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Aumento do valor da erva-mate impulsiona o plantio

Baldo não vai comprar erva-mate na região desta safra

O aumento da exportação e do consumo interno e a estiagem nos últimos dois anos resultaram na elevação do valor da arroba.

A erva-mate, cultura tradicional na região alta do Vale do Taquari, em especial em Arvorezinha e Ilópolis, cada vez mais tem recebido novos investimentos. Na região, de acordo com o técnico da Emater de Ilópolis, Cleber Shuster, existem mais de cem indústrias ervateiras.

Shuster acredita que a expansão na área plantada de erva-mate na região, nos últimos dois anos, pode chegar a mil hectares. “Levando em conta que aproximadamente três milhões de mudas foram produzidas na região, o aumento de área cultivada pode ser de até mil hectares. Claro que temos que considerar as que foram vendidas para fora e as de adensamento e replantio”.

Para Shuster, a erva-mate é uma cultura que é benéfica em muitos aspectos. “Eu não acredito que a cultura da erva-mate vá se expandir para outras regiões, vai ficar por aqui mesmo, cada região tem a sua vocação. Mas a erva-mate é uma cultura benéfica economicamente, e também é uma cultura que preserva o solo, não tem problemas com erosão. É benéfica economicamente e socialmente, pois gera muitos empregos”.

Já para o técnico da Emater de Arvorezinha, Julio Marcon, mais que a quantidade, os produtores devem se preocupar com a qualidade da matéria-prima. “O cultivo da erva-mate está sim aumentado, também em virtude dos valores praticados. Em Arvorezinha, nesses últimos dois anos, acredito que o aumento chegou a 300 hectares. Mas, outro ponto que tem que se levar em consideração nestes momentos é melhorar o produto erva-mate, agregar valor para que no excesso de matéria-prima você tenha diferencial”.

 

Valores praticados e monocultura

Na região alta do Vale do Taquari, o valor médio pago por arroba de erva-mate varia entre R$ 21 e R$ 26. Para o agrônomo da Emater, Ilvandro Barreto de Mello, o valor pago hoje não pode ser considerado recorde, mas está em alta. “Os preços pagos pela folha da erva-mate estão em um patamar de alta, mas não necessariamente são recordes. De maneira geral, historicamente, variam entre US$ 3 a 5 por arroba. Então, considerando isso, estão dentro de uma faixa de normalidade. A situação atual é marcada por um maior equilíbrio entre a oferta e a demanda. Em anos anteriores, a oferta estava muito acima da procura pelo produto. Esse status atual é um reflexo da redução da produtividade dos ervais, provocada pela estiagem nas safras 2019/2020 e 2020/2021, principalmente. Além de provocar um menor rendimento nos ervais, provocou maior esgotamento e estresse nas erveiras, fazendo que o efeito de menor produtividade dos ervais perdure por um espaço maior de tempo”.

De acordo com o agrônomo, existe outro fator que também contribuiu para essa alta. “A ampliação do mercado interno e da exportação também contribuiu para esse cenário, principalmente com a entrada voraz da Argentina no processo de importação da erva-mate brasileira, ajustando melhor essa relação de oferta e demanda pela matéria-prima e criando um fato novo, capaz de alterar o fluxo de mercado. Em consequência, está a manutenção do preço em patamares mais elevados”.

Os valores pagos, de acordo com Mello, tendem a se manter nesse patamar. “A tendência é de que os valores permaneçam nos patamares atuais, variando hora para cima, hora para baixo, sem grandes oscilações. Exceto em caso de uma excepcionalidade, que há horizontes próximos não se visualiza. A erva-mate tem uma base e um teto de preços, abaixo ou acima, não se viabiliza mercado duradouro ou perene. É preciso fazer ajustes e se adaptar a esse espaço intermediário. Vale para o produtor e para a indústria”.

