Estiagem faz com que agricultores acionem o Proagro

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Perdas em diversas culturas interferiram na rentabilidade do produtor que viu no custeio a solução

Por Rafaela Taietti Bona

A falta de chuva e clima seco atingem o Rio Grande do Sul desde o mês de outubro de 2019. O Estado enfrenta uma das piores estiagens dos últimos 40 anos. Atravessando um dos momentos mais delicados na agricultura, os rastros de prejuízos são visíveis nas lavouras.
Nos municípios de Arvorezinha, Ilópolis, Putinga, Anta Gorda, Doutor Ricardo, Itapuca, Nova Alvorada, Camargo e Fontoura Xavier, as perdas chegam a aproximadamente 100% em algumas lavouras, principalmente na cultura do milho, o que fez com que os produtores acionassem o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).
O Proagro é um programa do Governo Federal que garante o pagamento de financiamentos rurais de custeio agrícola quando a lavoura amparada tiver sua receita reduzida em virtude de eventos climáticos ou pragas e doenças sem controle, ele tem como foco principalmente os pequenos e os médios produtores.
O extensionista da Emater/RS- Ascar, Julio Marcon, explica ao produtor sobre o custeio: “O produtor que fizer o custeio de milho, soja ou erva-mate, o Proagro é automático, contratando o programa ele já está dentro da operação, porém para poder acionar ele deve ter no mínimo 30% de perda na cultura, por exemplo, se na cultura do milho em um hectare, a estimativa era colher cem sacas e depois do sinistro ele tiver colhido 70 sacas ou menos, ele pode acionar o programa”.
Tendo uma série de exigências que o produtor deve seguir para estar dentro dos padrões de custeio, Julio ressalta: “Além de o agricultor ter a perda mínima de 30%, ele tem que ter em mãos todas as notas de produtos e insumos que precisou para a lavoura, como notas de veneno, inseticidas, adubo, enfim todos os gastos que ele teve, lembrando que as mesmas devem estar em nome do titular do custeio, e também ter feito o plantio dentro da área de croqui, que é a área planejada no momento da contratação do programa, se o produtor plantar fora do croqui ou não tiver dentro dos outros padrões ele não se encaixa nos padrões do Proagro e o pedido será indeferido”.
Tendo todos os requisitos para fazer o acionamento do programa, o produtor deve seguir até a agência bancária que fez sua contratação e pedir para fazer o COP. Em seguida a agência encaminha o pedido para o perito. “Quando o perito visitar a lavoura ele pode fazer um laudo único, ou fazer dois laudos, um preliminar e um laudo final. Quando a cultura estiver perto da colheita ou em processo de maturação, poderá ser feita a visita única, caso o Proagro for acionado, mas não estiver na fase de colheita e sim na fase de crescimento vegetativo, o perito provavelmente fará dois laudos, um no acionamento e outro na colheita”, salienta Julio.
Não tendo previsão de chuva para os próximos dias, a preocupação perante a produção aumenta. “Isso agrava a produção principalmente de soja e milho que têm uma boa parte do plantio na fase de enchimento de grãos, esperamos que essa situação se reverta, caso contrário teremos uma perda ainda maior”, finaliza o extensionista.

Relação de perdas
e acionamentos

Arvorezinha
Os acionamentos para o Proagro em Arvorezinha devem aumentar nos próximos dias, segundo o extensionista Julio Marcon, já que muitos produtores estão fazendo a colheita agora. “Fizemos uma reunião sobre as perdas. Nela estiveram presentes extensionista da Emater, Secretaria de Agricultura, técnicos de empresas fumageiras, Secretaria de Assistência Social, fizemos um levantamento e definimos algumas perdas, como milho grão e silagem 40%, na soja, estimamos uma média de 50%, uva 30%, tabaco 30% que no caso do tabaco não é apenas perda na produção e sim na qualidade, na erva-mate 30%, no leite 40%, já que a qualidade está comprometida, devido as pastagens e a silagem perderem produção e ter baixa qualidade. Tivemos mais de cem contatos referentes às perdas, desses muitos pedindo informações sobre o programa, mas muitos deles desistem depois de explicamos como realmente ele funciona”, pontua.

