Pitaya: O presente que pode virar uma fonte de renda

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Natal Procedi já colhe frutos em sua plantação experimental

Com menos de dez pés plantados, Natal Procedi percebeu boa adaptação ao clima local, frutificação rápida e boa ramificação

Quem pensa que o clima frio e úmido da região não é propício para cultivos acostumados com o calor pode ter que rever os seus conceitos assim que passar pela propriedade de Natal Procedi, em Linha Jacob Paniz, interior de Ilópolis. Em suas terras tem um pouco de erva-mate, resquício do tempo que ainda se dedicava ao produto que simboliza a região, laranjas, pêssegos, uva, e, em área arrendada para terceiros, fumo, desde que ficou viúvo, há cerca de oito meses.
Há, também, um lugar que era tratado com carinho por sua esposa. Atrás da residência da família ficava a horta, com diferentes tipos de verdura e legumes. Foi nesta área que, há cerca de três anos, ele recebeu de um dos seus três filhos, mudas de uma planta que não é muito comum na região, mas que tem atraído cada vez mais a atenção de quem produz e de quem busca alimentação saudável, nos supermercados: a pitaya.
A estranheza por ela estar se adaptando ao clima é por tratar-se do fruto de uma espécie de cacto, que é nativo de regiões quentes, como a América Central e o México. É encontrada, também, em Israel e na China. E indiferentemente da questão clima, o que tem se percebido é uma produção boa, que pode acabar rendendo não só bonitos e bons frutos, mas uma rentável colheita, pois o preço de mercado é bom, especialmente, se for comparado com outras plantas tradicionais.

Manutenção

O pé de pitaya pode ser plantado com mudas, inicialmente adquiridas. Depois, ramificação é bem aproveitada. O caule se configura de gomos, que vão surgindo como brotos e estes gomos logo ramificam. Procedi alerta que não pode enterrar muito. “Basta colocar na terra, no máximo uns dois centímetros, pois depois disto ele começa a apodrecer”, alerta. A ressalva é feita com experiência. Da primeira vez que plantou acabou matando todas as mudas.
Assim que estiver firme e perceptível o desenvolvimento da planta, o produtor para de ter a necessidade de cuidados especiais. A adubação pode ser orgânica, não necessitando de defensivos especiais para a sua sobrevivência. Como o crescimento do caule, é interessante que se construa suporte e amarrações para que consiga permanecer em pé, pois o caule é fino e o fruto é bastante pesado, levando-se em conta estrutura física.
Em pouco tempo – os pés que estão na casa de Procedi têm três anos – começa a frutificar. No local onde ficam os espinhos nascem flores. Elas são brancas e logo amarelam e apodrecem, sobrando a sua base de onde, rapidamente, começa a vir o fruto. Em poucos dias ele se desenvolve, primeiro na cor verde escuro, semelhante à do caule, mudando para tons rosas, com escamas, que é o significado da palavra pitaya: fruta escamosa.
Outra vantagem é a possibilidade de produção em um espaço pequeno. Não é preciso muita distância entre um e outro pé e cada planta apresenta grande frutificação. Em poucos metros, no quintal de Procedi, estão colocados nove pés, que já viraram mudas, que distribui gratuitamente para conhecidos. “Já passei mudas para mais de 20 famílias. O desenvolvimento é muito rápido”, afirma.

Gomos do caule são transformados em mudas e, rapidamente, ramificam

Colheita

Procedi orienta que a estrutura para dar suporte aos pés não seja muito alta, permitindo que a colheita seja feita por cima. Assim, podem ser evitados os espinhos e a possibilidade de se perder algum fruto é menor, pois é possível manter maior controle sobre a maturação.
Cada uma das plantas pode dar vários frutos, pois eles surgem dos pontos espinhosos, que são percebidos em grande número, em cada gomo do caule. Em matéria reproduzida na televisão, o ilopolitano diz ter visto que um pé pode dar até 200 pitayas por colheita – o que ainda não é uma realidade em sua produção experimental.
Os resultados, mesmo que ainda não atinjam toda a expectativa anunciada pela reportagem, são considerados satisfatórios por Procedi. “Cada fruto dá em torno de meio quilo e isto é interessante, porque os preços ainda estão bem bons. Quando vi sobre pitaya pela primeira vez custava em torno de R$ 80, agora deve estar uns R$ 12 a R$ 16 no supermercado, mas ainda é bem bom”, destaca.
Diante do bom desempenho percebido, Procedi já reserva um espaço em sua propriedade para aumentar a produção. “Agora, no Carnaval, meus filhos e eu vamos aumentar e fazer a ocupação da horta com a pitaya”, adianta empolgado ao ver que os frutos já podem ser colhidos. A safra estende-se, no Brasil, de dezembro a maio e não costuma produzir em uma leva. No mesmo pé é possível perceber fruto maduro, que tem sabor suave e adocicado, e outros ainda em fase de floração.

Os benefícios da pitaya

– Proteger as células do organismo, pois a casca deste fruto é rica em polifenóis que são antioxidantes;
– Ajudar na digestão devido à presença de sementes na polpa;
– Combater doenças cardiovasculares, pois as sementes contêm ácidos graxos essenciais como os ômega 3;
– Regular o intestino pois tem oligossacarídeos, que são fibras que combatem a prisão de ventre;
– Regular a pressão arterial, por ser uma fruta bastante rica em água que estimula a produção de urina, reduzindo o acúmulo de líquidos no organismo;
– Combater a anemia e osteoporose por conter vitaminas e minerais importantes como ferro, fósforo, vitaminas B, C e E.

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