Produtores iniciam safra de milho com boas projeções

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Dos fatores climáticos, até o preço do grão e o período de plantação são alguns dos pontos
estudados pelos produtores para otimizar a colheita e garantir lucro na safra 2019/2020

Por Ana Paula Mello

A época do plantio do milho iniciou indicando mais uma safra de sucesso para os produtores. Em Anta Gorda, uma das cidades com maior produção de milho da região, a expectativa é boa, mas ainda é preciso ter cuidado e atenção aos fatores externos como clima e relação entre Estados Unidos e China, além do preço do grão.

Segundo o secretário de Agricultura do município, Joelmo Balestrin, em torno de 300 famílias trabalham com milho e há uma estimativa total de mais de cinco mil hectares plantados no município para grão e silagem.
“O município tem muitos produtores envolvidos com o plantio de milho tendo a expectativa de colher 7,2 mil quilos por hectar para grão e 40 mil quilos por hectar para silagem”, ressalta Balestrin.

“Vale a pena apostar no milho”

Morador da Linha Dossena, o agricultor Leocir Bresolin, 53 mora com a mãe e dois irmãos em uma propriedade que cultiva milho, cria gado leiteiro, além de cultivar outras coisas para consumo da família.
No milho, Bresolin diz trabalhar desde sempre, já que a cultura passou de geração em geração. “A vida toda a gente trabalha com a safra. Neste ano plantamos há poucos dias e temos boas expectativas, pois a terra aqui é muito boa, é uma terra forte e a gente vê como as pessoas daqui apostam nesta cultura”, afirma.
Ele se considera um pequeno produtor, já que planta seis hectares para silagem, e usa na propriedade com o gado leiteiro.

Ciclo tardio

Na contramão, o produtor Flávio Dagostini, da Linha Viena, só vai iniciar a plantação no início de novembro. Ele que possui 25 hectares para plantar, explica que utiliza o milho como silagem para o gado leiteiro e se considera autossustentável. “Vou plantar em novembro, pois ciclo mais tardio tem mais rendimento na produção de silagem”, diz Dagostini.
Sobre a safra 2019/2020, o agricultor acredita que as grandes propriedades são mais rentáveis. “Hoje se tem um custo enorme em insumos e produção, por isso as propriedades maiores rendem mais e vale a pena”, reflete.

“Temos que estar atentos aos fatores externos”

O agricultor Ari Di Domenico, 65, é um dos maiores produtores de milho de Anta Gorda. Ao lado do irmão, Nilo Di Domênico, ele, que mora na Linha Viena, planta mais de 30 hectares por safra.
“Desde os 11 anos trabalho na lavoura diretamente no plantio e colheita do milho. Sou ainda da época do saracuá, ferramenta que usávamos para a colheita. Depois veio um trator e até hoje estamos conhecendo novos métodos”, relata.
Sobre a expectativa da safra 2019/2020, Di Domenico aconselha que é preciso estar atento aos fatores externos. “No ano passado, as fortes enxurradas prejudicaram a colheita, então neste ano, embora tenhamos boas expectativas, é preciso ser ponderado”, conta o agricultor que até agora já plantou cerca de dez hectares e espera iniciar a colheita no final de fevereiro e início de março.
Segundo ele, o plantio atualmente é dedicado somente para grãos de consumo da criação suína da propriedade.
Di Domenico fala que para crescer, está sempre buscando novas tecnologias. “Não podemos ignorar a evolução tecnológica. Temos muitos desafios, como a sucessão familiar, por exemplo, mas acredito que cada vez mais os produtores terão que acentuar em suas propriedades, métodos sustentáveis como energia solar, drones, tablets, enfim, vários equipamentos que fazem do produto mais qualificado e ao mesmo tempo, cuida do meio ambiente. O consumidor final está exigindo muito isso”, relata.
Na safra 2018/2019, ele chegou a colher 150 sacas por hectare, o que não superou as expectativas da propriedade. “Na Linha Viena, a projeção era de 180 sacas por hectare, mas as chuvas nos prejudicaram muito”.

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