Produtores buscam reduzir custo na propriedade e apostam em silos secadores

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Em Nova Alvorada, devido ao silo na propriedade, família consegue fazer todo o processo, sem necessidade de terceirizar serviços

Por Redação

Um dos grandes desafios enfrentados pelo homem do campo é o alto custo de produção. Entre as alternativas para o problema, está a construção de silos para secagem e armazenagem própria de grãos.

Em Nova Alvorada, os produtores estão apostando cada vez mais. No total, oito propriedades já possuem os silos secadores e a demanda aumenta dia após dia, de acordo com técnico em agropecuária da Emater, Matias Tedesco. “Os produtores conseguem enxergar que é viável ter o silo secador dentro da propriedade e estão, cada vez mais, apostando nisso”, complementa.
Entre as principais vantagens de ter um local próprio para armazenar a produção de grãos, está a margem de lucro maior, além de manter a qualidade do produto e diminuir as perdas. “O produtor larga o grão no silo e deixa ventilar. A umidade deste grão é tirada, mas o mantém vivo. Lá no secador, é perdida uma quantidade do grão pela umidade”, ressalta Tedesco, enfatizando que em todas as cerealistas é preciso baixar a umidade, pois não tem como secar a ar, pela grande quantidade de sacas depositadas nos secadores. “Para manter todo o grão numa empresa cerealista é preciso silo a fogo, baixando a umidade e por isso há uma perda ao produtor”, explica.
Um dos produtores que aderiu ao sistema há anos, é Roberto Zanchin. Com os silos na propriedade, Roberto, o pai José e o irmão Edevandro conseguem fazer todo o processo ali mesmo, desde o plantio até o alimento para os animais.
O primeiro silo foi instalado há 19 anos. “Na época era um secador a lenha. Era feito o fogo na fornalha e o silo era de metal”, relembra. Atualmente, eles possuem dois silos na propriedade, que comportam aproximadamente dois mil sacos de ração.
A família está investindo na implantação de um terceiro silo secador. “Precisamos de mais, pois o que temos já não está mais comportando, além de que pretendemos ocupar um deles para a cevada”, afirma, salientando que o suíno tem um desempenho melhor com a cevada. “Depois de pronto este terceiro silo, vamos iniciar o plantio da cevada que é um alimento bom para o suíno”.
Zanchin reforça que ter o silo na propriedade com a produção própria de ração melhora o custo benefício se comparado com a terceirização. “Buscamos economizar onde podemos e ter o silo aqui é mais viável do que comprar a ração de terceiros”.
Hoje, a família trabalha com suínos, vaca de leite e grãos. “Quando iniciamos as atividades tínhamos 60 matrizes de suínos e hoje chegamos as 220. Também, temos em média 70 animais em lactação. Então estamos envolvidos diariamente com a agricultura, pois plantamos, colhemos, transformamos em ração ou silagem e alimentamos os animais”, disse, destacando que o serviço é limitado devido à energia elétrica ser monofásica. “O governo exige qualidade na nossa produção, mas o que nos é fornecido é precário”, finaliza.
Em Putinga os agricultores também estão apostando em armazenamento e secagem de grãos, de acordo com o técnico agropecuário e extensionista rural, Dario Busch. Dentro dos padrões impostos pela Emater há cinco silos ativos no município, mas a estimativa é que aproximadamente 20 propriedades aderiram a este sistema. “Alguns proprietários fizeram seus próprios silos com base nos cinco que estão dentro dos padrões. Fizeram a base e motor, mas na parte superior alguns optaram por madeira e outros por folha galvanizada”, conta.
Busch salienta que optar por folha galvanizada pode acarretar problemas futuros. “Dependendo da temperatura cria umidade, estragando aproximadamente 15 a 20 centímetros do grão”.
As vantagens de ter seu próprio processo de secagem e armazenamento são visíveis. “O agricultor que não tem seu silo secador, precisa colher e mandar para uma terceira pessoa, que vai descontar umidade, impureza, frete, custo da armazenagem e da secagem. O agricultor que tem este sistema na sua propriedade tem menos custos, um grão de qualidade e uma rentabilidade maior. O grão sendo armazenado pode ser vendido na época de entressafra onde o agricultor pode ganhar um valor maior do que na época de safra”, ressalta o técnico agropecuário e extensionista, Júlio César Citron Marcon.
Quando necessitarem de auxílio, os produtores podem procurar a Emater. “Quando vem a solicitação até nós, visitamos a propriedade, calculamos a sua extensão, definimos o local a ser implantado o silo e avaliamos o quanto o produtor colhe de grãos”, explicam.
Os técnicos contam com um sistema automático, onde são lançadas as dimensões do silo e automaticamente o sistema calcula a energia, o motor que precisa ser utilizado e o tamanho, após este processo os técnicos fazem a planta baixa e passam os dados ao agricultor. “Dado início à obra acompanhamos o processo de construção, auxiliando e tirando as dúvidas dos produtores”.
Júlio comenta que além da Emater disponibilizar a planta do silo, também oferece a opção de o produtor fazer o projeto para o financiamento.
Um exemplo é o agricultor Moisés Zerbielli, residente na Linha São Miguel. Produtor de erva-mate e milho, possui em sua propriedade dois silos, com capacidade de 450 sacas em um e 1,3 mil no outro.
O agricultor afirma que para eles a instalação do silo na propriedade teve pontos positivos. “Não temos descontos de impurezas, não tem umidade, secamos em casa nosso grão, único gasto que temos é com a colheitadeira. Antigamente eu pagava em torno de R$ 3,5 mil de frete, em algumas cargas tive um desconto de 50 sacas, hoje em dia com o nosso próprio silo secador gastamos em média R$ 300 de energia elétrica, apenas. Uma economia bastante significativa no bolso do produtor”, conta.
Com base nos dados passados por Zerbielli, o técnico calcula a perda em média de 17% neste processo de terceirização. Mostrando mais uma vez o benefício de ter seu próprio silo secador. “Se o milho for ao preço que ouvi falar, nosso silo construído no ano passado se paga este ano”, afirma Moisés, salientando que um dos motivos que apostou no silo secador é por pensar em evoluir cada vez mais.
Júlio e Dario ressaltam que o projeto do silo secador está a passos pequenos no município e que os produtores estão ainda resistentes quanto a esta ideia, mas que depois do silo instalado na propriedade os agricultores afirmam que não mudariam o método de armazenamento e secagem.

Renato conta que a ração dada aos suínos é produzida na propriedade
Novo silo deverá ser instalado em breve na propriedade da família Zanchin, em Nova Alvorada
Julio, Dario e o produtor Moisés

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