Culturas de inverno são prejudicadas por excesso de chuva

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Renato Frizon contabiliza uma perda de 70%

Em Camargo, 24 produtores acionaram Proagro

Excesso de chuva, dias nublados e fortes ventos foram as principais causas que afetaram, diretamente, o agricultor que por mais um ano, apostou em culturas de inverno e registra prejuízo.

Em Camargo, 24 produtores acionaram o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) que exonera de obrigações financeiras relativas à operação de crédito rural de custeio, cuja liquidação seja dificuldade pela ocorrência de fenômenos naturais.
De acordo com a técnica do escritório municipal da Emater, Carine Schlosser, a entidade está trabalhando nesses últimos dias com o encaminhamento do Proagro. “Como nesse ano choveu bastante, principalmente depois do dia 1º de outubro, na época do florescimento do trigo, da aveia e das principais culturas, elas acabaram sofrendo bastante e os produtores estão buscando esse seguro agrícola que todos que fazem custeio de suas lavouras tanto de inverno, quanto de verão, têm a cobertura desse seguro. Hoje, nenhum produtor planta, via Pronaf e Pronamp sem a lavoura estar assegurada”, explica.
Para acionar o Proagro, o agricultor prejudicado tem que procurar o banco que contratou o crédito e informar que terá perda.
Depois disso, o pedido é encaminhado pelo banco à Emater que faz um laudo, com fotos, medição com GPS para verificar se área financiada é a mesma que está na documentação. “São 94 itens que temos que responder. Isso inclui desde a utilização dos insumos previstos no projeto, se a lavoura está em local correto, entre outros. Com essa avaliação completa, encaminhamos para o banco que fará a análise para fazer a cobertura do seguro”, explicou, acrescentando que geralmente o agricultor recebe o valor que financiou, se possuir todas as notas. “Sabemos que alguns produtores financiam uma determinada área e cultivam mais”, disse.

Qualidade do produto
O prejuízo ao produtor não é o único fator registrado. Mesmo que consiga colher, a qualidade do grão é afetada. “O trigo que tem a maior área plantada, não atingiu o PH ideal que é 77 para mandar aos moinhos fabricarem a farinha. Ele, na verdade, está sendo destinado a ração”, contou.
Em média, os produtores que apostaram nessas culturas de inverno registraram uma perda de 50%. “Os produtores esperam colher 60 sacas por hectare, mas está dando, em média, 30”, acrescentou.

Mais prejuízo, menos procura
Esse plantio na entressafra é uma alternativa para os produtores que fazem a lavoura de inverno ter atividade secundária e fonte de renda extra, não apostando somente na soja plantada no verão.
Além de que o plantio serve para a cobertura de solo, não o deixando desprotegido. Porém, muitos estão deixando essa atividade de lado pelo grande risco de perder tudo.
Em Camargo, em relação ao último ano, houve uma queda na área plantada com cultura de inverno. “De 2017 para este ano diminuiu e acredito que para o próximo irá diminuir ainda mais”, afirmou Carine, que no último ano fez 34 perícias do Proagro, dez a mais que neste ano. “O pessoal tem investido mais na lavoura de verão, pois o clima favorece mais.”
Conforme Carine, os produtores que não apostarem na cultura de inverno, vão trabalhar com outras não comerciais que não tenham um custo muito alto. “É importante o produtor fazer a cobertura do solo, aumentando a matéria orgânica”, disse.

Áreas em números
A área de maior cultivo é a de trigo. Que, neste ano, manteve a produção da última safra que foi de 450 hectares. As expectativas são de que uma diminuição seja registrada em 2019.
A canola, que em 2017 ocupou 150 hectares, teve a aposta de apenas três produtores que plantaram 50 hectares. Em 2019, provavelmente não tenha plantio no município.
A cevada caiu em 50%. Em 2017, foram 500 hectares e neste ano apenas 250.
Mais de 70%
perdido
Um dos mais afetados pelo forte vento foi o produtor Renato Frizon, de São Pedro do Gramado. Ele financiou 24 hectares e plantou 45 de aveia.
A expectativa era 3,6 mil quilos por hectare, porém colheu apenas 900 quilos. “Tive uma perda de mais de 70%. Estava tudo bem, porém um vento forte prejudicou toda a lavoura”, disse.

Carine está fazendo análises nas propriedades

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