Preço da erva-mate: Valor pago em outros estados é maior assim como o custo

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Ervais da região não costumam ser em área sombreada

A época é de oferta de matéria-prima com qualidade superior, que interessa às indústrias e aos consumidores

Que a parte alta do Vale do Taquari é o polo ervateiro gaúcho já é consenso, mas é mais do que opinião. Dados do Sindicato da Indústria do Mate do Rio Grande do Sul (Sindimate) apontam que a região é responsável por 60% da massa verde, com plantas nativas, cultivadas e boa qualidade e as medianas, atendendo, de acordo com o presidente da entidade, Álvaro Pompermayer, às predileções do mercado.
Mesmo entrando em uma época em que representa melhor qualidade e maior quantidade de produto com colocação nas indústrias, o preço deve permanecer entre R$ 10 e R$ 15 por arroba, de acordo com as características da planta. Enquanto no Rio Grande do Sul a maior parte dos ervais são em área aberta, em estados como Paraná e Santa Catarina, muitos conseguem manter em meio à mata, o que representa um bom produto, mas o aumento do custo para a colheita.
Desta forma, o valor pago ao produtor nestes locais costuma ser maior, mas a rentabilidade, acredita Pompermayer, não apresenta muita diferença. O engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar de Passo Fundo, Ilvandro Barreto de Melo, explica a variação dos valores dentro de um mesmo estado. “Quanto maior for a qualidade mais a indústria paga. Então, para o produtor ter melhores resultados ele precisa ampliar a produtividade e a qualidade. Se não fizer isto, terá um rendimento menor.”
Estes parâmetros apresentados por Melo como diferenciais são conseguidos a partir de cuidados como a observância em relação à genética da planta ao se criar um erval. “É preciso prestar atenção na questão mercadológica. Deve ser atendido o que o mercado necessita, que tipo de folha que o mercado quer”, acrescenta.

Engenheiro agrônomo Ilvandro Barreto de Melo reforça que valor varia de acordo com a qualidade

Qualificadores
Mello reforça uma tendência que deve fazer com que se aumente, ainda mais, a preocupação com a qualidade do que está sendo plantado e do que será colhido. A regulamentação 194/2016, exemplifica, determina uma série de medidas que devem ser adotadas pelas empresas, que foram chamadas de Boas Práticas de Fabricação (BPF). Dentro das orientações está a indicação de que seja comprada matéria-prima de quem mantém as Boas Práticas Agrícolas (BPA). “E cada vez mais isto é uma necessidade. A rastreabilidade do produto vai evidenciar se isto está sendo atendido. Será preciso adequação e qualificação do setor e do erval”, alerta.
A Emater gaúcha recomenda, por meio do Programa Estadual de Erva-Mate, a produção agroflorestal, que é a plantação de ervais em espaço sombreado. “Isto amplia a qualidade, com biodiversidade, apresentando bem-estar melhor para a planta e gerando mais qualidade”, afirma. No Paraná, grande parte da produção já é desta forma, permitindo boa genética mais sombra, o que gera qualidade.
O presidente do Sindimate, Pompermayer, elogia o trabalho da Emater do Rio Grande do Sul, na busca pela qualificação do setor. Ele acredita que a assessoria técnica prestada pela empresa tem representado resultados bem positivos para os ervateiros. “Tudo o que fizer bem terá resultado positivo, ainda mais com acompanhamento. A Emater tem auxiliado muito no setor, chegando os representantes de Santa Catarina e do Paraná a buscarem informações com a Emater do RS sobre como proceder.”

Valores
Enquanto no Rio Grande do Sul paga, em médio entre R$ 12 e R$ 13 pela arroba da erva-mate, em Santa Catarina este valor chega a R$ 22,5. O engenheiro agrônomo da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Gilberto Neppel, destaca que, na sua região, 90% é de erva nativa e sombreada, o que aumenta o custo para colheita. “As empresas costumam arcar com o frete, mas o tarefeiro custa em torno de R$ 5,25 por arroba. No caso da cultivada é um pouco menos, mas o valor pago ao produtor baixa para R$ 13,5 por arroba”, conta.
No Vale do Taquari, as pessoas que fazem a colheita recebem em torno de R$ 4,00 por arroba, sendo mais R$ 1,00 de investimento para o transporte, levando até as ervateiras. O produtor acaba ganhando, sem este tipo de envolvimento, em torno de R$ 8,50 por arroba. Tem o diferencial, enfatiza Álvaro Pompermayer, do fato de que, na região, é muito utilizada a mão de obra familiar ou negociação de troca de serviços com outros produtores.
E, apesar de existir uma maior oferta no período de safra, entre junho e outubro, a tendência, acredita Mello, é de que seja mantido o preço pago ao produtor, não passando dos R$ 16. “A não ser que ocorra um fenômeno, a expectativa é de que continuem os valores, mesmo o rendimento sendo ampliado, em relação aos demais períodos”, comenta. Ele diz que no período de inverno é possível se processar seis quilos de erva com uma arroba, enquanto em ouras épocas não passa de quatro.
Pompermayer entende que a aproximação de empresas como a Baldo, em período de safra, é um fator positivo para a região. “Gera estabilidade nos preços e é importante, porque estimular o produtor que tem a demanda.” Em Santa Catarina, ela também é vista como interessante para o mercado. Gilberto Neppel entende que era é uma balizadora de preços. “Eles costumam comprar no período de safra, entre junho e outubro, mas também pegam em outras.” Ele acrescenta que está sendo buscada para a região de Canoinhas um padrão de valores, a partir da Conab, como já existe em outros locais.

Álvaro Pompermayer destaca o solo da região como propício para a produção

Produção
Os três estados do Sul têm conseguido garantir boa produção de erva, embora, com objetivos diferentes. Muitos, em Santa Catarina e no Paraná não têm os ervais como principal fonte de arrecadação, dando prioridade, em pequenas propriedades para o fumo e, nas maiores, para milho e soja. Mesmo assim, em determinadas épocas do ano a oferta é suficiente. Em outras, a colheita não consegue atender todo o mercado, especialmente, quando o produtor está preparando a terra.
Álvaro Pompermayer entende que a região é privilegiada, porque tem o solo propício, o que faz com que supra a necessidade de outras áreas do Estado. “Temos que suprir áreas em que o trator venceu a erva, e temos vantagem com isto, porque há pesquisa que aponta que uma das poucas culturas que consegue manter o jovem no campo é a erva-mate.

Baldo inicia compra de erva-mate

A região tem muitas ervateiras, mas uma em especial pratica um método diferenciado na aquisição da matéria-prima. A Baldo inicia a secagem em julho e trabalha 24 horas por dia, entre segunda e sexta-feira, mantendo a produção até o final de agosto. São dois meses intensos. “A gente dá prioridade por não fazer paradas, porque isto prejudica a qualidade”, destaca o gerente comercial para a região, Valdir Pederiva.
Ele acrescenta que o preço pago deve seguir o que o mercado tem praticado, assim como a quantidade, que deve ser semelhante à média dos outros anos. A matéria-prima adquirida para secagem em Encantado é toda da região – “não é interessante que a erva transite mais de 100 quilômetros, pois pode perder qualidade, de acordo com a temperatura – , mas isto, de acordo com Pederiva, não representa mais do que 10% do que é processado pela empresa.
Em relação à qualidade, ele destaca que a empresa costuma ter uma clientela de fornecimento, que deve ser mantida. “Sempre priorizamos que o produtor tenha a sua produção limpa, gerando qualidade no produto”, destaca.

Gerente comercial da Baldo, Valdir Pederiva afirma que empresa atua em tempo integral durante a safra

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