Camargo
Em Camargo, a Emater emitiu 30 perícias de Proagro quanto às culturas de inverno, que foram afetadas pelo excesso de chuva e o vendaval que atingiu Camargo no final de outubro.
Neste ano, já foram realizados 23 Poagros sobre a cultura de milho atingida pela estiagem e 28 de soja, sendo que a maioria das lavouras foi afetada pelo granizo em fevereiro.
Ainda, conforme a Emater, as estimativas de perdas chegam a 70% de milho e 40% de soja. “Aqui no município, os Proagros acionados até o momento são, principalmente, em virtude do granizo. Pela estiagem ainda são poucas as solicitações, devido ao preço da saca da soja estar com um preço que consegue pagar os custos da lavoura”.

Nova Alvorada
Em Nova Alvorada, poucos Proagros foram viabilizados no período de outubro de 2019.
No momento os produtores procuram a Emater para esclarecer dúvidas e ver a viabilidade para acionar ou não o Proagro. “Na maioria dos casos, os agricultores acabam não encaminhando, pois o valor da saca de soja está alto, então qualquer pouco que produz empata com o valor do financiamento e acaba não tendo cobertura de Proagro”, informou o técnico Romeu Deon.
Conforme Deon, a situação dos produtores de soja é delicada, em virtude de terem uma produtividade baixa e dificuldade até para a cobertura do Proagro, devido ao preço da saca de soja estar bom.
Ainda, de acordo com Deon, o agricultor deve fazer um levantamento da produtividade e cálculo da viabilidade, antes de encaminhar o comunicado de ocorrência de perdas. “Caso indeferido o pedido, há o custo da perícia. No entanto, caso a produtividade seja insuficiente, o agricultor deve encaminhar a solicitação, afinal é um direto seu”.

Itapuca
Até o fechamento desta edição, a Emater de Itapuca não forneceu dados referentes ao acionamento de Proagro.

Putinga
Em Putinga 58 acionamentos foram feitos. O levantamento da Emater aponta uma perda de 50% na cultura do milho, 60% milho silagem, 60% soja, 35% fumo, 30% erva-mate, uva 20% e 40% no leite.

Anta Gorda
No município de Anta Gorda até momento 120 acionamentos foram feitos aonde este número tende a aumentar devido a situação em que as culturas se encontram.

Fontoura Xavier
Os casos estão aumentando consideravelmente em Fontoura Xavier, segundo o extensionista Rodrigo Pommer. “No momento a cultura que mais estamos tendo pedidos é a de milho já que ela pode ser avaliada antes da colheita, já no caso da soja, ela só pode ser avaliada na colheita, porém como estávamos a duas semanas sem fazer os pedidos devido a nossa mudança no conselho, os casos estão aumentando”.
Devido ao baixo custo da soja, Rodrigo faz o alerta. “Fiz o alerta aos bancos que deem uma segurada nos Proagros, principalmente na soja, devido ao custo baixo que ela tem, só deve ser acionado em casos extremos, se caso não for será negado pelo banco, será um trabalho redobrado, já que as vezes temos que emitir um novo laudo”, salienta.
“Peço que o produtor se conscientize, e avalie o próprio caso, se realmente se encaixa no custeio, do contrário, ele terá tempo perdido, gastos e no fim será negado”, finaliza o extensionista.

Doutor Ricardo
No município de Doutor Ricardo, 35 acionamentos foram feitos. O extensionista da EMATER/RS-ASCAR, Paulo Roberto Severgnini, explica sobre as estimativas. “Os acompanhamentos da produção agrícola municipal são realizados quinzenalmente, as quais são feitas as análises de produtividade, nosso último levantamento foi no dia 9 de março, onde estimamos uma perda de 45% no milho, 25% no milho silagem, 25% no leite, 25% no fumo, já na soja, não temos um estimativa, devido a colheita ter começado recentemente”.


Até o fechamento desta edição, a Emater de Itapuca não forneceu dados referentes ao acionamento de Proagro.

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