Baldo volta a comprar erva-mate da região

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Capacidade instalada da Baldo é de até 4 milhões de toneladas

A maior exportadora de erva-mate para o Uruguai voltou a comprar matéria-prima no Rio Grande do Sul, em especial, da parte alta do Vale do Taquari.

Com capacidade produtiva para até 4 milhões de toneladas, em Encantado, a Baldo deixou de comprar erva-mate verde na última safra, na região, muito motivada pela legislação, que limitou os índices de metais pesados no produto, como cádmio e chumbo. “Fizemos visitas aos produtores, colhemos matéria-prima e fizemos as análises devidas para monitorar isto, caso a caso, carga a carga”, diz o diretor Leandro Gheno.
Ele ressalta que foi percebida uma mudança no manejo, por parte dos produtores. “Parece que todo o mercado está percebendo que existe uma legislação que precisa ser cumprida. Antes, isto não estava muito organizado”, acrescenta. Este foi um dos motivos para o retorno, além disto, tem o fato de que a empresa não tem interesse em deixar de trabalhar na região. “Nosso secador foi feito com o objetivo de comprar matéria-prima da região. Houve uma questão de prioridade de momento e optamos por não trabalhar nesta área, mas agora voltamos de maneira normal e vamos dar continuidade; esperamos que assim seja todos os anos”, conta.
Este retorno é visto com bons olhos pelo presidente do Instituto Brasileiro da Erva-Mate (Ibramate), Alberto Tomelero. Ele diz que é excelente para o setor, em especial para o produtor, pois passa a aproveitar uma produção excedente. “Isto aquece o mercado e é bom para todos os integrantes da cadeia produtiva”, comemora.

Mercosul
Além de exportar para o Uruguai, a Baldo mantém interesse na fatia interna do mercado. “A gente está trazendo a nossa forma de trabalhar para o consumidor, tentando mostrar para ele que temos uma alternativa diferente. Jamais vamos nos colocar como única alternativa, mas como mais uma alternativa para o consumidor”, diz Gheno, que conta que a empresa trabalha de maneira conservadora, sustentável e consistente.
O pedido de revisão dos índices de cádmio e chumbo na erva-mate, por parte do Mercosul, motivou estudos. Uma pesquisa realizada em parceria entre a Universidade Regional Integrada (URI) de Erechim e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) deve ser concluída ainda neste ano. Na época em que se levantou a questão, o Ministério Público chegou a abrir investigação sobre a possibilidade de excesso de metais pesados no produto de Arvorezinha, Ilópolis, Putinga e Itapuca. O inquérito foi arquivado. “Hoje existem dados bem consistentes, com repasse de informações para o entendimento adequado para índices aceitáveis”, reforça Gheno.
O dirigente da Baldo reconhece a relevância da região para o setor. Diz que há um entendimento, além do Rio Grande do Sul, pela questão da tecnologia e pesquisa do setor. “A erva-mate é uma cultura que tem dado e ainda dará muita alegria para a cadeia produtiva, em especial o produtor. As mudanças, da forma do processo, em função da demanda legal, fazem parte. O setor evolui.”

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