Clima prejudica erval, mas aumenta valores e ajuda produtores

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Juliano de Lima Taborda cultiva erva-mate nativa há oito anos

Geada seguida de estiagem e, agora, excesso de chuva prejudicando a colheita fazem com que a produção diminua e o preço aumente

Há dez anos na produção de erva-mate, Margarete Pedroso dos Santos vê com bons olhos o momento para quem atua no setor. Na propriedade, com cerca de 30 mil pés da planta símbolo da região, colhe, semanalmente, 500 arrobas e percebe o aumento do valor pago pelo produto. Atualmente está em torno de R$ 15 e com a expectativa de que suba ainda mais. Bom para Margarete e bom para os tarefeiros que trabalham com ela. Seis pessoas atuam para garantir a colheita.

Os bons resultados começam a ser percebidos em toda a cadeia produtiva, com valores pagos ao produtor variando entre R$ 12 e R$ 26, no Brasil. O destaque, de acordo com o presidente do Instituto Brasileiro da Erva-Mate (Ibramate), Alberto Tomelero, é para o Paraná, que tem grande quantidade de erva sombreada, o que aumenta a qualidade, mas torna mais lenta a produção. “Tem muita empresa gaúcha buscando, lá, para misturar com a nossa e agregar qualidade ao sabor”, afirma.

Esta busca faz com que a lei da oferta e da procura torne ainda mais caro o produto para quem adquire no Paraná. Existe menor quantidade de erva para maior número de compradores, além de adquirirem em maiores cargas. “A procura foi maior para a exportação, fazendo com que o produto ficasse escasso para o mercado interno”, acrescenta.

As condições de mercado se somam a fatores que estão além do controle dos integrantes da cadeia produtiva: o clima. Tomelero recorda que nos últimos anos foi registrada uma forte formação de geada, seguida de estiagem, em 2017, e, agora, o excesso de chuva, em especial nos últimos dois meses, que atrapalha a colheita. A isto se acrescenta o fato de que a produção entra em período de entressafra, com brotação dificultando a colheita. “Em área que não é sombreada – e aqui na região temos muita – se perde muito do que é retirado da lavoura”, explica. Onde tem maior quantidade de sombra, há menos brotos e melhores resultados, nesta época. A previsão é de que em 60 dias esta brotação possa estar apta para colheita.

 

Retirada

O arranquio também preocupa as entidades do setor produtivo. Mesmo havendo um programa de incentivo para a melhoria da qualidade da erva, com equipe treinada pela Emater/RS-Ascar para orientar o produtor, muitos têm arrancado os ervais e plantado outros cultivares, como soja, especialmente, onde se consegue fazer o uso de equipamentos mecânicos para a plantação e colheita.

Consorciar outro cultivar com a erva-mate, conta Tomelero, é possível apenas nos primeiros anos, quando a planta ainda não tem tamanho avançado. “Neste período dá para incrementar, na mesma área, como milho e feijão, ampliando a rentabilidade em um mesmo espaço. Depois, complica, porque fica sombreado”, exemplifica. Mesmo assim, em pequenas propriedades, com dez hectares, por exemplo, já seria possível sobreviver com a erva-mate. “Para soja, por exemplo, seriam necessários, pelo menos, 30 hectares para se obter resultado positivo”, conta.

Mesmo com a redução da produção, tanto pelas condições climáticas, quanto pelo arranquio, ainda é percebido o interesse dos gaúchos em se manter no setor de forma forte. Neste ano, enfatiza Tomelero, faltaram mudas no mercado. “Isto quer dizer que mais adiante teremos o retorno da produção, mas isto demora um pouco”, destaca. São pelo menos cinco anos para se conseguir colheita satisfatória.

 

Custeio

A produção da erva-mate é tida pelo presidente do Ibramate como uma das melhores opções para quem pratica agricultura familiar. Os valores pagos para o produtor, por mais que tenham se mantido em patamares reduzidos, são satisfatórios, se comparados com outras plantações. Os maiores custos acabam sendo direcionados para a mão de obra e entrega. Representam 40% do custeio. “Quem investe mais na propriedade consegue maior rentabilidade”, acrescenta.

A manutenção, com aplicação de insumos para tornar a terra mais produtiva, é variável. Depende da área em que é plantada – se for em local sombreado, recebe adubação natural – e de como se porta o solo, diante do tipo de planta. Em alguns casos, há um aumento do custo para esta área, em outros pode ser mais reduzido.

Toda esta variação, de acordo com o presidente do Ibramate, já pode ser percebida nas prateleiras dos supermercados. O quilo da erva estaria variando de R$ 10 a R$ 12, de acordo com a marca e a tipagem.

 

R$ 15 na região

Em Nova Alvorada, Juliano de Lima Taborda trabalha com erva-mate nativa há sete anos. O plantio é realizado em cerca de 20 hectares, nas linhas Posse Taborda e Borelli. A comercialização chega a 250 arrobas por semana e hoje, a erva-mate é vendida a R$ 15 a arroba. “A nossa expectativa é de que chegue a R$ 18”, conclui.

Tomelero acredita que não vai se repetir o desempenho de anos anteriores. “Daquela vez, muitos ervais foram abandonados, houve estiagem e a produção foi prejudicada em cerca de 35%, além da corrida para exportação”, recorda.

Com o transporte, mão de obra é o maior custo do produtor, chegando a 40% do valor recebido
Margarete dos Santos acredita em aumento do preço para o produtor

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