Os dados preliminares do Censo Agro 2017 apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) servem de alerta para os gestores públicos. De acordo com o levantamento feito pelos recenseadores, em comparação com o último censo, em 2006, houve um crescimento de 5% na área ocupada por estabelecimentos agropecuários, o que equivale à área do estado do Acre. Ao mesmo tempo, uma diminuição de 2% no número de estabelecimentos. Na área de cobertura do Eco Regional, a queda foi registrada nos dois quesitos, não mudando, no entanto, a característica essencialmente rural.
Parte desta redução regional acompanha os números do país. Afinal, o aumento percebido em âmbito nacional foi registrado entre aqueles que possuem mais de mil hectares, o que foge do modelo de estabelecimento da região, que costuma funcionar em espaços com menos de 100 hectares, baseado na agricultura familiar e em propriedade própria.
Com a mecanização do setor, o país perdeu, nos últimos 11 anos, cerca de 1,5 milhão de vagas no meio rural, incluindo produtores, parentes, trabalhadores temporários e permanentes. A média de ocupação reduziu de 3,2 pessoas para três. Os estabelecimentos passaram a ter mais tratores, chegando a 1,22 milhão de unidades, em todo o território brasileiro.

A região
Os números dos nove municípios que integram a região de cobertura do Eco Regional (Anta Gorda, Arvorezinha, Camargo, Doutor Ricardo, Fontoura Xavier, Ilópolis, Itapuca, Nova Alvorada e Putinga) mostram queda, tanto em área ocupada por estabelecimentos, quanto em unidades produtivas. Camargo, Doutor Ricardo, Itapuca e Putinga, entretanto, registraram aumento na área, incrementando em 4.427 hectares.

Fontoura Xavier
Proporcionalmente, em relação à área do município, Fontoura Xavier é a que mantém menor percentual ocupado por estabelecimentos agropecuários (69,18%). Mesmo tendo perdido 3,5 mil hectares em área produtiva, ainda está na liderança, com mais de 40 mil hectares. Também está no topo regional quando o assunto é número de estabelecimentos, superando 1,7 mil.
Os números, de acordo com o secretário da Agricultura, Eduardo Silva Nunes, mostram uma característica do produtor fontourense. “O nosso meio rural está ocupado por pessoas empreendedoras”, justifica os resultados positivos no setor, mesmo que em área menor. Ele explica que os dados atuais do IBGE mostram algo mais próximo da realidade, pois, atualmente, os produtores mantêm documentação organizada, com talonário e declarações reais do que produzem.
Outro fator positivo no setor primário local é a diversificação. O que antes era baseado em fumo e madeira, agora vê o incremento da bacia leiteira, da soja, da hortifruticultura e, até, da piscicultura. “Nos dois últimos anos, foram colocados em açudes mais de 200 mil alevinos”, exemplifica Nunes. Ele cita produções como noz-pecã, morangos, uva de mesa e aipim, como cultivos que têm surpreendido pelos resultados em Fontoura.
O êxodo, conta Nunes, não chega a preocupar. Ele reforça o número de cursos de qualificação proporcionados, em especial para jovens, a ida de técnicos aos estabelecimentos agropecuários, a parceria com o Meio Ambiente para garantir produção dentro da legislação, como formas de incentivar a permanência das famílias e garantir a sucessão para os jovens. “Atualmente, os jovens estudam e ficam no campo, porque entendem que é financeiramente viável. Uma propriedade com dez, 15 vacas leiteiras, pode oferecer um rendimento de R$ 6 mil, R$ 7 mil por mês”, destaca.

Apoio
Além da questão da qualificação de pessoal, Fontoura tem conseguido garantir maior qualidade para o solo, por meio de programa como o que financia o frete do calcário. Em 2017 foram transportadas mil toneladas; em 2018 já se chegou a este mesmo número. A patrulha agrícola, com equipamentos, também possibilita a confecção de silagem, instalação de bebedouros e outras atividades. A infraestrutura viária também é destacada pelo secretário Nunes. “Mesmo com toda esta chuva dos últimos dias, não tivemos registro de ter que desatolar caminhão.”

Itapuca lidera aumento de área

Itapuca, é quem tem o maior percentual de área com estabelecimentos agropecuários, em relação à área total do município. Soma 87,8%. Parte da explicação pode ser o aumento da área de produção. Do censo de 2006 para o de 2017 foi percebido um aumento de 2.390 hectares.
O secretário da Agricultura, Filipe Taborda Caproski, credita esta evolução à forma como o município encara o setor. “A gente tenta não deixar desandar, investindo em incentivo e trabalhando para fazer o máximo para o agronegócio”, destaca. Ele reforça que o êxodo rural é uma realidade. “Ainda temos, porém, muita gente que investe na propriedade, porque sabe que a agricultura tende a render”, reforça. Mesmo com propriedades pequenas, Itapuca percebe uma mudança na matriz produtiva. O secretário conta que muitos dos estabelecimentos, que atuavam com gado, estão mudando para soja, por exemplo. Entre os motivos, além da rentabilidade, está a falta de segurança. Os produtores têm receio de colocar o gado no campo, devido aos expressivos números de registros de abigeatos no Estado.

Longe do interior, mas sem perder as raízes

Uma área longe da cidade, separada por mais de 30 quilômetros. A Linha Nossa Senhora de Fátima é uma das comunidades que tem menos moradores em Fontoura Xavier. Devido à difícil localização, muitas pessoas saíram dali em busca de novas oportunidades. Uma delas foi a Maria Lorena da Costa, 59, que, acompanhada do esposo, Osmar Costa, 66, deixou o local há três anos e agora reside na Vila Vaz.
“É claro que sinto falta do interior. Sinto saudade do ar puro, e da vida que tínhamos lá, mas também gosto da cidade. Aqui é tudo mais perto e se torna mais fácil viver”, pontua.
O casal tem seis filhos, e cinco já estavam morando na cidade. O caçula, de 13 anos, acompanhou a mudança dos pais. “Vivemos a vida inteira no interior. Mas era preciso mudar. Meu marido ficou doente e a locomoção naquelas estradas era bem difícil, agora temos um acesso mais fácil à saúde”, comenta Maria.
Além do motivo da doença, a família também procurava um estudo melhor para o filho, e novas amizades. Embora a mudança, a família nunca deixou de lado as suas raízes.
“Aqui a gente planta para o nosso consumo. Temos uma horta e plantamos milho, lentilha, aipim, batata, fava. Além de uma horta com legumes e temperos e árvores frutíferas”, conta Maria.
A diferença entre a vida no interior e na cidade é enorme. “Antes eu ia no galinheiro e pegava o ovo, agora tenho que ir no mercado. Mas temos um mercado bem equipado”.

Secretário Filipe Caproski destaca
investimento no setor para manter resultados

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