é oferecido tem realmente a função de prevenção. “É aí que entra a chamada ‘medicina do futuro’ que é onde você avalia as condições necessárias do paciente, propriamente. Também é chamada de medicina de precisão, pois as doenças se manifestam de formas diferentes em cada organismo. Da mesma forma funciona a obstetrícia. Ela precisa ter precisão porque vai estar influenciando na formação dos genes. Não é um tratamento ou uma forma de abordagem que exclui os outros. Elas se somam. A medicina de precisão vem para preencher um vácuo que existia na obstetrícia”, pontua.

“Os tópicos da moda”

O profissional cita a nutrologia e a medicina integrativa como “tópicos da moda”. “E a obstetrícia de precisão é um acumulado disso tudo, pois ela é integrativa. Essa questão tem que ser levada para a população pela relevância que ela tem, pois não adianta a gente saber que as coisas estão evoluindo, mas não as tornar aplicáveis na vida. É a reprodutibilidade que vai fazer com que haja alguma ação na vida cotidiana das pessoas. Precisamos trazer para a vida real isso tudo que está sendo abordado, pois traz um efeito prático absurdo na prevenção de problemas durante a gestação”, declarou.

Ele ainda enfatiza a importância de a mulher se sentir segura com seu(ua) obstetra. “E é importante que essa nova abordagem seja feita pelo profissional, ou no mínimo, oferecida. É uma abordagem bastante evoluída, que é feita também nos grandes centros”, salienta.

Centralização dos partos

O médico ressalta que muitas coisas evoluíram na área da obstetrícia. “Mas muitas infelizmente deram para trás, como a questão da centralização dos partos. Em Anta Gorda até fecharem a sala de partos, em sete anos de obstetrícia realizamos mais 250 partos e nunca tivemos uma intercorrência. Então é difícil de a gente, mesmo com as argumentações, enxergar uma verdade nisso tudo que vem sendo dito”, lamentou.

Ele encerra se colocando à disposição das gestantes e futuras gestantes. “A consulta serve também para tirar dúvidas. Isso é prevenção, isso é amor pelos filhos que vão ser gerados. A função do médico é trazer o que tem de melhor na área da saúde, já a função da pessoa é se propor aquilo que é oferecido”, finalizou.

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