Alguns técnicos em agricultura expressam preocupação com a expansão da cultura da erva-mate, e em especial com a monocultura, ou seja, com os produtores que investem apenas na erva-mate. Mello ressalta que quando se trabalha apenas com uma cultura, o produtor deve produzir dentro de todas as normas para garantir o seu lucro. “Essa é uma relação muito discutida. Ser generalista ou especialista? Quando se trabalha com apenas uma atividade, é necessário ser extremamente assertivo para evitar situações que causem prejuízos irrecuperáveis. Quando se usa diversificação é preciso ter cuidado de como administrar toda essa diversidade em grau de conhecimento, uso racional de mão de obra e qualidade de produtos ou serviços prestados. A diversificação excessiva pode comprometer a especialidade e a perfeição do produto fim”.

Ele ressalta que a cultura da erva-mate oferece um risco baixo. “A erva-mate é uma cultura de menores riscos, se comparada a outras tradicionais, cultivadas na região. É perfeita para uso na diversificação e uma das mais seguras para uso no monocultivo, desde claro, que com planejamento e estratégias gerenciais, para uma produção adequada. O caminho é investir conforme o gosto, a aptidão do produtor e da propriedade. Ter tanta diversificação quanto puder suportar e ser tão especialista quanto o mercado exige. O equilíbrio entre esses fatores é o que determina o quanto ser generalista e o quanto ser especialista. Mais vale um especialista com risco, que consegue atender o seu mercado, que um generalista incapaz de atender as mínimas exigências e viabilidade sustentável do seu negócio. Em resumo, nos tempos de hoje é preciso fazer bem feito o que se propor a fazer”.

Mello também faz um alerta para as adequações que o Estado do Rio Grande do Sul precisa fazer. “Há necessidade do Rio Grande do Sul criar estratégias de médio prazo, para depender menos de matéria-prima de outras praças e ter uma organização mais estabilizada de sua produção, visto não ser quantitativamente autossuficiente em matéria-prima. A dependência de mercados fornecedores externos pode comprometer a indústria local por acirramento de competividade mercadológica, legislação e esgotamento natural da fonte fornecedora, pela redução de vida útil e longevidade de remanescentes nativos do extrativismo de erva-mate”.

 Baldo não comprará erva-mate

A maior exportadora de erva-mate do Brasil, a Baldo, que tem sedes em Encantado, Canoinhas, em Santa Catarina, e São Mateus do Sul e Prudentópolis, no Paraná, anuncia que não comprará erva-mate na região na safra 2021.

Os representantes da empresa foram procurados pelo Eco Regional, mas preferiram não se manifestar sobre o motivo pelo qual não irão comprar esse ano.

Em 2020, a Baldo comprou aproximadamente 5 mil toneladas de erva-mate verde de produtores do polo do Alto Taquari.

 Produtor aumenta a área plantada

O agricultor Antonio Cesar Pedrebom e sua esposa Lurdes Pedrebom, moradores da Linha Santos Filhos, em Ilópolis, trabalham com erva-mate há pelo menos 40 anos. “Somos casados há 30 anos, e antes de casar já trabalhava com a cultura. Sempre tiveram altos e baixos, mas agora está bom de trabalhar”.

O casal, que trabalha sozinho na propriedade, tem aproximadamente 20 hectares de área plantada. “Esse ano aumentamos o plantio, tinha uma área com eucaliptos que derrubamos e plantamos mais cinco mil pés de erva-mate. Mas é um bom investimento, hoje colhemos cerca de 20 mil arrobas ano, e a nossa ideia é aumentar a produção aos poucos”, conta Pedrebom.

Além de investir nessa nova área, Lurdes conta que o casal fez outro investimento para melhorar as condições de trabalho e a qualidade da erva-mate. “Compramos também um trator pequeno para fazer a limpeza do erval, assim não precisamos utilizar defensivos, isso facilita o nosso trabalho e diminui custos, além de entregarmos uma erva-mate de melhor qualidade”.

Quanto aos valores pagos pela indústria, o casal afirma que está satisfatório. “O valor pago é bom, claro que o custo de produção também é alto, mas está dando para pagar as despesas e está sobrando, não podemos nos queixar”.

Agrônomo da Emater, Ilvandro Barreto de Mello comenta sobre valor da erva-mate

Produtor de Santos Filhos amplia área de plantio da erva-mate

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