Dejeto de gado leiteiro se transforma em solução para agricultores gerarem energia para aviários

Nos dias atuais, não há mais espaço para o desperdício. A palavra de ordem é sustentabilidade. A prática, muito debatida nas grandes cidades, chega ao campo. Produtores buscam alternativas para diminuir a agressão ao meio ambiente e, ao mesmo tempo, reduzir o custeio da propriedade. É o caso do biodigestor. Um dos agricultores que optou pela solução econômica e ambiental é Enio Pizzi, que está implantando o projeto na Linha São Vitor, em Camargo.
A energia para os dois aviários de cem metros quadrados cada, que alojam cerca de 30 mil frangos, será produzida por meio de dejetos do gado leiteiro, que passará pelo biodigestor, onde será feito o processamento do adubo.
Atualmente, Pizzi cria 25 cabeças de gado, em sistema de semiconfinamento. Os animais produzem em torno de 300 litros de dejetos por dia, quantidade que garante a implantação do projeto. “Se, por exemplo, algum agricultor tiver menor quantidade de animais, o biodigestor será menor também. É de acordo com a quantidade de esterco”, explica.

Processo
O gás da decomposição gerado no espaço é filtrado em uma malha de ferro, armazenado na câmara e bombeado para o botijão, que também pode ser utilizado na cozinha. “Vamos usar o gás para aquecer o frango no alojamento. Mas dá para ser utilizado para aquecimento da água na estrebaria, na secagem do milho, quando está armazenado e fica úmido, entre outras utilidades”, conta Pizzi.

A ideia
O produtor de gado leiteiro e frangos ressalta que o princípio norteador para a implantação do projeto foi a questão da poluição da natureza, pois os dejetos dos bovinos ficavam expostos ao ar livre, sem utilização. Além de preservar, despertou o interesse para a implantação do biodigestor.
“Para não deixar contaminar ainda mais o meio ambiente, tomei essa iniciativa. Andei pesquisando custos para fazer só a fossa, para o esterco, e aí vi esse projeto do biodigestor. Até que certo dia fui à Emater e vi um panfleto a respeito e então entrei em contato com a Sansuy, uma empresa de japoneses, em São Paulo, e começamos a trabalhar para implantar aqui na propriedade”, conta Pizzi, que iniciou a implantação há cerca de um ano e colocará em funcionamento nos próximos dias.
O investimento do biodigestor é de R$ 55 mil. O valor foi financiado pelo Sicredi em dez anos e, segundo Pizzi, o custo-benefício é com a economia de lenha que utiliza para aquecer os frangos. “Isso somente com o gás, sem contar o adubo que se forma ali”, frisa

Opinião técnica

A bióloga Micheline de Almeida, de Arvorezinha, destaca que o biodigestor é uma alternativa para que os dejetos se tornem um amigo do produtor rural e não contaminante do meio ambiente. “A utilização de biodigestores nas propriedades é o que possibilita o reaproveitamento dos dejetos, que seria um contaminante, que o produtor teria que dar uma finalidade. Ele aproveita para gerar o gás e o adubo”, explica.
Segundo ela, os dejetos de suínos são os mais poluentes, seguido dos bovinos e aves, respectivamente. Conforme Micheline, os prejuízos causados pela falta de manejo adequado, são incalculáveis. “Esses resíduos orgânicos quando manejados e reciclados adequadamente no solo, deixam de ser poluentes e passam a ser valiosos insumos para a produção agrícola sustentável. Esse produtor está tornando a sua propriedade sustentável. O que ele estaria produzindo de contaminante de resíduo ele está invertendo para transformar em combustível e fertilizante. Se todas as propriedades fossem sustentáveis, não teríamos tanto dano ao meio ambiente”, afirma.
A médio e longo prazo, o produtor que investir em biodigestores terá três benefícios, é o que informa a bióloga. “Ele terá retorno financeiro, que melhorará a renda, pois economizará na compra de energia e adubo. Vai contribuir para o meio ambiente e estará reaproveitando um dejeto que para ele não tinha serventia alguma e teria que pagar alguém para recolher”, finaliza.

Produtor Enio Pizzi
Bióloga Micheline Almeida

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