Audiência Pública debateu situação econômica do leite

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Produtores e representantes de indústrias de toda a região participaram do evento

Mais de 250 pessoas ligadas à cadeia leiteira participaram da Audiência Pública realizada na sexta-feira, dia 27, no Clube Carlos Gomes de Anta Gorda que discutiu a atual situação econômica do leite. Ainda nesta semana o deputado federal Alceu Moreira irá protocolar em Brasília os principais assuntos e pedidos debatidos na audiência.
O evento que teve como mediador Fabrício Klein, contou com a presença de várias autoridades como a do prefeito de Anta Gorda Celso Casagrande, vereadores, presidente da FestLeite Vanderlei Moresco, presidente do STR de Anta Gorda Mauro Lui, prefeito de Putinga Claudiomiro Cenci, gerente adjunto do escritório regional da Emater Carlos Augusto Lagman, presidente da Cosuel Gilberto Piccinini, deputado Federal Alceu Moreira, secretário da Agricultura e Pesca do Estado de Santa Catarina Airton Spies, assessor técnico da Fetag Marcio Langer, secretário executivo do Sindilat Darlan Palharini, auditor fiscal agropecuário e coordenador do Programa Mais Leite Saudável Roberto Francisco Lucena (representando o MAPA), representante da Secretaria Estadual da Agricultura e Câmara Setorial do Leite Fernando Groff, e do delegado federal da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário, Marcio de Andrade Madalena.
Na ocasião o secretário da Agricultura e Pesca do Estado de Santa Catarina, Airton Spies, destacou que o Brasil já foi o maior importador de leite do mundo, mas que hoje, devido a um desiquilíbrio entre oferta e demanda a situação reverteu, fazendo o país ocupar a 5ª colocação. “Nós temos leite demais e consumo de menos. Com a crise que o país enfrenta, resultando em cerca de 14 milhões de desempregados, tivemos uma redução no consumo do leite e não tivemos a oportunidade de vendê-lo para o mercado internacional. A suinocultura, avicultura e outros setores também passaram por dificuldades, mas continuaram produzindo, gerando empregos e renda, por estarem conectados ao mercado estrangeiro”, salientou.
Conforme Spies a solução é aumentar a produção e exportar para não se afogar em leite. “O Brasil precisa fazer o dever de casa para preparar seu setor lácteo para ser competitivo internacionalmente. Quando tivermos leite de alta qualidade produzido a custo competitivo e organizado numa cadeia produtiva com logística eficiente, nós não só vamos conquistar o mercado, mas vamos conseguir rechaçar as importações”, destaca.
A região Sul já produz 38% do leite brasileiro mesmo tendo só 15% da população. “Daqui a cinco anos estaremos produzindo a metade do leite brasileiro, pois enquanto a produção cresce aqui, diminui em São Paulo por exemplo”, ressaltou o secretário.
Em 10 anos, de 2006 a 2016, o Rio Grande do Sul cresceu 40% em sua participação no total do leite brasileiro. Em Santa Catarina o crescimento foi de 6,7% para 9,3% e no Paraná de 10% para 14%. Já no país a produção de leite cresceu em 4% desde 1990, enquanto o consumo aumentou apenas 2%.

Aliança Láctea Sul Brasileira
Spies destaca que para resolver problemas comuns relacionados a cadeia leiteira foi criada a Aliança Láctea Sul Brasileira. “A Aliança Láctea é uma iniciativa dos três estados do Sul para desenvolver a cadeia produtiva do leite na região. Com problemas e oportunidades comuns, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul se unem em um fórum permanente que congrega produtores, governo e indústrias em busca de um desenvolvimento harmônico do setor. Queremos atuar de forma conjunta para resolver esses problemas atuando em cinco eixos: assistência técnica aos produtores; geração de conhecimento e pesquisa; sanidade; melhora na cadeia produtiva industrial e tributária”, frisou o secretário.

Preocupação com a rentabilidade
O presidente da Cosuel, Gilberto Piccinini, afirmou que o leite tem sido uma preocupação constante com relação à rentabilidade para o produtor e para a indústria. “Nós estamos vivendo uma situação econômica no país bastante difícil onde temos custos e taxas de juros elevadas e isso faz com que o produtor e as indústrias sintam fortemente a rentabilidade e a viabilidade econômica do setor. Nós apostamos sempre nos investimentos que o produtor faz, mas agora é hora de fazer gestão de custos. Esta audiência pública foi de extrema importância haja vista as autoridades presentes para debater a questão. Leite se faz com políticas públicas e setoriais”, enalteceu.
O leite é o produto que gera mais renda para o município de Anta Gorda. Atualmente são 279 produtores que entregam o leite para os laticínios, cerca de 70 famílias que comercializam o leite através do queijo colonial, e mais de 100 famílias que produzem o leite para consumo próprio. “Além do preço do leite que caiu em 12% em relação aos últimos cinco anos, outros fatores que acabam causando prejuízo ao produtor é o aumento no custo da alimentação para os animais e a importação de leite. Infelizmente 10% das famílias saíram da atividade leiteira no munícipio, já que o preço que está sendo pago ao produtor não remunera nem sua própria mão de obra e não sobram recursos para investir na atividade”, cita o engenheiro agrônomo Fernando Selayaran ao ressaltar ser necessário melhorar a qualidade do leite produzido.
Um dos produtores que participou da audiência, João Sordi, afirma nunca ter passado por uma crise como a de agora. “Crise sempre teve, em todos os anos, mas forte como essa nunca passamos. Quando a produção diária era de 15 litros de leite por animal sobrava mais do que hoje quando são produzidos cerca de 30 litros. Acredito que um dos fatores seja o aumento no preço dos insumos”, coloca.

Autoridades presentes na audiência

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