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Qualidade x quantidade

Pequenos produtores de leite buscam igualdade na comercialização do produto

Qualidade ou quantidade? Esse tem sido o tema de uma reivindicação antiga, que novamente entrou em pauta em razão da desigualdade que o pequeno produtor de leite vem sofrendo em relação ao grande produtor, a qual chega a uma diferença de até R$ 0,49 ao litro de leite comercializado aos laticínios.

Para tanto, na sexta-feira, 30, uma comissão formada pelo secretário de Agricultura de Anta Gorda, Junior Maso, que também preside a Associação dos Produtores de Leite de Anta Gorda; o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Delmar Moresco; e o produtor de leite Jose Ademar Furlanetto; esteve em Porto Alegre, na Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag) para debater sobre o assunto.

“Somos pioneiros no Estado neste movimento que começou ainda em 2016, onde buscamos o pagamento por qualidade e não por quantidade em relação ao leite. Em Porto Alegre fomos muito bem recebidos, apresentamos os números do município onde existem mais de 240 produtores de leite, porém só neste an, cerca de 30 propriedades desativaram a atividade”, lamenta Maso. “Isso não fez com que a produção diminuísse, porque os animais foram para outras propriedades e seguem produzindo, mas reduziu-se o número de famílias empregadas”, complementa o secretário.

 

“Como ainda temos cerca de 200 propriedades de pequenos produtores em Anta Gorda, vamos lutar por elas”

Conforme ele, além de um preço igualitário pago ao pequeno e ao grande produtor, outro intuito com a reivindicação é combater o êxodo rural. “Como ainda temos cerca de 200 propriedades de pequenos produtores em Anta Gorda produzindo leite, vamos lutar por elas, mas para isso precisamos de igualdade de preço. Penso que é muito mais válido 200 propriedades ativas, com a atuação de famílias inteiras, do que termos só dez grandes propriedades”, considera.

“Não queremos acabar com o grande produtor. Queremos um meio termo. Hoje entre um produtor de 50 mil litros de leite e um de 1 mil litros há uma diferença de R$ 0,49 pago ao litro, sendo que o leite é o mesmo, com os mesmos parâmetros de qualidade. Cabe frisar ainda que os pequenos produtores representam cerca de 80% do município não só em negócios, mas como consumidores também”, destaca Maso.

Conforme ele, uma audiência está marcada para este mês de agosto com a Comissão do Leite na Fetag, para tratar do assunto. “Acredito que vamos ter sucesso na nossa aclamação. Falamos de Anta Gorda, mas o Estado e o país estão na mesma situação”, salientou.

O secretário revela ainda que a Pasta já está trabalhando junto ao STR, ao Senar e ao Sebrae, para buscar cursos a serem ofertados aos produtores. “Primeiramente será um de prevenção de acidentes, que têm se tornado comuns na região. Depois vamos começar a focar na sucessão rural, gerenciamento, gestão de empresas, enfim. Eu tive a oportunidade de fazer esses cursos e quero poder dar essa mesma oportunidade a outras pessoas. Uma das principais propostas da Administração Municipal dentro da Agricultura é qualificar os jovens para eles assumirem as propriedades, o que é um grande desafio, já que o êxodo rural está muito grande”, declarou.

Já Moresco falou da atuação do STR frente à demanda dos pequenos produtores. “O STR não é defensor só do pequeno, trabalhamos para todos e buscamos um preço justo. Não queremos baixar o preço do leite pago a nenhum produtor, queremos que ele seja pago pela qualidade. O leite é o único produto agrícola que é pago por quantidade, o que é muito injusto”, frisou o presidente do STR.

 

Custos de produção também estão na balança

Presente na reunião, o vice-presidente da Fetag, Eugenio Zanetti, colocou: “Entendemos que o preço pago ao produtor pela quantidade não é justo, porque os custos de produção vêm subindo consideravelmente. Somente nos últimos dois meses o adubo, que é um dos principais insumos da nossa agricultura, aumentou mais de 23%”, ressalta.

“Estamos discutindo estratégias para tentar amenizar essa perda que o produtor de leite está tendo e quem sabe no futuro adotarmos estratégias para diminuir essa diferença do preço pago ao pequeno produtor em relação ao grande. Ainda, visando o cenário nacional, viemos trabalhando muito forte para conter principalmente as importações de leite, porque não há excedente na produção interna do país. Se conseguirmos conte-las quem sabe teremos um preço muito mais justo pago ao produtor. Hoje o consumidor final está pagando um preço muito elevado e produtor recebendo um preço muito baixo. Precisamos encurtar essa distância”, enfatizou.

O deputado estadual Elton Weber, em sua entrevista, abordou sobre o aumento dos insumos. “Há muita preocupação por parte dos agricultores com o plantio da próxima safra, em razão do alto preço dos insumos, especialmente dos adubos. Os custos de produção aumentaram muito e precisamos discutir esse assunto, porque ele impacta também no próprio financiamento do Plano Safra, no que diz respeito ao volume de recursos a serem financiados pelo Pronaf para a agricultura familiar. Com o aumento dos custos de produção também é necessário que tenhamos maior volume de recursos por financiamento para cada agricultor porque ainda não sabemos como serão os preços para a próxima safra”, disse.

“Além disso, nas duas últimas semanas estivemos visitando inúmeros municípios do nosso Estado e vimos a preocupação com a questão do clima, principalmente em razão da estiagem que tem acontecido nos últimos anos, especialmente na ultima safra de milho. Precisamos nos preparar melhor para esses problemas que podem causar prejuízos aos produtores. Diante disso, há alguns meses entregamos ao governador do Estado junto à Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembleia Legislativa, uma proposta de criação de uma lei onde está incluída a abertura de reservatórios nas propriedades para que tenhamos uma política voltada a cumprir essa necessidade quando houver estiagem. Penso que podem ser colocados recursos da venda da Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE) e das estatais para esse tipo de programa”, colocou.

 

Imposto de renda

Já o deputado Heitor Schuch levantou outra problemática dos produtores de leite. “Há ainda uma grande preocupação com o imposto de renda que hoje faz com que os agricultores, mesmo com áreas pequenas de terra, caiam nele. Por isso, vamos propor um novo enquadramento”, afirmou.

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