Safra de nozes deve ser a maior dos últimos anos

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Empresa Pecanobre tem capacidade instalada para produzir 200 toneladas de noz-pecã

Existem duas cidades gaúchas que são referenciais na produção de noz-pecã: Anta Gorda e Cachoeira do Sul. Neste ano, a abertura oficial da colheita foi feita em solo cachoeirense e a expectativa é de que se obtenha uma supersafra

A família Pitol empreende no setor há cerca de 60 anos e é com propriedade que Leandro Pitol diz que há um diferencial nos resultados de 2019. “É difícil dar produção cheia nos três estados do Sul, mas neste ano aconteceu. Isto pode significar que o preço não atinja a expectativa, mas ainda ficará dentro da média, em torno de R$ 10, podendo ser R$ 2 a mais ou a menos”, destaca. Joelson Chiamulera, da Pecanobre, de Ilópolis, confirma o valor e que a empresa deverá começar a comprar de seus parceiros, a partir da segunda quinzena de maio.
Juntas, a Indústria Pitol e a Pecanobre têm capacidade instalada de industrializar 350 toneladas de noz-pecã. Há possibilidade, no entanto, que faltem empresas para absorver todo o produto de imediato. “Vai ter quem segure a colheita um mês ou dois, mas não é preciso preocupação, porque não irá sobrar produto, porque o Brasil ainda é um país importador. Consumo terá e, acredito, até faltará”, prevê Pitol.

Luizinho Pitol é um dos precursores da produção de nozes na região

Na Pecanobre está sendo reforçado o objetivo de disponibilizar um produto com ainda mais qualidade para conquistar novos mercados e reforçar os já consolidados. Atualmente, a empresa atende sete estados e acredita que ainda é possível ampliar. “Dá para citar o exemplo dado pelo prefeito de Cachoeira do Sul, na abertura do 2º Simpósio Sul-americano da Nogueira-pecã, quando falou que será colocada na merenda escolar por se tratar de uma fruta com inúmeras propriedades benéficas. Isto é uma amostra de como podemos explorar novos mercados”, diz Chiamulera. Pitol acrescenta alertando que entre 70% e 80% do público brasileiro ainda não sabe o que é noz-pecã. “Nós aqui do Sul conhecemos, porque somos produtores. É algo a ser explorado e, a médio e longo prazos, é um bom negócio.
Mercado
Existem diferentes formas de colocar o produto no mercado. Boa parte é vendida in natura, tendo como clientes confeitarias, indústrias de panificação e empórios. Outra opção é a saborizada com sal ou adocicada. Outras possibilidades de utilização estão sendo estudadas e viabilizadas pela Indústria Pitol. Está em aprimoramento o óleo de noz que, de acordo com Pitol, pode ser utilizado em saladas finas como tempero, tendo mais propriedades do que o de oliva.
Também já está em fase experimental de produção a linha de produtos cosméticos, tendo como base, a noz-pecã. Serão colocados no mercado sabonetes, esfoliantes, shampoo, cremes, entre outras opções. O visto da Prefeitura para a Pitol Cosméticos já foi dado, faltando, agora, o retorno da documentação encaminhada para a Anvisa. “Estamos com a indústria construída e produzindo para demonstração, ainda sem vender, apenas em caráter experimental”, conta.

Cosméticos à base de noz

Assistência técnica

A rentabilidade é viável, a médio e longo prazos, mas é preciso bastante trabalho e persistência. Chiamulera reforça questões que podem fazer a diferença, como a adubação correta dos pomares, as condições climáticas, com períodos adequados de frio e calor, a quantidade de chuva.
Por este motivo, a Pitol percebeu um novo espaço no mercado, o da assistência técnica. Os produtores que comprarem mudas de seu viveiro terão acompanhamento de agrônomos nos primeiros dois anos, sem custo adicional. “A partir do segundo ano, se o produtor entender ser necessário, pode assinar contrato para que a assessoria continue”, explica. Ele reforça que não pode ser feito como brincadeira, porque é um investimento alto, mas que é feito de uma só vez, além de permitir área consorciada. “Quando começamos, tínhamos vacas leiteiras junto, depois, mudamos para ovelhas e temos até hoje, em meio à produção de noz-pecã”, conta. Em relação à assessoria, fez oito meses que iniciaram e já conta com 26 clientes fixos.

Curso

Promovido pelo Núcleo de Fruticultura Irrigada do Colégio Politécnico da UFSM, será realizado nos dias 17 e 18, o curso sobre o cultivo de noz-pecã.
As aulas, entre teóricas e práticas, serão no auditório do Posto de Saúde de Anta Gorda, abordando temas como as dez técnicas para ter alta produtividade; técnicas para produzir todos os anos; técnicas para produzir a partir do terceiro ano; e as experiências do Arizona e Geórgia, nos Estados Unidos, Sonora, no México e no Chile.
Será ministrado pelo professor da UFSM, Diniz Fonza, e o doutorando da Ufpel, Rudinei de Marco. São 30 vagas em cada turma e o investimento é de R$ 70. Inscrições pelo email [email protected] e informações pelos telefones 99835-5437, 99658-7173 e 99500-3405.

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