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“Eu fiquei deprimida por ver ele mal. Volta e meia eu chorava por ver ele assim”

Mãe fala da situação de racismo que seu filho sofreu na escola

Reconhecer o racismo ainda é um problema estrutural para a nossa sociedade, por isso, em cada situação devemos adotar uma postura antirracista. O passo mais importante é reconhecer que o problema existe, pois, a negação é um fator que contribui para que não sejam feitas mudanças no cenário.

Tainara dos Santos Rodrigues, moradora da cidade de Camargo, é mãe de um aluno de oito anos da rede pública de ensino, e relata que na última semana seu filho sofreu com racismo na escola, sendo chamado de “macaco” por uma colega, enquanto outros riam. O fato deixou o menor inconsolável, por não entender o que estava acontecendo, mas a atitude da escola também surpreendeu a mãe.

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“Após o ocorrido não houve nenhuma atitude por parte da escola, nenhum tipo de assistência. A ata escolar só foi registrada cinco dias após o ocorrido, pois eu exigi que fosse feita. Não houve nenhuma medida disciplinar para a menor, nem uma advertência escrita ou algo assim”, fala a mãe.

 Tainara quer proteger o filho, mas também quer justiça

Após saber do que havia acontecido na escola, a mãe começou a buscar meios de ajudar o filho. “Eu fiquei muito abalada, no dia em que havíamos marcado uma reunião, entre mim e a mãe da menina, ninguém apareceu. Nesse momento pedi que a diretora fizesse a ata mesmo assim. E lá ela relatou o ocorrido, contando para quem meu filho fez a queixa, que foi uma orientadora, que lhe ouviu e levou o caso para a diretora”, explica Tainara.

“Sei que culpa não é da menina, mas sim dos responsáveis, por que atitudes assim se aprendem em casa. Minha intenção não é expor nenhuma família, mas sim proteger o meu filho. Existe lei, meu filho foi humilhado, sendo chamado de nomes na frente de outros colegas, que riram dele. Sempre o ensinei sobre o que poderia passar por ser negro, mas com apenas oito anos ele passar por isso? Isso machuca, magoa, dói, e eu como mãe me sinto muito mal de ver ele assim”, fala emocionada.

 “Final de semana foi um dos mais tristes”

Tainara relata que os últimos dias têm sido muito tristes para a sua família, pois o filho chora e não entende o que aconteceu, o porquê a colega lhe tratou de tal forma.

“Deito um pouco com meu filho antes de dormir e sempre conversamos. O final de semana foi um dos mais tristes, ele estava triste e chorava muito quando perguntavam para ele o que aconteceu. Eu fiquei deprimida por ver ele mal. Volta e meia eu também chorava por ver ele assim”, fala a mãe.

Ela continua: “Estou correndo atrás dos direitos do meu filho, já acionamos uma advogada, e com uma muita vergonha, fiz um vídeo para as redes sociais contando o que ocorreu para que todos soubessem disso, e pedi respeito para as nossas crianças, para que os pais tenham consciência do que falam e ensinam aos filhos”, finaliza Tainara.

A posição da Administração e da Secretaria de Educação

Na manhã de quinta-feira, 26 de maio, a Secretaria de Educação do Município de Camargo emitiu uma nota de esclarecimento referente ao ocorrido na escola, informando que está tomando todas as medidas cabíveis para a resolução do caso.

“A Administração Pública do Município de Camargo repudia toda e qualquer forma de exposição do ambiente escolar sobre fatos que não condizem com a verdade, bem como manifestações de agressividade que desestabilizam o bom andamento do trabalho desenvolvido pelos profissionais da educação.

(…) Além disso, os profissionais da educação foram orientados a trabalhar questões relativas ao respeito entre as pessoas, a função da escola, bem como a função da família. Também será disponibilizado atendimento psicológico para as crianças ao retornarem para a escola. As medidas adotadas imediatamente dentro do ambiente escolar tiveram a finalidade de resolução do conflito, a fim de evitar a exposição, visto que se trata de crianças”.

Acesse a nota de esclarecimento completa através do link https://www.facebook.com/100064289335259/posts/374720781347563/

 

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