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Aumenta o consumo de álcool e drogas entre os jovens na pandemia

Diversos fatores são apontados como causas do aumento do consumo de drogas lícitas e ilícitas pelos jovens

A pandemia do novo coronavírus trouxe diversas mudanças sociais, comportamentais e emocionais em toda população mundial. O distanciamento social tem gerado diferentes efeitos psicológicos nas pessoas, como ansiedade, estresse, insegurança, incerteza e solidão. Apesar dos jovens terem respeitado menos as regras de isolamento, percebe-se que está entre a juventude o maior anseio para que os eventos e festas voltem a acontecer normalmente.

Aliado a isso vem uma pressão para recuperar o “tempo perdido” em termos de entretenimento, e também no consumo de álcool de drogas.

O abuso que vem se constatando poderá se configurar em uma segunda e mais grave epidemia, a epidemia causada pela drogadição, que poderá comprometer todo o sacrifício e esforço empregado na pandemia. Mais que isso essa epidemia pode devastar o futuro de uma geração inteira, pois, o uso de drogas compromete não só a saúde, mas as relações pessoais, de trabalho, o sistema cognitivo, e transforma os usuários em pessoas a margem da sociedade.

O prejuízo causado pelas drogas e pelo álcool talvez não seja perceptível hoje, mas no futuro quando faltarão profissionais nas mais diferentes áreas é que a sociedade vai perceber o efeito devastador dos seus efeitos, visto que ao perder a capacidade cognitiva e se afastar de estudos e trabalho, jovens que poderiam se tornar, médicos, dentistas, advogados, mecânicos, empresários, entre outros, deixarão uma lacuna que não será preenchida.

De acordo com uma pesquisa realizada em 26 Estados e no Distrito Federal, entre os jovens de 16 a 34 anos o consumo aumentou, diferentemente das outras faixas etárias. A pesquisa mostra que o maior percentual entre os que aumentaram o consumo está na faixa etária de 16 a 24 anos, em um percentual de 24,5%, seguido dos que têm de 25 a 34 anos, com um aumento de 22,4%.

 Causas e consequências  

De acordo com o consultor em dependência química e assistente social, Eduardo Augusto Fagundes Kauffmann, as causas para o consumo de álcool e drogas são variadas. “Em primeiro lugar a questão é cultural, somos uma sociedade que bebe, bebe muito, para tudo, para socializar, para festejar, para descontrair. Assim como tudo na vida, o uso de bebida alcoólica é um aprendizado, nossos jovens aprendem a beber, salvo raras exceções, dentro de casa com seus familiares. Junto a isso há a falta de execução das leis que regulam o consumo de bebidas alcóolicas por menores de 18 anos e também a perda de controle social dos pais para com seus filhos. Vivemos em tempos onde os pais obedecem aos filhos”.

O terapeuta comenta também sobre o consumo de drogas entre os jovens e aponta alguns fatores que facilitam esse desajuste, seja pelas drogas ou pelo álcool. “Mais do que nunca as drogas ilícitas estão sendo consumidas por nossa juventude. O que fazer para evitar isso? Muito complexo e de longo caminho o percurso a ser desenvolvido para ao menos amenizar todo esse problema. Podemos começar dando o exemplo, e aí já entramos em outra questão problemática, teremos que mudar nosso próprio comportamento, não sendo tão permissivos ao consumo das drogas licitas, álcool, tabaco e medicamentos de forma não indicada. A partir desse ponto, criar políticas públicas eficientes de combate ao consumo de álcool, tabaco e outras drogas”.

Ele completa: “Os jovens frequentam a noite e festas cada vez mais cedo. Esse descontrole social na adolescência, momento crucial do desenvolvimento humano, onde o cérebro está ainda em formação e o indivíduo não possui condições neuropsicológicas para tomada de decisões importantes em suas vidas é algo que eleva o consumo de substâncias psicoativas, popularmente conhecidas como drogas”.

Para Kauffmann, a pandemia potencializou o consumo de drogas lícitas e ilícitas. Ele afirma que os pais devem ser mais presentes e agir com firmeza. “Existe um efeito de manada represada muito grande, de proporção ainda não mensurada. Nós, profissionais da área de saúde que atuamos na dependência química, estamos muito preocupados com o que vem por aí, pesquisas já comprovam o aumento de consumo de álcool, tabaco e outras drogas em nossa sociedade. Vejo que os pais devem agir como pais, ter o controle social de seus filhos, impor limites muito mais pelo exemplo do que pelo discurso, estarem presentes no dia a dia de seus filhos não só economicamente, mas afetiva e emocionalmente”.

O profissional atua como terapeuta há 21 anos e comenta sobre a maneira de tratar os dependentes, mas ressalta a importância de prevenir. “Para tratar devemos acolher e procurar ajuda profissional, não ver a situação como algo ligado a moralidade. O uso, abuso de álcool, tabaco e outras drogas pode se tornar uma doença muito grave e como tal deve ser tratada. Mas, além de ofertar tratamento, teremos de pensar na prevenção, para que consigamos fazer com que menos pessoas iniciem no consumo de substâncias psicoativas”.

Venda proibida para menores

Para a delegada regional Fabiane Bittencourt, a liberação de alguns eventos também causa o aumento do consumo de álcool entre os jovens. “Percebemos que com a mudança das portarias, permitindo festas, um grande número de pessoas e em especial os jovens têm voltado às atividades, principalmente noturnas. Em razão disso então a gente tem percebido um aumento considerável do número de jovens nas ruas, e com isso consequentemente também tem aumentado principalmente o consumo de álcool”.

A delegada fala também da proibição da venda de álcool para menores de 18 anos. “É importante esclarecer que vender bebida alcoólica para menor de 18 anos é crime e é um crime grave. Dentro da nossa legislação penal, quem for flagrado realizando a venda de bebida para menores pode inclusive ser preso em flagrante pela polícia. É muito importante que os estabelecimentos comerciais e as pessoas que tem promovido esses eventos fiquem muito atentas a essa situação, porque isso pode ter uma repercussão negativa do ponto de vista criminal”.

Ela acrescenta: “Fora isso é muito importante que as famílias, que os pais monitorem seus filhos, porque justamente em vista dessa ansiedade que está se tendo de voltar a frequentar as atividades noturnas, as festas, os jovens têm saído de casa e muitas vezes as famílias não tem tido esse gerenciamento, esse controle com relação aos filhos. Penso que é fundamental que os pais acompanhem a esse retorno gradativo dos jovens, às atividades noturnas, e fiscalizem justamente a questão do uso do álcool, do consumo de drogas”.

Para finalizar, Fabiane salienta que a responsabilidade das famílias é importante neste contexto. “ A família tem uma responsabilidade muito grande nesse contexto e é importante que os pais então fiscalizem, vigiem os seus filhos, pois além dessa possibilidade de consumir álcool e drogas nas ruas, podem inclusive acabar se envolvendo em outras situações como acidentes de trânsito em razão do uso de álcool, que é uma realidade muito comum no nosso País. Os pais têm que estar atentos a essas situações para que a gente evite que crimes e situações graves aconteçam com os nossos jovens”.

Delegada fala da responsabilidade de quem vende bebida alcoólica

Para terapeuta o consumo de álcool é também uma questão cultural

 

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